De brasilia ao Deserto do Atacama – de motocicleta

Não sei ao certo o que me fez decidir enfrentar esta viagem de moto. Se foi a temporada de chuva em Brasília que estava por continuar, se foi o fato do Filipe ter ido de moto a Ushuaia com os amigos, já ter feito a viagem ao Atacama e ter ficado muito contente, se a cirurgia do quadril que vai me deixar um tempo sem andar de moto, ou se para trazer prazer ao meu coração depois de um ano longo e trabalhoso de tratamento de um câncer de mama. Creio que juntou tudo. Fortes motivações.

A questão era se o corpo, ainda com baixa imunidade pela quimioterapia, iria aguentar. Eu sabia que, se dependesse de determinação e coragem, eu conseguiria voltar inteira para casa, para os filhos, o marido e amigos que torcem e me amam.

Consegui!

Me sinto realizada em mais esta parte da historia de minha vida. Sou grata.

Pude praticar o que me propus: foco, meditação, exercícios energéticos e espirituais , amizade, companheirismo, desapego. E testar alguns limites pessoais.

Só não esperava passar por infortúnios desnecessários e que não estavam programados. “o que é combinado não é caro!”, certo?

Tinha questionado ao dono da agência alguns pontos importantes 30 dias antes da viagem: excesso de quilometragem por dia com um grupo tão grande (não havia necessidade de nos expor a risco pelo cansaço); sei que até pilotos muito experientes preferem encerrar a estrada com 10 ou, no máximo, 12 horas sobre a moto, sem pilotar à noite. Questionei levar carreta somente para uma moto e questionei a qualidade dos hotéis, pois a programação estava extenuante e mereceríamos dormir bem ao chegar.

No primeiro dia de viagem percebi que o planejamento foi mesmo mal feito. No segundo a confirmação e no terceiro a necessidade de solicitar alteração no planejamento, pois estávamos exaustos, com 16, 14 horas de estrada, chegando tarde da noite aos destinos, dormindo em hotéis sem estrelas, sem água para vender, sem comida razoável... A esta altura, já estávamos preocupados com a falta de sintonia entre os dois guias e o carro de apoio. Eles não tinham comunicação entre si. Um não ligava o rádio, o outro ficava sem alcance... e assim seguimos, aborrecidos e muitas vezes inseguros. Tinha sido combinado com dono da agência que não pilotaríamos à noite. Bem, imaginem, chegamos às 22 horas, às 23 horas, às 21 horas... conseguimos chegar aos hotéis à 1 hora da manhã, ou como no dia que passamos pela Aduana Chilena, à 1 hora da manhã estávamos procurando abrigo no pequeno povoado de casas de adobe e chão de terra, num frio de rachar. Detalhe, minha amiga e eu, não enxergamos bem após o lusco-fusco das 18 horas. As duas únicas vezes que chegamos ainda com luz do dia foi um que andamos aproximadamente 600 km e outro, na volta, que conseguimos sair às 7 horas graças à determinação do grupo (e não do guia), rodamos 875 km e ainda chegamos com sol. Claro que não paramos mais que 20 minutos para abastecer, beber água, etc.... e chegamos exaustos. Ao custo de não pararmos para tirar fotos de dois lugares incríveis, como havia sido prometido e combinado com o guia responsável. Uma lástima, pois não sei se poderei voltar àqueles lugares.

E assim, tenho inúmeros casos de descasos, imaturidade e irresponsabilidade do grupo que montou a viagem e a executou.

Meu santo é mais forte.

Atacama

Todas as manhãs convocava o meu anjo Anjo da Guarda e também pedia para que Ele convocasse os Anjos dos demais membros do grupo para que nossa viagem fosse protegida por eles, mesmo daqueles que não acreditam nas asas protetoras Deles.

Pelo Scala Rider, junto com a amiga de anos, rezávamos e cantávamos orações para que a energia positiva tomasse conta do grupo e de nós. Ho'oponopono, EMF e muita fé!

A melhor parte sempre foi a estrada que fazia. Como amo pilotar. Independente do tempo, sempre é lindo! O poder da concentração me recarrega. O exercício da fé no Pai interior, as conversas, as descobertas de enigmas dos estudos se revelando a cada dia durante as meditações. Magnífico. Uma benção viajar comigo mesma, para o meu interior.

