De Fazer 150 até Terezina (PI)

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Sabe quando você cai de pára-quedas em um projeto que não é seu e você acha que não valerá a pena ir? Mas quando você começa a pensar melhor na aventura e nas novas paisagens que estão por vir, percebe que irá valer cada centavo gasto. Um irmão do mesmo moto clube que participo me contou sobre a viagem que ele estava planejando, me mostrou o roteiro e eu achei incrível rodar 2.000 km de Natal (RN) até Teresina (PI).

Mas não poderia ir, pois seria no final das minhas férias. Eu voltaria ao trabalho na sexta-feira, o ultimo dia da semana. Mas um fato me surpreendeu: a empresa onde trabalhava ligou na segunda-feira avisando que precisariam de mim durante minhas férias. Na terça-feira teria duas entregas para fazer, uma em João Pessoa e outra em Campina Grande, ambas no estado da Paraíba. Fui fazer meu trabalho e na quinta já estava voltando para Natal (RN), onde moro.

No meio do caminho, esse irmão de moto clube entrou em contato. Eu achava que ele já estava fazendo a viagem, mas o pessoal que iria com ele teve alguns imprevistos. - Serjão posso ir com você? perguntei na hora. Ele prontamente respondeu que sim. Achou que eu não estava interessado, mas ele não sabia que eu estava estudando o mapa com o roteiro desde que me contou seus planos. Disse a ele que só precisava conversar na empresa para saber como ficariam os dias que trabalhei durante as férias, se iria tirar agora ou depois. Graças a Deus consegui ser liberado e iniciarmos a odisséia rumo a Teresina no Piauí, eu com minha Yamaha Fazer 150 e ele na Yamaha Virago 535. A viagem mais louca que fiz até hoje.

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Saímos de Natal às 1h30 da manhã de sexta-feira. Conheço o trecho até Fortaleza como a palma da mão. Os poucos buracos que tem na estrada eu chamo pelo nome. E foi bom sair cedo para a viagem render, pois quando o sol deu as caras já tínhamos rodado cerca de 400 km. Já estávamos no estado do Ceará tomando café da manhã.

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Após o café, motos abastecidas, viseiras lavadas e óleo na corrente, hora de voltar para a estrada. A próxima cidade foi Chorozinho (CE) onde começam serras e montanhas. Então veio uma sequência de cidades: Barreira, Redençao, Araçoiaba e Baturite.

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Com a Moto de menor cilindrada ditando o ritmo da viagem, fomos na media de 90 a 110 km/h, mas nas curvas das serras não passávamos de 50 km/h, porque não conhecíamos a estrada. Mas mesmo se já conhecêssemos, não queríamos abusar da velocidade, pois como as curvas são muito fechadas, se estiver 1 km acima da permitida você irá invadir a outra faixa e é certeza que terá problemas.

Continuamos subindo e descendo serras até que eu ví uma placa indicando o Parque das Cachoeiras. Somos doidos, porque pessoas em sã conciencia não teriam descido aquela estrada de pedras, mas quando comprei a minha primeira moto, em 2006, deixei de ser normal. Convenci meu irmão de estrada a me seguir e foi muito louca a descida. Mas fomos recompensados pelo visual. Algumas pessoas poderão achar perda de tempo essas paradas ao longo das estradas, mas eu digo que se você subir na moto e só parar quando chegar ao destino, posso lhe aconselhar com toda a certeza a vender a moto e comprar um carro, pois você será mais feliz com ele.

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Baterias recarregas, lavagem da mão efetuada com sucesso, seguimos viagem com um clima muito agradável.

Uma coisa que esses municípios das serras do estado do Ceará deveriam fazer é construir mirantes para os viajantes apreciarem as belezas da natureza. Seria certo que o turismo naquelas cidades teria um crescimento. Não tivemos muitas oportunidades de parar ao longo das serras porque a pista é muito estreita e com um certo fluxo de carros e caminhões, mas as imagens estão registradas em minha memória, que podem ter certeza que vou levar pela eternidade,

De Fazer 150 até Terezina (PI)

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Seguindo viagem, saímos do clima “frio” e entramos no deserto do Saara quando passamos por Canindé e Santa Quitéria. Posso garantir a vocês que cada subida e cada descida era um tapa na cara, o calor e o clima extremamente seco nos recebia. Mas mesmo assim a viagem transcorreu tranqüila, a uma velocidade media de 100 a 110 km/h. Encontramos pouco movimento de carros ou caminhões na estrada. Apenas alguns pássaros que faziam alguns rasantes na minha cabeça.

Quando paramos, o Serjão perguntou se eu estava com alpiste no capacete, pois ele viu os pássaros tirarem cada fino. Teve um que quase bateu no capacete, mas consegui abaixar muito rápido. Se não tivesse feito isso ele teria acertado a minha viseira e seria uma queda muito provável.

Passamos por mais algumas serras e também pelas cidades de São Benedito, Ibiapina, Ubajara e onde seria nossa pernoite, Tianguá-CE. Nesse primeiro dia rodamos quase 900 km. Paramos por volta das 17h30.

Garanto a vocês que quando chegamos a Tianguá a viagem já estava paga. Cada centavo gasto, cada tapa na cara que recebemos do calor, cada pássaro tirador de fino, valeu a pena, pois o clima muito agradável, a recepção no Sitio do Bosco, onde encontramos várias opções de passeio, como tirolesa, rapel e trilhas. Para os mais corajosos, tem também vôo de parapente. Como não sou muito chegado à altura, fiquei só olhando a galera que estava lá fazer esse vôo.

