Moto Aventura Norte Sul

Viagem de moto de mais de 6.000 km em 17 dias, de Jundiaí, São Paulo, até Marabá no Pará, com passagem pela Rodovia Transamazônica. Leia o detalhado relato da viagem e veja algumas fotos dos lugares, paisagens e pessoas que encontraram.

Moto Aventura Norte Sul - parte I

"As viagens longas, aventuras sempre dramáticas exigem preparação e planejamento pra serem saboreadas na sua plenitude. Temos que deixar a vida a limpo, quase como se fossemos deixá-la pra trás, casa, filhos, bichos, trabalho, tudo tem que estar na melhor condição que nos seja possível. Não é fácil pra nós...

Moto Aventura Norte Sul - parte II

A alta médica no dia 13 de julho como esperado foi na véspera da partida. Tudo já estava pronto e era só questão de montar as bagagens na moto e partir. Isso foi feito durante a noite e pela manhã do dia 14 estávamos livres para a partida.

Zan, Alfredo e DRPJ vieram à nossa casa para acompanhar-nos nos primeiros quilômetros. Saímos pontualmente meia hora atrasados, como de costume. A manhã estava muito fria em Jundiaí, algo ao redor dos 7°C.

Moto Aventura Norte Sul - parte III

Aproveitamos a bela manhã de Araguaína para algumas compras na e também para soldar na oficina do Neto Bala o suporte do alforge que se partiu. Depois fomos retirar alguns bordados para coletes e encontramos o Anjo Negro, sempre simpático e brincalhão que nos presenteou com bandeirinhas do Tocantins para costurar no colete. Alí juntou-se a nós o Pádua, montado em sua bela Virago 535 e partimos na direção de Marabá via Xambioá. Após o almoço na estrada, Padua deixou-nos e seguimos para a travessia da balsa. O Tocantins é um rio muito largo neste local e a travessia de balsa é a solução. Foi uma aventura interessante ver nossas motos junto com carros, caminhões e carretas atravessando o rio sobre a balsa oscilante.

Moto Aventura Norte Sul - Parte IV

Brasília era um destino especial por vários motivos e precisarei voltar no tempo para explicar isso.

O Motocapital é um evento anual que reúne diversas tribos de motociclistas por vários dias, acampando, assistindo shows e interagindo entre si. Na edição do ano passado, Fefe e Maumau, ainda novatos nos Biduzidos encontraram brevemente com o Alfredo que estava então integrando o grupo Pocasombra com o qual viajou. Daí em diante começou a germinar a ideia de fazermos uma confraternização no próximo Motocapital. Seria um ponto médio entre norte e sul, permitindo que os nortistas participassem inclusive do Churrazidos, evento anual dos Biduzidos. Mesmo sem qualquer confirmação de presença, Fefe adiantou-se e alugou um espaço. Uma tenda de 6mX6m e passou a instar todos a comparecerem. A princípio eu e a Marcia tencionavamos apenas ir a Brasília, aproveitando para visitar os amigos Diniz, Wallace e Canellas, porém pensando melhor percebemos que seria melhor aproveitar a chance de viajar e aumentar o trajeto, conhecendo lugares novos. Coincidentemente fomos convidados pelo Felisberto para conhecer o nortão e adoramos a ideia, ainda mais porque ele se propunha a ser nosso guia na empreitada turística. No final de vários projetos analisados, tudo culminaria em Brasilia.

Moto Aventura Norte Sul - Parte V

Descemos cedo para o café da manhã, pois seria a despedida de nossa esquadra, que começaria então a dividir-se. Nós indo para Minas, Pâmilla com Otávio para Goiânia e os demais seguindo rumo norte. Como nossos amigos ainda não tivessem aparecido, fomos ao refeitório tomar café. Mal entramos no recinto, a Marcia parou petrificada diante de uma mesa encarando uma senhora que também estava atônita. Era Sonia Madrid, amiga de muitos anos que mora em Campinas, 50 quilômetros de Jundiaí e que não víamos havia uns dez anos. Ela estava hospedada no mesmo hotel, em função de uma exposição de cães pastores alemães, raça que ela cria e que também criamos por anos a fio. Foi um encontro emocionante, com muitos abraços e risadas, breve atualização dos fatos da vida, promessas de contatos, enfim, muito legal mesmo essa feliz coincidência. Rodar milhares de quilômetros para encontrar alguém que mora tão perto...

Moto Aventura Norte Sul - Parte VI

Logo as motos estavam prontas e fiquei contente de ver que eram pontuais, ou quase, pois eram 10h30 e já estávamos rodando.

Dentro do Distrito Federal o ritmo era lento, graças às dezenas de câmeras de radar espalhadas, mas logo pegamos a autoestrada e a coisa começou a mudar. Na primeira parada informei aos novos amigos que não esperava que eles me aguardassem e que estava disposto a acompanhar sua velocidade de cruzeiro sem problemas. Eles, parecendo entender a mensagem, começaram a aumentar a velocidade e em pouco tempo rodávamos tranquilamente dentro dos 120 a 130 km/h. As ultrapassagens eram firmes e seguras e eu ia me sentindo cada vez melhor em pilotar com eles.

Moto Aventura Norte Sul - Parte VII

Na avenida principal logo localizamos nosso conhecido hotel e dirigimo-nos para a recepção. Logo estávamos dentro do quarto e informamos a Luciana de nossa chegada surpresa. Também avisamos que, dado o avanço das horas deixaríamos para encontrá-los na manhã seguinte. Afinal já eram 21 horas. Alguns minutos depois, já despidos de nossa pesada vestimenta de viagem descemos para tomar um cafezinho na recepção e ali estávamos quando a Marcia olhando pela porta de vidro viu a Luciana com o Wlad e seu inseparável colete chamando-nos. O casal de doidos atravessou a cidade e veio buscar-nos de carro para irmos à sua casa.

Moto Aventura Norte Sul - Parte VIII

Seis mil e tantos quilômetros e dezessete dias depois, nada mais seria como antes. Como toda viagem, quanto mais tempo se passa nos lugares exóticos, mais bagagem adquire-se, contribuindo para a escultura da nossa história de vida. Também depois que voltamos, a experiência tem que ser confrontada com a nossa rotina para ganhar dimensões diferentes. Por isso uma viagem continua mudando mesmo depois que acaba, pois enquanto alguns fatos vão se dissolvendo e perdendo importância, outros vão ganhando brilho e tornando-se legendários.

É claro que cada um daqueles que protagonizaram a história tem ponto de vista exclusivo, fixando detalhes diferentes, filtrando as cores de acordo com sua paleta pessoal. Essa viagem porém, pode ser exposta ao tempo e às opiniões daqueles que como eu tiveram o orgulho de vivê-la e ainda assim, continuará especial dada sua riqueza.

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