Durante a viagem de moto, o cheiro de goiaba foi o primeiro a ficar registrado. Passamos por uma banca, ainda no Brasil, onde tinham varias goiabas enormes, cortadas ao meio. O perfume vinha de longe. O Segundo foi o da terra do campo verde. Terra recém molhada pela chuva, o verde se destacando na paisagem. O terceiro foi das plantações de mate. Chá mate, erva mate. Estávamos na Argentina. O quarto aroma marcante foi das cabras e cabritos. Forte e acre cheiro gostoso. Que felicidade!

Entre os aromas, a linda dança das motos pelas infindáveis retas do Chaco e do Deserto. Confesso, provoquei as vezes que começamos a fazer zigue zagues. Erguer o corpo na moto na hora do sono, bem lembrado pelo guia. Cantar uma música no scala rider ou provocar uma conversa de tema intenso com a parceira. Tudo para driblar o cansaço ou o sono. Assim foram as estradas. A brincadeira de “go, go, go, go, go!“ para ultrapassagens e exercícios para acompanhar o pelotão da frente.

Ter muita paciência com os três machistas do grupo, que não aceitavam minha ultrapassagem e as da minha amiga também. Kkkkkkk. Ela ficava muito brava, para não dizer outra coisa. No inicio achei ridículo, depois o coração foi agindo e fiquei enternecida com o sofrimento ou submissão das mulheres que convivem com estes homens. Rezei por elas e por eles, pedindo que seus corações se abrissem e que eles evoluíssem pessoalmente, para superar esta dificuldade de relacionamento.

Compartilhar as curvas da estrada com quem ainda não tinha tanta experiência, fazendo sinais de braço, me fez sentir muito bem. Acredito que devemos compartilhar os conhecimentos e doar nosso aprendizado. Ao fazer ultrapassagens, sempre seguia na pista da esquerda com seta ligada, para ajudar os companheiros que vinham atrás. O jovem de 35 anos em sua Break Out também fazia isto, quando o grupo estava junto. Aliás, ele fez horrores de brincadeiras maravilhosas no terreno arenoso e de rípio no deserto!

Aquele dia foi muito divertido! Jamais havia pilotado em terra, pedras, areia e buracos. Decidi seguir o guia experiente e o companheiro estrangeiro, que nitidamente mostravam experiência naquele terreno. Acertei! “Se eles podem, eu também posso”! kkkkkkk foi lindo! Em pé sobre a moto, orientada a não frear ou acelerar e quando a moto deslizasse para os lados, manter a velocidade para ultrapassar a parte perigosa. E assim fui, feliz e satisfeita derrapando para lá e para cá! Kkkkk. Um colega sem experiência freou no areão fofo e, como eu estava muito junto dele, com a roda traseira sambando, fiquei com medo de atingi-lo e também freei. Tombo, claro! Rsrs

Neste momento outros quatro colegas tinham caído. Decidiram abortar o passeio ao Vulcão, ao qual não voltamos depois e ficamos sem conhecer. Na volta, segui o parceiro estrangeiro. Que Aventura! Consegui acompanhá-lo na velocidade que ele escolheu. UAU! Muito, muito divertido! Chegamos muito à frente do grupo e conversamos sobre técnica, tiramos fotos, gravei um vídeo com o depoimento dele sobre minha pilotagem e ele terminou dizendo: “vamos até onde acreditamos que nosso anjo da guarda dá conta de nos proteger! “ Acredito nisto também. Meu anjo tem o mesmo espirito aventureiro que eu, e colabora sempre! Amém!

A secura do deserto é real. Narinas sempre machucadas pelo ressecamento, as unhas, mesmo curtas, quebraram todas. Bepantol para segurar a onda da pele, nariz, unhas, boca.

 Atacama

O calor também é real. Suamos tanto e fizemos tanto esforço físico que, ao consumir 5 Gatorade e 7 garrafas de 500 ml de água no mesmo dia, quase não sobrou urina. É incrível!

Frio também. Não tínhamos condições físicas para atravessar os Andes à noite, pois chegamos muito tarde na Aduana e sem comer. Os cinco ou seis parceiros que seguiram rumo a San Pedro pegaram zero grau na subida. Mas na volta foi pior, rsrs. Pegamos menos 6 graus!

