A caminho do Nordeste

10º dia - Jericoacoara/CE - Parnaíba/PI

DSC06869Choveu bastante durante a madrugada, o que me fez ficar maturando se iria facilitar ou dificultar o retorno para Jijoca pilotando a moto. De manhã, depois que tomei o café e acertei a conta da pousada, fui para a praça da vila, para saber como estava a estrada. Ao percorrer as ruas, notei que a areia estava mais compactada, mais fácil de passar do que quando cheguei, dois dias antes.

Na praça, conversei com alguns bugueiros e motoristas de 4 X 4 e me falaram que estava mais fácil em alguns trechos por causa da chuva, mas outros trechos a areia estava muito fofa e a chuva não foi suficiente para compactar. Perguntei para um motorista de uma pickup se ele aceitaria levar a moto na caçamba até a parte onde acabava a estrada de areia e ele topou.

11º dia - Delta do Parnaíba

DSC06896Por sugestão do amigo Sendon, cheguei ontem na cidade de Paranaíba para conhecer o Delta do Parnaíba, o único delta em mar aberto das Américas e um dos três maiores do mundo em extensão. Ele está situado entre os estados do Maranhão e do Piauí e abre-se em cinco braços, envolvendo 73 ilhas fluviais, sendo que 65% se encontra em território maranhense e 35% em território Piauíense.

A pousada que estou hospedado não tinha o passeio para vender. Assim que terminei o café da manhã, arrumei a bagagem, peguei a moto e fui procurar uma agência que tivessse o bilhete para vender. A primeira que encontrei vendia, mas a mulher que me atendeu disse que o transfer até o porto já havia saído e o barco estava programado para sair às 9 horas. Eram 8h45 e o porto ficava a 15 km de distância. Ela disse que ligava para o porto informando que iria mais um passageiro. Paguei R$50 pelo bilhete, pedi para ela me orientar como chegar e fui para lá, chegando ainda com folga de 5 minutos.

12º dia - Parnaiba/PI - Sete Cidades - Teresina/PI

DSC07010Ontem eu havia pensado em seguir para Piripiri e dormir lá assim que terminasse o passeio pela Foz do Parnaíba, mas acabei ficando em Parnaíba para lavar a moto. Então, resolvi seguir hoje direto para o Parque Nacional das Sete Cidades, outra sugestão de visita do Cendon. Encerrei a conta no hotel e saí da cidade por volta de 8h20 em direção a Piracuruca, uma das duas cidades onde fica o Parque. A outra é Piripiri. A BR-343 está ótima, o que fez a viagem render e me permitiu chegar em Piracuruca, 128 km depois, em apenas 70 minutos.

Para chegar à entrada norte do parque é necessário passar por Piracuruca e pegar uma estradinha asfaltada, mas mal conservada., mas que passa por uma região bonita, com muitas chácaras, sem movimento. O Parque Nacional das Sete Cidades fica no norte do estado do Piauí, e nele existem várias formações rochosas para as quais foram dados nomes, com tamanhos e formas que lembram castelos, edifícios, muralhas, pessoas, animais, mapas e objetos. No parque existe também uma grande variedade de inscrições rupestres de origem desconhecida.

13º dia - Teresina/PI - São Luis/MA

DSC07171Depois de fechar a conta do hotel, fui para a estrada. Antes, passei num ponto onde tirei uma foto com o principal cartão postal da cidade, a Ponte Estaiada.

Assim que fui para a estrada, fiquei de olho para ver a placa que marca a divisa entre o Piauí e o Maranhão para tirar a tradicional foto, mas quando percebi já estava há muitos quilômetros dentro do Maranhão.

A estrada estava muito boa, até chegar cerca de 150 km de São Luis, quando ficou muito ruim, cheia de buracos e com um movimento insuportável de caminhões. Para piorar, estão duplicando uma parte, fazendo com que os caminhões da obra se misturassem com os da estrada, levantando poeira. Um horror.

14º dia - São Luis/MA

Viagem de Moto pelo NordesteMinha intenção era seguir com a moto até Barreirinhas, para conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, mas fui informado que as principais atrações do parque, as lagoas, estão secas. Há alguns anos o "inverno" na região, que é como o povo nordestino chama o período de chuvas, tem sido de pouca chuva, transformando os Lençóis em um deserto de dunas de areia, um ambiente desolador, quente ao extremo e difícil de andar. Então, resolvi ficar mais um dia em São Luis, para conhecer melhor a cidade.

