Roteiro: Viagem de moto pelo Nordeste do Brasil

O brasileiro de um modo geral conhece muito pouco o próprio país e às vezes, por desconhecimento ou preconceito, não dá valor ao que tem. A Região Nordeste do Brasil é um exemplo. É mais conhecida pela maioria das pessoas por causa do sertão seco com períodos de longa estiagem e, principalmente, pelas praias da faixa litorânea.

Principal destino dos turistas brasileiros e estrangeiros que vão para o Nordeste, o litoral e as praias da região são um belo atrativo, sem dúvida. Ensolaradas quase todo o ano, recebem uma brisa constante e fresca e são banhadas por um mar de águas quentes e de cores deslumbrantes. Mas o Nordeste é muito mais que isso. É a região que mais se desenvolveu economicamente no Brasil nos últimos anos, possui algumas das mais bonitas e ricas formações geológicas do nosso país, abriga quase metade dos polos turísticos mapeados pela Embratur e é onde ficam 23 dos 90 parques nacionais, todos de paisagem variada em função da localização e do clima.

Diante de tal diversidade, a Expedia Brasil nos desafiou a elaborar um roteiro para uma viagem de moto durante as férias, para conhecer algumas das atrações da região. Aceitamos o desafio da nossa parceira e traçamos esse roteiro, que esperamos ajudar quem pretende se aventurar pela região, sem esgotar, claro, todas as atrações que são possíveis de conhecer durante uma viagem de moto pelo Nordeste do Brasil.

Para sair do roteiro tradicional, tentamos privilegiar visitas a alguns dos 23 parques nacionais da Região, para conhecer algumas das suas atrações, como a beleza deslumbrante dos parques do litoral ou os sítios arqueológicos de grande importância antropológica dos parques do interior, além de algumas das mais belas paisagens do mundo.

Definimos um roteiro com percursos diários médios próximos a 500 km, distância que permite ser percorrida com tranquilidade, sem necessitar de deslocamentos noturnos, intercaladas com um ou dois dias em algumas cidades para conhecer um parque nacional ou alguma outra atração da região e também visitaremos as nove capitais da Região Nordeste do Brasil. A saída é da cidade de São Paulo. Prefira fazer a viagem durante o inverno, entre maio e agosto, quando as temperaturas são mais amenas na região. E não se esqueça de levar protetor solar e beber bastante água durante a viagem.

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1º dia – 591 km

Começamos nossa viagem percorrendo a BR-381, a Rodovia Fernão Dias, que nos levará até Belo Horizonte, a Capital Mineira. Como é cobrado pedágio em toda a sua extensão, recomendo deixar o dinheiro para o pedágio separado em uma pequena sacola, que será entregue ao funcionário quando chegar à cabine e tornar mais rápida a passagem pelas cancelas.

Em minhas viagens eu não costumo almoçar, preferindo lanches rápidos intercalados com barras de cereais e muita água. Mas se você sente falta de um almoço, quando tiver percorrido metade do trecho do dia terá passado pela cidade de Três Corações. Depois dessa cidade existem alguns restaurantes que servem uma deliciosa traíra sem espinhas. Não será difícil identifica-los ao longo da estrada por causa das inúmeras placas.

Em Belo Horizonte, procure um hotel na região da Savassi, para que possa caminhar até um dos bons restaurantes da região e, dependendo da disposição, aproveitar um pouco da vida noturna da capital mineira. Mas não exagere que amanhã você terá estrada para percorrer.

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2º dia – 425 km

Nesse dia você poderá pernoitar em Montes Claros, a maior cidade da região norte de Minas Gerais. Com boa estrutura de hospedagem, têm como principais atrações o Parque Estadual da Serra Nova, o Museu Regional do Norte de Minas e o Mercado Municipal, onde são vendidas especiarias e a famosa cachaça da região. Mas se quiser seguir em frente e aliviar em 130 km o percurso do dia seguinte, na cidade de Janaúba encontrará hotéis simples, mas confortáveis e com bom preço.

3º dia – 756 km

Se você dormiu em Montes claros, terá um longo trecho a percorrer nesse dia, então saia cedo. O destino será Lençóis na Bahia, onde fica o primeiro dos parques nacionais que vamos visitar, e para mim um dos mais bonitos e surpreendentes, o Parque Nacional da Chapada Diamantina. Dependendo da época do ano, recomendo acessar o site da Expedia Brasil e reservar com antecedência um hotel na cidade. Em alguns períodos os hotéis costumam ficar lotados e você pode ter problema se chegar à cidade sem uma reserva antecipada.