Na volta de San Pedro fiquei para traz, pois numa curva muito fechada dentro da cidade e com um dos meus alforjes bem mais pesados (não tinha verificado), tombei nessa curva. O guia que havia atrasado para partir, me viu e me ajudou a levantar a moto. Na subida da montanha, percebi que sentiria frio nas mãos e no peito. Parei, troquei as luvas e vesti o colete por baixo da jaqueta já forrada para frio.

Com isso, o grupo se afastou e passei pela experiência de subir os Andes na própria companhia. Delicioso. Só. Lindo! O amanhecer nas curvas das montanhas. Amo curvas. Amo curvas!

No meio da subida vi que seria necessário ligar o aquecimento das manoplas, conforto das BMW. E mesmo assim, meus dedos quase congelaram. Quando podia, apertava as mãos contra o motor da moto e as coxas, mexia bastante os dedos para ativar a circulação, soltava ar quente pela boca para aquecer o nariz. Aos poucos fui alcançando as pessoas do grupo que partiram antes. E eu estava numa 650 cc... que relutava em ganhar velocidade na altitude! Rsrs. Mas, como disse, amo curvas e, modéstia às favas, faço curvas bem para caramba!!! Assim, ultrapassei todos do pelotão, exceto três que haviam partido mais cedo e mais rápido na subida dos Andes. Pense se não me enchi de orgulho!? Rsrs. Venci o frio, a altitude (mascando coca) e as curvas.

Algumas pessoas pararam para atender a dor nas mãos de uma colega cuja luva não suportou o frio. Equipamento é tudo. Aproveito para indicar para as colegas que passarão por esta experiência alguns itens indispensáveis para pilotar que lembro agora: meias compressivas, segunda pele de acordo com a temperatura a enfrentar, jaqueta e protetores corretos, calcinhas de algodão e sem elástico e lenços protetores de cabelo e pescoço, camel back e luvas diversas. Barrinhas de cereais para comer e nécessaire certo para suportar os banheiros terríveis dos postos. Rsrs.

Fizemos a Aduana e fomos tomar chocolate e café quente na Argentina. Mais montanhas pela frente e curvas com pedrinhas, terra, pedaços sem alfalto, cotovelos em sequência e lindas paisagens deram mais prazer a este trecho da viagem. Não pudemos registrar e nem parar ou cruzar cidadelas lindas e recomendadas.

Creio que esta viagem deva ser feita em 21 dias e não em 15. Um a mais para ir e para voltar no Brasil e 3 a mais no deserto.

Levei meu quadril ao limite ao subir o Valle de La Luna para ver o pôr do sol. Só o fiz porque sabia da cirurgia dali uns 10 dias. Um mar de areia em movimentos suaves e profundos lá no alto da montanha. Muita serenidade, luz maravilhosa em suas cores fundindo do amarelo ao rosa, com o céu azul observando o cair do dia e nascer da noite.

Atacama

Mas o lugar em que mais me encontrei foi a Laguna Cejana. Três ou quarto Lagoas salgadas que te fazem flutuar na água. Exercitei meus sistemas energéticos, meditei, orei, equilibrei meu corpo como o compasso e o esquadro. Fiquei imersa por duas horas e meia, flutuando, a sós, com o Pai e com o Universo. Chamei as forças da água, do vento, do sol, da terra, do Sal. De toda aquela natureza para a qual viajei em busca do meu centro. Pedi para sintonizar com as energias do povo local. Reverenciei os índios e sua cultura. Um momento especial de vida.

A massagista do deserto me disse: “veja o câncer como a cura de algo que já passou. Foi assim que seu corpo reagiu àquela ferida. Você tem e sempre terá o direito de ter quantos cânceres quiser. Você tem o direito de ter o seu corpo curado da forma que for necessária, você tem o direito de sentir raiva, medo, alegria, dor, coragem, tudo! Permita-se sempre. Ponha para fora. Você está no caminho certo”.

Ali , percebi que tinha atingido meus objetivos todos.

Ficam as lembranças boas, porque é isto que quero dentro de mim. A beleza da poderosa natureza com a qual sintonizei e passei maravilhosos momentos. A beleza das imagens, dos sentimentos, das vibrações positivas de cada elemento.

Volto para casa realizada, feliz comigo mesma. Com saudade da minha família, das pessoas que vivem ao meu redor, dos amigos de verdade, das criaturas que me amam e de quem eu cuido.