Como comentei ontem, os prédios da cidade histórica de São Luis estão muito degradados e não estão recebendo os cuidados necessários para mostrar aos visitantes a real beleza que a cidade tem. Muitos camelôs, bancas de jornais, outdoors, carros estacionados em todo lugar, sujeira... Tinha um outdoor com propaganda de uma clínica na fachada de uma igreja...

15º dia - São Luis/MA - Tinguá/CE

DSC07207Hoje de manhã, ao girar a ignição da moto, tomei um susto. Ela deu uma engasgada, depois um pipoco e não ligou. Tentei uma segunda e terceira vez e nada. Esperei um tempo, tentei de novo e ligou, como se nada tivesse acontecido. Fiquei pensando no tipo de gasolina que tenho colocado nela nos últimos dias.

Saí por volta de 8 horas, como de costume. Os primeiros 150 km foram complicados, gastei quase três horas para percorrê-los. Muitos caminhões, carros, motos, buracos e poeira. Estão duplicando um trecho.

16º dia - Tinguá/CE - Aracati/CE

Viagem de Moto pelo NordesteA temperatura estava agradável quando amanheceu. Fui para a estrada e, poucos quilômetros depois de Tinguá/CE, onde pernoitei, ela começou a descer a serra, com curvas sucessivas muito bem desenhadas no meio da mata, um lugar muito bonito. Em alguns pontos do acostamento eu podia ver a planície coberta pela caatinga lá embaixo e a estrada por onde passaria dali a pouco.

Segui pela BR-222, que alternava trechos muito bons com outros nem tanto. Sabendo que na região de Sobral, a estrada estava em péssimas condições, resolvi desviar para o litoral, percorrendo estradas estaduais que, apesar de representarem um percurso maior e serem muito travadas por limitadores de velocidade, não teria os buracos que a 222 tem.

17º dia – Aracati/CE – Natal/RN

Viagem de Moto pelo NordesteEu havia planejado pernoitar em Mossoró ontem, para ver uma moto que o meu amigo Toninho está interessado comprar, mas acabei parando antes, em Aracati.

Passei por Mossoró, mas achei melhor não entrar na cidade. Fui para a estrada muito cansado hoje. Acho que o calor e o cansaço de ontem acabaram afetando meu sono e eu não dormi bem a noite.

18º dia - Natal/RN - João Pessoa/PB - Recife/PE - Porto de Galinhas/PE

Viagem de Moto pelo NordesteFui para a estrada por volta das sete horas. Ontem, quando cheguei em Natal, eu passei em frente a um monumento com os três Reis Magos, não parei para tirar uma foto e depois fiquei pensando comigo que ficaria uma foto muito legal para representar a cidade. Ao seguir em direção à estrada para sair da cidade, passei pela mesma avenida, mas o monumento estava na outra pista, que estava com um grande engarrafamento. Mesmo assim, resolvi pegar o mesmo retorno e registrar a foto. E foi o que fiz, mas perdi quase uma hora neste processo.

Segui para João Pessoa pela BR-101. O céu estava bastante carregado quando amanheceu. Alguns quilômetros depois, começou uma chuvinha fraca, que só molhou a ponta da minha calça. A estrada está ótima até João Pessoa, bem sinalizada, parte de asfalto, parte de concreto, tudo muito novo.

19º dia - Porto de Galinhas/PE - Maceió/AL

DSC07227Acordei com o barulho da chuva que caía sobre Porto de Galinhas. Arrumei a bagagem e me preparei para viajar na chuva, mas quando acabei de tomar o café, ela havia parado.

Segui para a estrada para continuar minha viagem de moto. A estrada ainda estava molhada e já tinha muito movimento de carros e caminhões, que não eram tantos, mas como a estrada era simples e cheia de curvas, atrapalhavam bastante o rendimento da viagem.

Procurei seguir pela estrada secundária que leva pelo litoral de Pernambuco e Alagoas. Em Pernambuco segue a poucos quilômetros da costa, mas em nenhum momento se vê o mar, existem estradas que levam para as praias. Em Alagoas é conhecida como Rota Ecológica, e parte da viagem você faz com o mar à sua esquerda, (no meu caso, que estou indo para o sul), o que é bem legal. Você vê o mar de um azul absurdo de bonito entre coqueiros. Tem trecho de asfalto, uma balsa (para atravessar o rio Manguaba entre Porto de Pedras e Japaratinga) e trecho com paralelepípedos. Passei também por um trecho de cerca de 500 metros de estrada de chão, mas muito tranquilo para passar.

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