Nesta parte estão as imagens da Ruta 40, uma lendária estrada que está para a Argentina assim como a Route 66 está para os EUA. Ela atravessa o país inteiro de norte a sul, passando por onze províncias em quase 5.000 Km de extensão.

Ao longo dos últimos anos, o caminho vem sendo gradualmente asfaltado, embora uma boa parte da estrada ainda se mantenha no cascalho, como o trajeto que percorri, atravessando os campos desertos da Patagônia.

Por causa das centenas de quilômetros de caminho desolado e inóspito, este sempre foi o trecho que mais me inquietou, desde os tempos de planejamento da viagem.

O início do dia mais árduo da viagem. Ingressando na Ruta 40, a famosa estrada argentina que começou a ser construída em 1935.

Este é um dos grandes desafios do trecho – o vento lateral fortíssimo, que sopra constantemente a partir da cordilheira.

A desolação inspira certo temor.
Borracharia? Mecânico? Gasolina? Alguém?!
NO HAY!!

Por tudo isso, é sempre bom investir no planejamento para não precisar contar com a sorte, já que ela poderia demorar um bocado para chegar até onde eu estava.

Os animais de beira de estrada, por outro lado, não aparentavam grandes preocupações. A não ser quando se punham a checar as intenções deste cara e sua câmera fotográfica se aproximando lentamente.

Trafegando a 40 Km/h no rípio, que é como eles chamam esse “pavimento” de cascalho ou pedrisco. Nesta velocidade, com a moto totalmente inclinada pela força do vento, as chances de um tombo ficam um pouco mais reduzidas. Ou pelo menos, os ferimentos seriam menores.

Por sete vezes fui atirado para fora da estrada pelas rajadas de vento, ainda mais fortes que o sopro habitual. Observem o arbusto dobrado pelo vento e a estrada lá em cima, à direita. Até mesmo ficar de pé exigia certo esforço, chegava a ser engraçado.

Parada para descanso e abastecimento em Bajo Caracoles, o único vilarejo do caminho. Este aí é o posto de combustíveis da “cidade”. Que conta com uma farta rede de serviços e infra-estrutura de apoio ao viajante.

Conheci um grupo de australianos endinheirados, que contrataram uma empresa para lhes proporcionar um passeio de moto na América do Sul. A empresa, também australiana, providencia e toma conta de toda a infra-estrutura, inclusive das motos. O pacote dá direito até mesmo a um carro de apoio que viaja junto com o grupo. Se o pneu de uma das motos fura, por exemplo, chama-se o mordomo que faz a troca. Assim fica fácil.

Enfim, foi preciso suar a camisa para dominar a máquina neste dia. A estrada de rípio e o vento exigiram muito esforço físico e concentração. Por esta razão, cheguei bastante cansado ao destino daquele dia, a cidade de Governador Gregores.

Mas antes disso, para encerrar o dia com chave de ouro, uma enorme poça de lama se materializou bem no meio da estrada, assim, do nada. Pego de surpresa, a moto escorregou como sabão molhado, me atirando para dentro do atoleiro. Por sorte já estava perto de Governador Gregores. Em um posto de gasolina, uma alma caridosa me emprestou esta vassoura e uma mangueira de jardim para que eu limpasse a meleca. Tudo isso, sempre acompanhado pela deliciosa brisa fresca das montanhas.

Viagem de moto pela Patagônia - Ruta 40

Acredito que esta imagem represente bem o dia: lago Cardiel, belo e inquietante ao mesmo tempo. A vastidão dos campos da Patagônia preenchida pelo uivo do vento.

Comentários (1)

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Fiz rota 66 d moto é d mais, quero programar esse passeio pela Argentina!!!

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