Agradeço ao Universo. Agradeço às orações da Vagalume, da Themis, do Marçal, da Zana e força dos amigos do coração. Aqui da minha varanda de casa, com a vista que conquistei junto com o grande parceiro de vida e incentivador Luiz Filipe. O meu Fê. Que felicidade em poder compartilhar tudo isto com meus filhos, com muito amor. Que a estrada da vida deles seja plena de abundância, prosperidade e alegrias. Como a nossa.

 Atacama

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Comentários (29)

  • Primeiramente parabéns por tamanha motivação, força, dedicação e equilíbrio! Resido com minha esposa perto de Brasília e adoraríamos receber dicas e sugestões suas para uma viagem futura ao Atacama e quem sabe outros destinos que valem a pena conhecer mesmo mais próximos e que constam em seu rol de aventuras. Que Deus ilumine sempre seus caminhos. Nosso email l.eduborges@gmail.com

  • Rodrygo Curitiba 660Z

    Que pena que a falta de compromisso de algumas pessoas do grupo não tornou sua viagem agradável em tempo integral, mas por outro lado, bacana que pode buscar o sentido de algumas coisas da sua vida dentro de si nesses dias de reflexão e aventuras. Desejo de coração que sua cirurgia de certo e logo possa estar planejando novas aventuras com mototurismo. História show, pena que não tem tantas fotos das paisagens. Mas enfim, boa sorte e nos encontramos por aí. Abrass

  • Noooossaaaa Serafim!!!! vi o projeto agora e que alegria!!!! o roteiro contempla nosso Brasil, e que boa idéia!!! Inspiradora!!! Me avisem quando pretendem passar por Brasilia, para ver se estarei aqui, ok? A partir do dia 28/4 vocês estarão em minhas preces, onde pedirei aos seus anjos que os guiem, iluminem e protejam!!! Nao saí nenhuma manhã sem convocá-los e ao final do dia, agradecê-los! Casal aventureiro e forte! Que a viagem seja repleta de alegrias, sorte e boas chegadas!

  • Em resposta a: Ana Flávia

    Vise! Agora você me pegou de cheio! Meus olhos se encheram de lagrimas de emoção ao ler esta mensagem. Ana Flávia você é uma alma boa e que Deus sempre esteja contigo. Muito, Muito Obrigado! e tem a certeza que você estará em nossas preces também!
    Um Grande e Forte Abraço.
    Serafín e Shirley.

  • elias de souza

    Parabéns pela sua disposição em meio as circunstancias, seu exemplo e sua experiência com certeza ajudará a muitas pessoas que enfrentam problemas das mais diversas proporções, Deus continue a lhe abençoar. Amamos sua história.
    Elias e Zeneida
    Bage-RS

  • Em resposta a: elias de souza

    Caros Elias e Zeneida, somos muitos gratos pelo seu comentário de apoio e incentivo. São mensagens com esta que nos fazem ir em frente e se em algum momento passou esta nuvem sobre nossas cabeças, com elas (as mensagens) o nosso céu esta de brigadeiro. Gostaríamos de retribuir a vossa gentileza com um grande e forte abraço quando estivermos passando por Bage-RS.
    Por enquanto, este grande e forte abraço é virtual, mais tenham certeza de que já moram em nossos corações.
    Serafín e Shirley.

  • Cara Ana Flávia o endereço do Site do Projeto é: www.mybigdream.co
    Outro sim, o Site Viagem de Moto fez uma matéria sobre a nossa Aventura. Está na primeira página.
    Saudações

  • Cara Ana Flávia, Bom Dia! Ao ler a sua postagem fiquei impressionado com a sua determinação. Você é sem dúvida nenhuma uma guerreira e dá para ver que tudo aquilo que você se determinar a fazer, será feito! Como Você está, a cirurgia correu bem, o quadril já está operante 100 %? Pronta para uma outra aventura? Aonde será desta vez? A sua narrativa tem nos ajudado muito no planejamento de uma Viagem/Aventura que iremos realizar junto com minha esposa Shirley. No dia 28/04/2016 as 12:00 partiremos da cidade de Pinheiro no Maranhão numa Aventura ao redor do mundo numa pequena, mais guerreira CG 160 Titan a qual dentro de suas peculiaridades faz 39 km x lit. sem acompanhante e sem peso extra, é claro. Somos Motociclistas de primeira viagem mais determinados como mula velha. A data e horário exatos são porque é o dia em que faço (meus primeiros) 70 anos de vida e minha Esposa está com 69. Iniciaremos a viagem recorrendo todos os Estados do Brasil para depois seguir viagem mundo afora. A nossa viagem/Aventura tem como particularidade não ter data de retorno nem uma rota engessada, na verdade queremos conhecer o mundo e quebrar o tabu de que velho tem que ficar na praça jogando dominó e velha fazendo crochê na sala da casa. Somos loucos ou inconsequentes, bem isto não é a gente que vai avaliar (tal vez um Psicólogo) mais acontece somos um casal de "Idosos" que tem ainda a alegria de sentir palpitando dentro do coração o espírito dos desbravadores e o gosto desmedido pela aventura e a disposição para começar, sempre, tudo de novo. A sua Aventura foi inspiradora e esperamos quando passemos por Brasília poder lhe dar um grande e forte abraço. Que Deus esteja sempre ao seu lado.

