A esta altura, eu já estava no décimo sexto dia de viagem e quase no extremo sul da América do Sul.

Depois de enfrentar a temerosa Ruta 40 (que veremos na parte seguinte), cheguei até a cidade de El Calafate, bastante visitada, não tanto pela cidade em si, mas principalmente pela proximidade do imponente Glaciar Perito Moreno, umas das mais famosas atrações da região da Patagônia Andina.

Com paredes de até 60 metros de altura - do tamanho de um edifício de vinte andares, o Perito Moreno é uma das grandes geleiras do Campo Continental Sul, a maior concentração de gelo do mundo fora dos pólos. Seu nome é uma homenagem a um renomado pesquisador argentino, um dos primeiros cientistas e desbravadores a estudar a região.

A atração está localizada dentro do Parque Nacional Los Glaciares, criado em 1937 na Província de Santa Cruz, ao sul da Argentina.

Estima-se que o Glaciar exista há pelo menos 30 mil anos, sendo uma das únicas geleiras do planeta que continua crescendo.

Enquanto avança a uma velocidade de aproximadamente 2 metros ao dia, enormes blocos de gelo desprendem-se do paredão e caem na água. O espetáculo vem acompanhado de estrondos impressionantes, muito parecidos com o som de trovões, que contrastam com o silêncio que normalmente reina no local.

Em tempos passados, algumas pessoas, ao se aproximarem demais, chegaram a morrer atingidas por pedaços de gelo. Lá ao fundo pode ser visto um barco turístico (bem grande), que quase some diante da imagem do paredão gigante. Hoje as passarelas protegem os visitantes e delimitam o perímetro da visitação às geleiras, que se estendem por um vale até a encosta das montanhas.

A cor azul do gelo denuncia sua idade. Estes blocos que durante muitos séculos fizeram parte da geleira, agora se separam para finalmente derreterem e desaparecerem nas águas do lago. O azul, portanto, tem forte presença na paleta de cores da Patagônia.

A proximidade com a cordilheira do Andes faz com que o tempo no local mude com freqüência. Para quem visita o glaciar, é indispensável ter consigo bons abrigos para frio e chuva. Neste quesito, equipado para muitas horas de pilotagem sob as severas intempéries andinas, o motociclista que vos fala nem sequer tomou conhecimento do vento cortante ou da garoa intermitente.

O condor andino é a maior ave de rapina do mundo, sua envergadura pode passar dos 3 metros. Está ameaçado de extinção e por isso não é muito comum avistá-lo. Durante a viagem encontrei apenas dois: este aí e um outro, empalhado em um museu de Bariloche. Lá de cima ele assiste mais pedaços da enorme geleira se desgarrando e encontrando seu fim.

Por sua beleza, importância e riqueza, o Parque Nacional Los Glaciares foi declarado Monumento do Patrimônio Mundial pela Unesco em 1981.

O grande Perito Moreno confirma sua fama, e no meu caderno de apontamentos, muitas linhas acabam preenchidas pela descrição de sua magnificência. São páginas e mais páginas que, ao longo de toda esta bela viagem, seguem sendo diariamente escritas.

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