Nesse dia chegaremos ao primeiro estado da Região Nordeste, a Bahia. Quando fiz essa viagem, as BRs 122 e 242 estavam em bom estado, essa última com grande movimento de carros e caminhões que vêm do Centro Oeste do Brasil para o litoral da Bahia. Mas a BA-152 exigia muita atenção. Pista simples e alguns trechos precisavam de manutenção.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado para proteger os ecossistemas da Serra do Sincorá, tem área de 152 mil hectares, perímetro de 110 km e abrange 24 municípios baianos. Seu relevo é montanhoso, tem uma fauna e flora muito ricas e as principais atrações são as trilhas, que levam a cachoeiras, grutas, rios e lagoas. Se você é adepto das caminhadas e está bem preparado fisicamente, existem trilhas para serem percorridas por vários dias e com vários graus de dificuldade. Para os menos preparados, existem trilhas curtas e ótimos passeios que podem ser feitos com a moto ou contratando um carro com guia. A Cachoeira da Fumaça, com 380 metros de queda livre, o deslumbrante Poço Encantado e a vista do parque a partir do Morro do Pai Inácio não podem faltar na sua programação. Recomendo tirar pelo menos dois dias para conhecer algumas das muitas atrações que o parque oferece. Se tiver mais tempo disponível, não economize, aproveite o que puder da Chapada.

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6º dia – 490 km

Nosso destino agora será o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, onde se encontram os maiores tesouros da pré-história brasileira. Nossa viagem de Lençóis até o parque durará dois dias e será feito pela caatinga. Vamos pegar a BR-242 e depois a BR-407 até a cidade de Petrolina em Pernambuco, onde vamos pernoitar. As estradas são de pista simples, a maioria em boas condições, mas a viagem tende a não render nas travessias das cidades.

Antes de chegar a Petrolina você passará por Juazeiro e atravessará o Rio São Francisco. É na região que fica o Lago de Sobradinho, com uma área de 4.214 km2, o terceiro maior lago artificial do mundo em espelho d’água. Em Petrolina, não deixe de conhecer a Catedral, construída em estilo neogótico, com belos vitrais franceses e valiosas imagens sacras.

7º dia – 304 km

Seguindo pela BR-235, vamos chegar a São Raimundo Nonato no Piauí, a cidade próxima ao Parque Nacional da Serra da Capivara, que tem a melhor infraestrutura para receber visitantes. A cidade conta com algumas pousadas e hotéis simples que se encarregam de contatar os guias para que você possa conhecer o parque.

São milhares de achados arqueológicos, que incluem fragmentos de cerâmica, ossadas de mamíferos pré-históricos e uma infinidade de pinturas rupestres cujos registros mais antigos datam de 12 mil atrás. Tudo isso inserido numa paisagem de rara beleza, que serve de refúgio a uma das faunas mais diversas da Caatinga. Tire um dia para visitar o parque, relaxar e descansar o restante do tempo.

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9º dia – 681 km

O dia será longo. A viagem será feita por estradas simples e com alguns trecos de asfalto precisando de reparos, o que exigirá muita atenção na condução da sua moto. Portanto, saia cedo. Passaremos pela capital do Piauí, Teresina, mas não vamos parar na cidade. Se a viagem estiver rendendo, você pode registrar uma foto com a sua moto em algum ponto turístico da cidade, como a Igreja de São Benedito ou a Ponte Estaiada. Seguiremos viagem para pernoitarmos na cidade de Piripiri, distante 160 km de Teresina. O município conta com poucos hotéis para receber turistas, mas há um hotel-fazenda com área para camping situado nas proximidades da entrada do Parque nacional de Sete Cidades.

10º dia – 472 km

Saia cedo do hotel, leve sua bagagem e vá para o Parque nacional de Sete Cidades. São mais de cem esculturas naturais em rochas de arenito, agrupadas em sete conjuntos que os antigos moradores chamavam de "cidades". Cada pedra lembra alguma pessoa, bicho ou objeto, o que permitiu aos moradores da região atribuir nomes como Dom Pedro I, Arco do Triunfo, Biblioteca, Camelo, Tartaruga e Mapa do Brasil.
As atrações ficam ao longo de uma estrada de terra de 12 quilômetros de extensão, que liga as duas portarias do parque e que você poderá percorrer com sua moto, mas terá que contratar um guia que te acompanhará também com uma moto.