  • Em resposta a: Serafus

    Serafus, minha recuperação está indo bem; é preciso paciência. Será uma enorme alegria recebê-los em Brasilia! Tenho uma viagem programada para maio e outro em junho, então espero estar aqui quando vierem! Admiro a iniciativa de vcs! Meu marido encontrou com uma Boliviana que estava indo de 125 para o Ushuaia! e feliz! Recomendo que viagem durante o dia, e sempre se informem sobre as condições das estradas antes de definir os próximos pontos. Faça um seguro bom e vá com um sistema que te dê internet e meio de comunicaçao quando precisar. Viajar sem roteiro engessado é maravilhoso! Meu marido e eu estamos planejando nossa primeira viagem em duas motos, partindo de Sturgis em agosto deste ano! Quero saber da viagem de vocês, ok? abraço aos dois!

  • Em resposta a: Ana Flávia

    Cara Ana Flávia, lendo comentários nem que o seu ficamos cada dia mais ansiosos para que chegue o dia do início da nossa Viagem/Aventura!
    Muito obrigado pelo seu incentivo e com certeza poder ter um papo com vocês será uma experiência inolvidável e um aprendizado memorável.
    Esperamos poder lhes dar um Forte e Grande Abraço quando passemos por Brasília-DF.
    Que Deus esteja sempre a seu lado!
    Serafín e Shirley.

  • Antônio Fernandes

    Olá.

    Seu relado é surpreendente não pela viagem a experiência que entendo foram únicas para você, mas por todo o desacerto de quem organizou o evento. No seu pouco relato aqui, pode-se identificar falhas grosseiras que colocaram em risco a vida de todos(as). Ainda não fui para estes lados, mas em regiões como estas, seguir um roteiro bem elaborado e mais que isso, contar com o compromisso de todos os envolvidos é fundamental.

    Levei dois anos para planejar Ushuaia (Floripa- Ushuaia), seis meses nos equipamentos, três meses na finalização do roteiro (hospedagem, postos de abastecimento e de alimentação, moedas), como entrar e sair das cidades (na cia do colega de viagem). Foi uma viagem perfeita. Deixando claro que tivemos nossos contra-tempos que foram os temperos e hoje boas lembranças da viagem o que mais falamos.

    Parabéns pela empreitada e espero ouvir novos relato de vocês.

    Que Deus a ilumine.

  • Antonio, tenho vontade de fazer Brasilia Ushuaia e, pelo que sei, o caminho mais bonito é pela Carreteira Austral. Tem um grupo de amigos que quer ir , mas de Harley. Você acha que Harleys dão conta do rípio neste caminho? No Atacama um amigo foi de Breakout (pneu traseiro bem largo), e conseguiu fazer os caminhos de ripio (poucos). Fiz de Bmw e vi que requer tecnica e experiência... a moto samba muito (roda trazeira) e fiz o trajeto todo em pé sobre a moto. O que me diz?

  • Complementando a informação do Fernandes, fui a Ushuaia em fevereiro do ano passado com uma Harley. O trecho de rípio na Terra do Fogo que ele referiu deve ter hoje cerca de 80 km, ou seja, você percorrerá 80 km para ir e 80 para voltar. É tranquilo passar com qualquer moto, desde que não abuse da velocidade. Se for pela Ruta 3 será somente esse trecho que você vai encontrar com rípio a não ser mais 20 km no Parque Lapataia para tirar a foto junto àquela placa do fim da Ruta 3. Voltei pela Ruta 40 e peguei mais uns 200 km de rípio, que agora já devem ser menos, porque estão pavimentando também. É um rípio mais solto e difícil, mas passei tranquilo a maior parte do percurso. O relato da viagem está no seguinte link: http://viagemdemoto.com/ushuaia

    Mas se pretendem passar pela Carretera Austral, neste caso eu recomendo repensar. Nela até com moto de trilha dá para passar alguns perrengues.