Optamos por ficar acampados com a barraca deles. Cada barraca por R$ 30,00 reais, cada uma com dois colchonetes. Barraca muito limpa, com direito a café da manhã livre e rede wifi, pois lá não funciona Tim, nem Oi. Normalmente não funcionam em lugar algum essas duas operadoras, mas lá não pega mesmo. Em todo lugar tem ponto de tomada. Tudo muito organizado. Fiquei pensando que, quando tiver novas férias, um local que irei com muita certeza será a Serra de Tianguá.

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No segundo dia foi muito difícil despedir desse paraíso. O lugar é muito bom. Até fiz algumas trilhas para recarregar as energias e enfrentar o calor do Piauí, mas nossa viagem não tinha chegado ao destino, que era Teresina (PI).

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Saímos do Ceará por volta das 11 horas da manhã. Nossa próxima parada foi Piripiri, já no estado do Piauí. Muito calor e alguns animais na pista fazendo travessias kamikaze. Nós Motociclistas devemos ter muito cuidado nessa região. Muita água para não desidratar, combustível para não ficar na estrada e nossa viagem seguiu com sustos causados por motoristas que não respeitam veículos menores. Mas graças a Deus apenas sustos.

Seguindo viagem, um alerta para quem vai a Teresina: cuidado com os cruzamentos de linha férrea, pois eles têm um degrau muito alto em relação ao asfalto e se transformam em armadilhas com uma provável queda. Fora isso foi tranquila a viagem.

Chagamos a Teresina por volta das 15 horas e fomos para o encontro de motociclistas que estava ocorrendo na cidade. Fomos muito bem recebidos pelos irmãos estradeiros. Curtimos o evento e fomos dormir, pois no domingo o retorno seria longo.

De Fazer 150 até Terezina (PI)

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Saímos às 4h30 da manhã. Quando o dia amanheceu já estávamos em Piripiri novamente. Tomamos um café e encontramos essa figura que está andando o Brasil de bicicleta. Carregando "apenas" 180 quilos em sua bicicleta, é um peruano chamado Marcos que, aos 70 anos, já está fora de casa há mais de dois. Ele nos contou que estava com a bike quebrada devido ao excesso de peso. Os cubos não agüentaram e trincaram. Se você acha uma loucura sair de moto para uma viagem, eu acho que você não sabe mesmo o que pensa, pois o cara sair do pais dele de bike, viajando pelo Brasil, dependendo de estranhos para fazer um lanche, almoçar ou tomar um banho... Dou meus parabéns a esse senhor fazendo essa aventura. Fizemos o que cada um pode para ajudar esse aventureiro e seguimos viagem.

De Fazer 150 até Terezina (PI)

De Fazer 150 até Terezina (PI)

Após rodar alguns quilômetros, vimos o céu perder seu azul e ficar cinza e pegamos um trecho de quase 200 km de chuva, mas foi tranqüilo. Com atenção redobrada, passamos com êxito pela chuva.

Nosso retorno foi sem tantas paradas para fotos, apesar de ainda ter a segunda-feira de folga. Nossa decisão se continuaríamos a viagem no dia dependeria do horário que passaríamos por Mossoró (RN).

Passamos por sobral (CE) e nosso destino seguinte seria Caucaia, também no Ceará, onde almoçamos e seguimos viagem pela BR 222, para pegar a CE-040, que é litorânea e nos deixa em Aracati. Estrada muito boa, mas com muitos radares com limite de 80 km/h. Fora isso, tudo tranqüilo, pois o mais importante é a viagem. Não precisa correr e sim apreciar a viagem. Esse trecho não teve fotos, pois ambos já conhecíamos.

Nossa parada em Aracati foi às 16 horas. Passamos por Mossoró mais ou menos uma hora depois. Nossa parada seguinte para abastecer foi em Assu, no posto Florestal, onde os clientes que abastecem ganham uma ficha para tomar banho e foi o que fizemos.

Seguimos em direção a Natal (RN), onde chegamos às 23 horas, após rodar 2.355 km com muitas curvas, paisagens impares, calor, muito aprendizado e com a certeza que viajar de moto não tem explicação. Eu não consigo lhe explicar, mas convido a fazer o mesmo. Pegue sua moto e faça uma viagem. Não precisa ser para tão longe. Primeiro conheça sua motocicleta, faça uma revisão preventiva, estude os mapas e as rotas, sempre tenha um plano B e lhe digo que nunca irá se arrepender de ter saido de casa para curtir sua Moto. Não importa a cilindrada e sim o espírito motociclista que corre em suas veias...

Nosso roteiro:

Primeiro dia: saída de Natal (RN), passando por Assu e Mossoró. Entramos no Ceará e passamos por Aracati, Chorozinho, Barreira, Redenção, Araçoiaba, Baturité, Guaramiranga, Mulungu, Aratuba, Canindé, Santa Quitéria, Varjota, Reriutaba, Guaraciaba do Norte, Inhuçu, São Benedito, Ibiapina, Ubajara e o Pernoite foi em Tianguá.
Segundo dia: saída de Tianguá (CE). No Piauí foram as cidades de São João das Fronteiras, Piripiri e Campo Maior, com a chegada a Teresina.
Volta: saida de Teresina, passando por Piripiri. Em solo cearense foram Tianguá, Sobral, Forquilha, Irauçuba, Itapajé, Curú, Croatá, Caucaia e Aracati. Em solo Potiguar foram Mossoró, Assu e Natal.

Sobre a Yamaha Fazer 150, ela se comportou muito bem, só senti falta de motor em algumas ultrapassagens, mas o resto foi tudo tranqüilo. Tive um gasto total de R$ 400,00 com combustível, comida, bagana e camping...

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