A visita ao parque será breve e dará tempo de seguir viagem em direção a São Luis do Maranhão, onde irá pernoitar.

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11º dia – 272 km

Se o período que você estiver fazendo essa viagem de moto for entre maio e setembro, vale a pena deslocar até Barreirinhas para conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. É nesse período que as lagoas normalmente estão cheias de água, permitindo deliciosos banhos e um visual de paraíso para as dunas móveis de até 40 metros de altura. Verifique antes de ir se as lagoas estão cheias, pois faz muita diferença. Tire pelo menos um dia para conhecer o parque.

13º dia – 272 km

Retorne para São Luis com calma. Como chegará cedo à cidade, aproveite para conhecer a parte histórica que é muito bonita, apesar de muitas das construções não estarem bem conservadas. Evite sair a pé à noite, pois achei a região insegura.

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14º dia – 490 km

Vamos retornar uma parte da BR-135 até a localidade de Entroncamento, onde pegaremos a BR-222 em direção à cidade de Paranaíba no Piauí. Quando passei pela região, alguns trechos da MA-034 estavam em condições precárias. Procure no hotel que estiver hospedado em São Luis se eles têm informações sobre as condições das rodovias estaduais. Se não estiverem boas, a opção é retornar para Teresina, o que aumenta o percurso em mais de 280 km. Se estiverem boas, não terá problema para chegar a Parnaíba.

Procure informações no hotel sobre como contratar o passeio pelo Delta do Rio Parnaíba. No dia seguinte, vá com sua moto até o Porto dos Tatus e pegue o barco que fará o passeio pelo arquipélago com 2.700 quilômetros quadrados, formado por mais de 70 ilhas, para se surpreender com uma das paisagens mais bonitas do Brasil, com espelhos d´água, mangues, dunas, lagoas, animais silvestres, rios e praias com paisagens paradisíacas. Não deixe de aproveitar o caranguejo servido na praia.

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16º dia – 220 km

Agora vamos para outro dos meus parques preferidos, o Parque Nacional de Jericoacoara. Não caia na tentação de percorrer o parque com sua moto. Deixe-a em um estacionamento na cidade de Jijoca de Jericoacoara e pegue um bugue ou uma pickup que te levará à vila, para se hospedar em um dos muitos hotéis, pousadas ou albergues.

Jericoacoara era apenas uma aldeia de pescadores quando foi descoberta pelos turistas, mas por ter sido transformada em Parque Nacional, ainda preserva muitas das suas belezas naturais, o aspecto selvagem e pitoresco de um lugar pouco tocado pela mão do homem. São muitas as formas de apreciar a natureza dentro do parque, seja a pé, de bugue, a cavalo ou em uma canoa. Não deixe de apreciar o pôr do sol na Duna, tirar uma foto em frente à pedra furada e tomar banho nas Lagoas do Paraíso, Azul e Tatajuba, de águas transparentes e mornas.

Fique pelo menos dois dias na vila e retorne para pegar sua moto no 19º dia de viagem.

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19º dia – 294 km

Seguiremos pela CE-085 em direção a Fortaleza. Quando percorri essa estrada ela estava em boas condições, tinha pouco movimento e lindas paisagens de transição da caatinga e litoral.

Vamos pernoitar em Fortaleza, onde as praias são a principal atração da cidade: Iracema, Meireles, Mucuripe e a Praia do Futuro. Veja o artesanato de cerâmica a artigos em crochê e couro nas barracas no Mercado Central ou na Feirinha Beira Mar. A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, construída pelos holandeses em 1649, marca o ponto de origem da cidade.

Confira também as dicas do Expedia Brasil sobre Fortaleza

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20º dia – 524 km

O ritmo agora é de volta para casa, mas não deixaremos de conhecer mais algumas atrações do litoral e interior do Nordeste brasileiro.

Seguiremos pela CE-040 e CE-123 até a BR-304. Nessa região passaremos por praias lindíssimas, como Pontal do Maceió, Canoa Quebrada, Redonda, Tibau e muitas outras. Se tiver tempo, separe um dia para conhecer a região, pois vale a pena. Se não tiver, vamos seguir nossa viagem e pernoitar em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte.

Em Natal você encontra praias tranquilas, como Pipa e Pirangi ou agitadas como Genipabu e Tibau do Sul. A cidade é cercada pelo Parque Estadual das Dunas, que permite a prática de esportes, rodar com um bugue por dunas de areia de mais de 10 metros ou passear de dromedário. A cidade tem o ar mais puro do continente, e abriga ainda o maior cajueiro do mundo.