  • Em resposta a: Ana Flávia

    Olá Ana Flávia,

    Posso lhe garantir ser uma viagem especial em todos os sentidos, povo, cultura, culinária, paisagens ( deserto, neve, verde, lagos, etc...).
    Já no tocante a fazer viagem com a Harley, digo não ser impossível, pois vimos algumas Custon pelo caminho, não muitas, mas posso lhe garantir que o rípio, só o terá na passagem Argentina- Chile - Argentina, isso pela Ruta - AR3, após o Estreito de Magalhães. O trecho que vimos é só no Chile, ruim é certo, mas estavam em obras pavimentando de concreto [ muito bom] e levaria mais um dois anos. Pelo nosso trajeto dava uma 250 Km. Fiz o trajeto em janeiro de 2015. Penso que estão ainda em obras, mas dá para verificar com site "brasileiros em Ushuaia - www.brasileirosemushuaia.com.b", ou mesmo no site do Governo do Chile. A questão mais importante nesta viagem [opinião particular], vem no trajeto depois do Estreito, onde tem de tomar sentido a ruta CH-257 [ não vá no sentido a Cerro Sombrero ] é bucha. A CH-257, vai dar em San Sebastian, fronteira Chile-Argentina, retomando a Ruta- AR3, até a cidade de Rio Grande, depois Ushuaia. Observei suas falas sobre as dificuldades físicas na viagem, onde penso ser interessante verificar melhor os equipamentos (colete protetor de coluna, que fixa bem o abdômen [faixa velcro] – deixa o tronco firme, almofada de ar ou gel, etc...). Bom planejamento

  • Oi Ana Flávia. Antes de mais nada, parabéns pela aventura! Show de bola. Também sou de Brasília estou planejando uma viagem solo para o Atacama.
    Pensei num roteiro praticamente igual ao que você fez. Brasília/São José do Rio Preto/Foz do Iguaçu/Corrientes/ Pumamarca/Atacama. No meu cronograma durmo em Rio Preto, Foz do Iguaçu/Corrientes e Pumamarca antes de chegar ao destino final. O trecho mais longo é entre Corrientes e Pumamarca (912km). Eu nunca pilotei mais do que 450km num dia e tenho receio de ficar esgotado...
    Eu não tenho muitos dias disponíveis por isso imagino que a volta seja pelo mesmo caminho, embora isso seja meio um desperdício, né? Mas não pensei em outro caminho viável. O que você acha?
    Em relação a moeda? Será que é conveniente levar dólar e pagar tudo assim é preciso trocar pela moeda local? Abastecimento. Você teve algum problema? E quanto a frio/calor/condições da estrada, etc. Se você puder dar mais dicas sobre esses assuntos seria ótimo.
    Obrigado.
    Abs,
    André
    PS: publiquei aqui no site um relato sobre a minha viagem (Brasília a Paraty pela Estrada Real). Dá uma olhada e me diz o que acha.

  • Em resposta a: André Vale

    Sobre equipamento para frio, calor. Na epoca que fomos, só pegamos frio na Cordilheira. Muito. Manopla aquecida, luva para frio/vento, roupas de baixo para frio, proteção para nariz, cachecol, protetor labial. No mais, roupas de baixo para verao e jaqueta (forro destacavel), é suficiente. Usei muitos dias somente underwear com o robocop, por causa do calor. É mais ventilado. Calça air flow foi a que mais usei. na Cordilheira usei a calça com forro. camisetas de baixo com gola acho muito bom, para nao machucar c tantas horas de jaqueta. Ah... em San Pedro, quando for a lagoa de sal, que vc flutua (vale a pena), vá com camiseta branca de manga longa e gola, para não assar! Levei um sabao liquido Ariel para lavar as roupas nos hoteis. Seque nas toalhas que na manha seguinte estarão secas. No Face Harleyras publiquei um check list para mulheres, rs, mas acho que vc pode adaptar! Tudo 3 (meias, underwear (blusa e calça), bandanas, camisetas, calça/bermuda/calçao, (1 de cada), 1 jaqueta , 1 calça c protetores, 1 bota, 1 havaiana. Depende do espaço que vc terá. Nossa viagem contemplou uma mala por viajante. Luxo total. rs.

