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10.500 km pela América do Sul em 25 dias em uma moto com 25 anos

Viagem de moto pela América do Sul

O sonho de rodar pela América do Sul durante o período de férias surgiu de certa forma inesperada, primeiro através de uma viagem de moto pela Argentina que fiz em 2013. Depois apareceu o desejo de conhecer o salar de Uyuni (o deserto de sal a 3600m de altitude na Bolívia), o lago Titicaca e Machu Picchu no Peru. Mas a idéia dessa aventura tomou forma mesmo após a leitura de dois livros:

Diários de Motocicleta, de Ernesto Che Guevara
Resumo: em 1952 Ernesto Guevara e o seu amigo Alberto Granado embarcaram numa viagem pela América do Sul, da Argentina ao Peru. Juntos percorreram aproximadamente 12 000 km em terras sul-americanas, munidos apenas do essencial e da sua motocicleta. Ernesto Guevara - que viria a ficar conhecido como Che Guevara - era então um jovem desejoso de conhecer o mundo. Diários de Motocicleta conta a história dessa viagem, num relato vívido e empolgante, ilustrado com fotografias inéditas tiradas pelo próprio Enesto Guevara. Conta ainda com um terno prefácio de Aleida Guevara, que oferece uma perspectiva diferente do pai, distinta da do ícone em que veio a se tornar.

A caminho do céu, do motociclista e escritor mineiro Rômulo Provetti
Resumo: A caminho do céu, uma viagem de moto pelo Altiplano Andino, conta a aventura de dois motociclistas brasileiros, Rômulo Provetti e Marcelo Penna Guerra, em uma viagem de 11.524 km pelas estradas de seis países sul-americanos: Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai. Nessa viagem, eles passaram por muito calor, frio, fome e contratempos, um acidente, estradas bloqueadas, chuva, neve e gelo, conheceram alguns dos destinos mais fantásticos da Cordilheira dos Andes, como Machu Picchu, o Lago Titicaca, o Salar de Uyuni, o Deserto do Atacama e muitos outros lugares que povoam a imaginação da maioria dos viajantes de todo o mundo, viram paisagens de tirar o fôlego, encantaram-se com as pessoas, encontraram e venceram muitas dificuldades e barreiras no caminho, inclusive neles próprios. (www.acaminhodoceu.com.br)

Baseado na leitura desses livros, escolhi o roteiro da viagem e passei muitas horas nos últimos 6 meses planejando aquela que seria a minha grande aventura.

Para aumentar o grau de dificuldade da viagem, incluí um detalhe de superação ao já grande desafio. A motocicleta a ser pilotada seria uma Honda NX350 Sahara, ano de fabricação 1990 (25 anos de uso), com 66.000 km rodados antes de iniciar a viagem.

A primeira versão/modelo da Sahara que chegou ao mercado era oferecida na cor Branca/vermelho/azul e na época ganhou o apelido de Capitão América devido às cores da bandeira americana. Essa motocicleta foi produzida pela Honda entre os anos 1990 e 1999 em substituição a Honda XLX350R, e Depois foi substituída pela Honda Nx400 Falcon. A Sahara tem 31 CV, 6 marchas, pesa 144 kg, consumo em estrada 20km/l e velocidade de cruzeiro 120 km/h.

A preparação
Para uso dessa moto nessa viagem, haviam limitações a serem superadas, de autonomia de combustível (com o tanque original de 14 litros a autonomia era de 280kms), iluminação (farol) e conforto. E por ser uma motocicleta ainda carburada, sofreria muito na altitude das Cordilheiras dos Andes e do Altiplano Andino. E eu ainda tinha uma dúvida acerca da sua resistência. O excelente estado de conservação era um ponto a favor.

Teve um papel fundamental nesse projeto o meu amigo Marcelo Rocha. Foi ele quem topou o desafio de preparar essa moto para superar a aventura. Na oficina do Marcelo a moto ganhou uma grande revisão e um upgrade tecnológico: faróis de Led, tanque marítimo auxiliar de 11 litros, tomada 12 volts e USB, suportes de GPS, GPS Garmin Zumo e Garmin Nuvi 2560, riser de guidão, bolha mais alta, bauleto Givi 43 litros, suporte para câmera GoPro, ajustes na suspensão traseira, protetor do motor, reforços no bagageiro e chassis para suportar o peso do tanque auxiliar, e pneus Metzeler Tourance... Valeu Marcelão!! Pelo bom estado de conservação motor, carburação e a parte elétrica não necessitaram de nenhum ajuste.