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21º dia – 572 km

Sairemos de Natal e percorreremos a boa BR-101 até João Pessoa, uma das capitais mais agradáveis do Nordeste: tranquila, limpa, população educada e muita história. Mas dessa vez continuaremos nossa viagem e não vamos pernoitar na cidade. Ainda na BR-101, chegaremos a Recife, torcendo para que o trânsito esteja bom. Também não vamos pernoitar na cidade. Seguiremos pela BR-232 até Caruaru e depois pela PE-180 passando por Arcoverde, até chegar à Vila do Catimbau. No dia seguinte, vamos fazer uma caminhada pelo Parque Nacional do Catimbau. Pouco conhecido e ainda carente de estrutura para os visitantes, esse lindo parque é marcado por inscrições rupestres e uma grande beleza cênica dos paredões de arenito e formações rochosas esculpidas pela ação erosiva do vento, várias espécies de plantas, árvores e flores espetaculares compondo um visual único. Vamos contratar na praça um guia da Associação dos Guias do Parque e escolher uma das três trilhas para percorrer (ou mais de uma, dependendo da disposição).

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23º dia – 529 km

Voltaremos para o litoral para percorre a AL-101 em Alagoas, uma das estradas litorâneas mais bonitas do Brasil. Passaremos por Maragogí e Porto de Pedras. Use a balsa para atravessar o Rio Manguaba. Se a viagem permitir, pare na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, que abriga a segunda maior barreira de corais do Brasil e conheça o projeto de conservação do peixe-boi marinho e dos mangues.

Iremos pernoiar em Maceió, onde ficam algumas das mais bonitas praias do Brasil.

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24º dia – 287 km

Pegaremos a AL-220 para chegar a Canindé de São Francisco, na divisa de Alagoas com Sergipe, onde vamos fazer um passeio de barco até o cânion do Xingó no Rio São Francisco. Faça o passeio de catamarã à tarde. Se tiver mais tempo, contrate um barquinho para te levar até a fazenda onde Lampião foi morto. Um passeio muito legal.

25º dia – 515 km

Voltaremos para o litoral até a SE-100 para depois seguir pela BA-099, lindas estradas que nos levarão a Salvador.

Salvador tem atrações que ocupariam as férias inteiras, mas se você não tiver mais tempo para conhecer a cidade, tire pelo menos um dia para conhecer o Centro Histórico, passando pelo Pelourinho, tomando o Elevador Lacerda para descer à Cidade Baixa e visitar a Igreja e Convento de São Francisco, Catedral Basílica, Solar do Ferrão, Palácio Rio Branco, Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia e Mercado Modelo. Tem ainda o Farol da Barra e vários museus imperdíveis.

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27º dia – 511 km

Continuaremos nossa viagem de volta, sempre conduzindo nossa moto com segurança. Pegaremos o ferri boat para atravessar a Baia de Todos os Santos e chegar à Ilha de Itaparica. Atravessaremos a ilha e continuaremos pela BA-001 passando pelas cidades de Nazaré, Valença e Ituberá. Em Camumu vamos pegar a BA-652 até a BR-101, que percorreremos até Eunápolis, onde vamos pernoitar.

28º dia – 519 km

Seguiremos pela BR-101, atravessando a região sul da Bahia, rica de belezas naturais. Entraremos no Espírito Santo e pararemos para pernoite em Vitória. Você tem opções de bons hotéis ao longo da estrada, que facilitarão a saída no dia seguinte. Ou poderá ir até o centro para uma caminhada pela Cidade Alta.

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29º dia – 445 km

Continuamos nossa viagem no dia seguinte pela BR-101 até próximo à divisa com o Estado do Rio de Janeiro, quando desviaremos pela ES-297 até Bom Jesus do Itabapoana, onde pegaremos a BR-393 até a cidade de Três Rios.

30º dia – 438 km

O 30º dia será usado para percorrer com calma os 438 km restantes por mais um trecho da BR-393 e a BR-116 até nossa casa.

As férias acabaram. Foram 9.607 km percorridos pelas estradas de 13 estados brasileiros, conhecemos todas as capitais nordestinas, diversos parques e praias, apreciamos com os próprios olhos algumas das paisagens mais bonitas do Brasil. Mas ainda ficaram muitas belezas por conhecer. Comece desde já a planejar a viagem das próximas férias, que poderá ser feita com a esposa, marido, filhos ou amigos. Depois que realizar as sua viagem, conte-nos como foi.

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