  • Em resposta a: Ana Flávia

    Valeu Ana Flávia! Muito obrigado por essas e todas as outras dicas!
    Minha ideia é ir em dezembro. Imagino que não enfrentarei muito frio, mesmo nas Cordilheiras, estou errado?
    Em relação as chuvas, você acha que nesse período terei problemas?
    Abs

  • Em resposta a: André Vale

    André, vou olhar sua viagem pela Estrada Real, que quero fazer. Te respondendo digo que o problema não é fazer 1000 km num dia. Depende tb da autonomia da sua moto tb. O que exaure é a quantidade de horas na estrada. Se vc pilota acima de 120km/h, faz mais paradas curtas (algumas só para abastecer ,ir ao banheiro e repor agua ou gatorade no camel back) e uma longa (40 min) no meio do dia, certamente não entrará pilotando a noite (que cansa muito, além de se tornar mais perigoso). Se for fazer grande kilometragem, saia as 7h que até as 20h estará no hotel. Programe bem o gps com o seu destino e peça para mostrar os pontos de abastecimento. Aí vc aguenta. Eu aguentei ,rs, e fizemos 16h, 15h, mínimo de 13h de estrada! Foi exaustivo. Um bom banho e uma boa cama fazem a diferença na manhã seguinte. Verifique os hotéis. Evite pegar taxi para ir jantar... escolha hotel que tenha restaurantes próximos. É bom dar uma caminhada para mexer os musculos e vc volta mais cedo e se recompõe. Este roteiro significa ir em 5 dias puxados. Sugiro ficar lá pelo menos 5 dias, para conhecer as coisas principais e ir até La Portada e Mano Del Desierto. Nao conseguimos fazer a programaçao toda porque descansamos todo o primeiro dia em San Pedro do Atacama!
    Se for em epoca de chuvas como nós, se informe sobre estradas no Paraná. Pegamos ponte caída, rodovia inundada, o que nos fez dar uma volta enorme até chegar a Foz do Iguaçu. Tb pegamos estradas esburacadas, tanto que a volta foi por Sertaozinho, (950 km ) passando por Londrina. A estrada estava muito melhor! Levaram dolares, pesos chilenos e reais. em Brasilia nao se achava pesos Argentinos. Eu troquei 600 reais em pesos Argentinos e 600 reais em chilenos po. Gasto medio de 2 mil reais fora o pacotPrecisei pegar emprestados 100 pesos chilenos na volta. Só gastei com lanches leves nas paradas, barrinhas de cereais , muita agua e gatorade, principalmente no Chaco. Faria de novo em 21 dias!

  • Kabuloso

    Ana Flavia, boa noite. Li o eu relato de sua aventura para Atacama, em primeiro lugar gostaria de parabenizar pela a sua coragem, atitude e determinação...
    Você fez inveja a muitos homens parabéns!!!
    Se você me permitir, gostaria de saber qual foi esta empresa de turismo que vocês contrataram para esta viagem, mesmo que fosse em PVT (e-mail eraldosp@gmail.com, porque o meu grupo esta pensando em realizar esta viagem em 2017. E queremos passar bem longe desta empresa de Turismo.
    Att
    Eraldo-Kabuloso

  • Em resposta a: Kabuloso

    Eraldo, acho que mais importante do que dizer o nome da agência, é alertar para que escolham uma que já tenha feito o roteiro da viagem mais de uma vez; buscar depoimento dos que já fizeram com a mesma agência. Ter guias que já viajaram para lá, não garante e não basta para o sucesso na organização. Sugiro prestar atenção nestes ítens: Carro de apoio com reboque apropriado para mais de uma moto, e espaço para uma pequena mala para cada piloto; No carro de apoio mecânico que entenda bastante das marcas das motos que estão viajando e que leve peças que costumam se desgastar e necessitam ser trocadas, inclusive óleo p correia e peças difíceis de serem encontradas. que a dupla de pilotos do carro de apoio levem equipamento para pilotar moto de algum piloto, se houver necessidade. Galão de combustível, papel higiênico, água gelada, kit primeiros socorros, fita para fixar algo que quebre, endereços de oficinas locais que atendam as marcas que viajam. Hotéis com conforto para depois de um dia exaustivo de viagem; hoteis em áreas de restaurantes, para que o jantar seja próximo e de qualidade, para equilibrar a alimentação ruim das paradas em postos. Hoteis com elevador. Se for possível pelo tempo do grupo, não fazer mais do que 600 km/dia. Ajustar motos para a gasolina ruim da Argentina. Abastecer sempre que encontrar um posto, pois na Argentina, tem alguns trechos muito longos com pouco posto de gasolina. cuidar com o horário de chegada na fronteira do Chile, pois a subida a noite é muito gelada ou também muito no inicio da manha. Pegamos menos 6 graus pela manha. quem nao tinha manopla aquecida, se ferrou! rs.

