A partir da Região dos Lagos, na Argentina, a viagem segue um pouco mais para o norte, para a fronteira com o Chile através do passo Tromen. O destino é a cidade de Pucón que, apesar do tamanho acanhado, apresenta uma infra-estrutura turística bastante desenvolvida, mais ou menos como Bariloche.

O jeito de cidade de montanha e a presença de um dos vulcões mais ativos do Chile é responsável por atrair visitantes de diversas partes do mundo.

Mas por que será que estes gigantes chamam para si a atenção de tantos viajantes?<

Vulcões, geologicamente falando, são as estruturas pelas quais as profundezas da Terra se comunicam com a superfície. Apesar de produzirem belos cartões postrais, sejamos gratos pelo fato do Brasil não possuir nada parecido. O mesmo não pode ser dito de um certo país que novamente integra meu roteiro. Através de uma estrada de cascalho e em meio a um bosque de araucárias no Parque Nacional Villarrica, entro no lar sul-americano dos vulcões: “Usted esta em Chile, bienvenido”.

Sempre atento ao já surrado mapa de bordo, sigo pela estradinha que passa muito próxima ao vulcão Lanín, bem ali na região da fronteira. O céu encoberto, no entanto, só me permite avistar a base das suas encostas.

Na cidade de Pucón, localizada à sombra do vulcão Villarrica, existe um curioso semáforo de atividades sísmicas. Se a coisa ficar preta, ele emite um alerta à população: Pessoal, “derramou o caldo”!

É tudo muito didático:
Sinal verde: apenas uma fumacinha, uns ruídos subterrâneos e uma catinga de ovo podre provocada pela presença de enxofre no ar;
Sinal amalelo: pequenos tremores de terra e umas explosões eventuais;
Sinal vermelho: larga de ser curioso e se manda daqui, criatura!

Sempre que penso em vulcões (o que não é tão frequente assim, convenhamos) me vem à cabeça o Vesúvio, que na sua mais famosa erupção sepultou a cidade de Pompéia há uns dois mil anos. Apesar de estarem associados a desastres naturais, impossível negar a beleza impressionante desses marmanjos. Justamente por isso fico com vontade de chegar mais perto. Logicamente não me animei a escalar o Villarrica, mas avancei com a moto até ela começar a atolar no material depositado durante a última erupção.

A grandiosidade das montanhas é capaz de despertar em certas pessoas um incessante desejo de vencê-las, mesmo que para isso tenham que enfrentar situações extremas e, em alguns casos, risco de morte.

No final da estrada existe uma estação de teleféricos, que em 25 minutos leva preguiçosos e apressados até bem perto do cume. Aconselha-se o porte de bons casacos.

Lá no alto. Com mais uns 15 minutos de caminhada chega-se à neve, sempre presente, mesmo durante o verão. Quando pus os pés nela, a bateria da minha câmera resolveu morrer de frio. O pateta aqui tinha deixado a reserva lá em baixo... Não importa. Não seria este pequeno contratempo que impediria meu contágio pela euforia de ter estado lá.

Sejam sempre bons meninos e descansem em paz, nos presenteando com lindas paisagens sem causarem estragos por aí!

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