Uma lista de peças sobressalentes (cabos de comando, manicoto e manetes, fusíveis, todas as lâmpadas, CDI, tensor de corrente, relê de partida, bobina, vela de ignição, chicote principal, câmaras de ar, retrovisores) e ferramentas (todas para desmontar qualquer item da moto) foram adicionados a bagagem. De todos esses itens somente uma lâmpada de seta foi necessário rs.

A moto apresentou pequenas falhas durante a viagem, que considerei mínimas, diante da distância percorrida e situações enfrentadas. Foram temperaturas extremas, abaixo de zero grau e acima de 40 graus, muita chuva, estradas de rípio, terra, deserto de sal... Basicamente: 1 lâmpada de seta, descanso empenado, Pedal de Câmbio sem aperto e o fim da relação com 9.000 km rodados. Entre Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) uma cratera na estrada deixou as duas rodas quadradas, mas esse reparo não considero um defeito e sim um acidente de percurso.

Agradeço as muitas pessoas que me apoiaram nessa aventura, meus familiares, minha noiva e muitos amigos, os novos amigos que surgiram durante a aventura, e pessoas que tive contato e sempre desejavam sorte... foram muitas mensagens de apoio e incentivo desde o lançamento da ideia, que foram o apoio necessário na hora certa.

Pequeno Resumo
Distância Percorrida 10.502 km
Quantidade de dias: 25 dias
Melhor média de consumo de gasolina: 23,0 km/l
Pior média de consumo de gasolina: 17,8 km/l
Gastos: US$100 / dia
Paises: Brasil, Peru, Bolivia, Argentina e Paraguai
Estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Acre, Paraná e São Paulo

Quem quiser mais informações sobre as minhas viagens de moto, acesse o meu blog, Eu nasci motociclista

Comentários (8)

  1. Marcelo Dias

Que linda viagem. Em breve saio de Scooter, no próximo mês para fazer a América do Sul. Saindo de Porto Velho Rondônia, via Transamazônica.

  1. Lucas Jardim

Gostei muito do texto, excelente viagem. Um dia me organizo direito, faço um bom planejamento e encaro uma viagem como essa

  1. GLAUCIO

Pbs, a moto o destino se chegou não importa, o leal e ter saído, tá em movimento, valeu cara te invejo.

  1. Edimilson Liberal

Parabéns pela viagem com a Saara.... Já fiz duas viagens pela América do Sul, uma delas foi este mesmo roteiro que você fez, eu fiz com a XT 660.... Se a moto estiver revisada, pneus novos e relação nova, a chance de dar alguma coisa errada é muito pequena... agora moto com mais de 20...

Parabéns pela viagem com a Saara.... Já fiz duas viagens pela América do Sul, uma delas foi este mesmo roteiro que você fez, eu fiz com a XT 660.... Se a moto estiver revisada, pneus novos e relação nova, a chance de dar alguma coisa errada é muito pequena... agora moto com mais de 20 anos e ainda sozinho é muito mais adrenalina.... Grande abraço....

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  1. Jailson Elias da Silva

Bom dia, sobre esses farol de milha qual esse modelo e marca, pois tenho uma lander 250 ano 2006 e quero colocar um que der para iluminar bem à noite.

  1. Wladimir Rocha    Jailson Elias da Silva

Olá Jailson Landeiro,

Cara e realmente vale a pena instalar sim, eu fiz um comentário sobre esses faróis no meu blog, de uma olhada lá por favor, qualquer duvida estou por aqui.

http://eunascimotociclista.blogspot.com.br/2015/05/viajar-de-moto-noite-instalar-farois.html

Abrass Wlad

  1. Antonio

Bom dia... parabéns pela viagem e superação da moto, não que ela seja uma moto ruim, eu tb já tive uma 98 e nunca me deixou na mão. M as o que importa é a aventura o prazer de está junto a natureza ou até mesmo fazer parte dela um cima de uma moto. Este ano /2015 havia planejado dar um pulinho...

Bom dia... parabéns pela viagem e superação da moto, não que ela seja uma moto ruim, eu tb já tive uma 98 e nunca me deixou na mão. M as o que importa é a aventura o prazer de está junto a natureza ou até mesmo fazer parte dela um cima de uma moto. Este ano /2015 havia planejado dar um pulinho ali no Atacama para recordar outras viagens que já fiz algum tempo atrás (2009), mas por foça do destino tive que adiar, e estou pensando agora em ir no mês de fev./16 vamos ver se vai dar tudo certo. Um forte abraço e boas estradas.

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  1. Wladimir Rocha    Antonio

Antônio valeu cara... não pode desanimar, planeje e se programe bem que você consegue fazer sua viagem.

Abrass Wlad

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