  • Alaor Bueno de Camargo

    Entrei em estado de graça ou atingi o Nirvana, não sei explicar bem o que senti ao ler sua narrativa, parabéns é pouco assim como é pouco o nº de pessoas meninas que fazem isso. Um forte abraço para vc e sua familia. Bueno.

  • Oi Alaor! A cada ano o número de meninas animadas a pegar estrada de verdade aumenta. E isto me deixa feliz! As vezes arrumamos mil desculpas para justificar um não. Eu estou na fase de de arrumar mil razões para dizer sim! Assim que me recuperar da cirurgia do quadril, pretendo fazer outra viagem! Abraço!

  • Oi, Ana! Adorei a história. Estou pensando no Atacama há muito. Aliás, Atacama e Ushuaya. Mas ando de Shadow e ainda não sei se ela chega lá. Qualquer ondulação no asfalto é transferido direto para a coluna. Super cansativo.
    Se for asfalto bom, como em São Paulo, Argentina e Uruguai, é tranquilo. Rodei muito nesses lugares e a viagem é ótima.
    Será que dá para ir ao Atacama sem passar na terra? Ripio então, nem pensar...

  • Em resposta a: masreis

    masreis,
    um colega foi de breakout! fiz o trajeto inteiro por asfalto. Os passeios proximos a San Pedro podem ser feitos em Vans Turisticas, mas a maioria permite o uso de moto. vc pode usar um banco de gel (novo) ou um air flow, ambos ajudam a absorver impactos e dar mais conforto. Veja a autonomia de sua moto, pois, de Salta para San Pedro só tem posto em Jujuy/Susques e na fronteira! abs

  • Belissimo seu relato Ana Flavia,e mais belo ainda é o seu exemplo de superação.Que o nosso pai celestial esteja sempre te dando forças e te proporcionando oportunidades como essa.Parabens e oro por sua recuperação breve.

  • André Ramon

    Show!!! Não vejo outra palavra pra descrever o seu relato Ana.
    Acompanhei a saída do seu grupo pelo DF TV... Sou aqui de Brasília tbm!!! Vi a sua entrevista ao repórter e fiquei muito feliz em ver sua garra e amor a essas máquinas maravilhosas que se chamam motocicletas!!!! Máquinas essas que são os meios para estarmos sempre em sintonia com o objetivo maior de nossa existência: Sermos livres e felizes!!!!
    Peço licença pra te dar um grande, fraterno e apertado "motoabraço!!!!"
    Tenha uma excelente recuperação... Esteja logo de volta ao guidão de sua máquina... Não se preocupe, vc pode sim voltar quantas vezes quiser a qualquer lugar que desejar... Nossos anjos adoram nos acompanhar e nosso Pai celestial se regozija com nossa felicidade em curtir o mundo que Ele criou com tanto carinho e maestria pra nos abrigar nessa nossa passagem terrena... Tenha certeza, quanto mais conhecemos e nos apaixonamos por essa natureza linda que temos a nosso dispor, mais nossa força vital é equilibrada e renovada...
    Fique bem e feliz. E, acima de tudo, fique com Deus!!!

  • Forte e carinhoso motoabraço André! Sim, acredito que a Natureza nos oferece muita força e energia!

  • Ana Flávia Coelho

    Aqui do hospital onde fiz a cirurgia de quadril, em São Paulo, me emociono ao reler o texto que vcs publicaram aqui, neste lugar especial sobre viagens de moto! . Que bom que fiz esta viagem! Me sinto animada para me recuperar logo e voltar a pilotar. Como me faz bem esta expectativa! Já estou caminhando com andador e hj terei alta do hospital!!!!! Abraço!!!!

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