Minha ida ao Atacama

Viagem ao Atacama

AtacamaDepois de várias leituras de relatos de grandes viagens de moto (Emilio Scotto - Policarpo - Rauen - Albuquerque - Chinaf  - Gugu - Viajante Solitário (RIP) e muitos outros...), havia chegado a minha vez de viajar e poder relatar, encorajando outros futuros viajantes a fazerem o mesmo.

A viagem:

Sozinho, desde Rio do Sul-SC até San Pedro de Atacama - II Região (Antofagasta)-Norte do Chile.

O autor:

47 anos, professor universitário e sommelier. Até então, com 3 viagens de moto e 4000 km somados nas três.Tempo com motos > 12 anos.

Rio do Sul-SC até São Borja-RS

1º Dia
De Rio do Sul - SC até São Borja - RS (já na fronteira com a Argentina)
831 Km
Média de consumo do dia: 1 litro a cada 19,47 km

Atacama Saí de casa as 07h30, com o dia nublado e cinzento, com leves chuviscos na subida para a BR-116. Costumo tocar na boa, entre 90 e 120 km-h, sendo este intervalo, a média de cruzeiro de toda a viagem.

Na primeira abastecida, em Vacaria-RS, a segunda gasolina mais cara da viagem - R$ 3.04 o litro e uma pausa para o primeiro café da viagem. Já na BR-285, a paisagem abre mais, com grandes extensões de campos de trigo e outras culturas e com bom asfalto. Moto não paga pedágio no Rio Grande do Sul nem na Argentina. Após o fim da concessão (Ijuí), o asfalto piora (lamentável), mas ainda assim a tocada flui bem, pois há pouco movimento e longas retas.

São Borja - RS a Pres. Roque Saenz Peña

2º Dia
De São Borja - RS a Presidência Roque Saenz Peña - Prov. de Chaco - Argentina
607 Km
Média de consumo do dia 1 litro a cada 19,42 km

Atacama Acordei às 05h30, com o ronco dos bugios num mato nos fundos do hotel. Estava frio mas já era dia claro. Aproveitei e dei umas duas voltas ao redor do trevo do hotel e da BR.

Às 8 horas, estava já com a moto abastecida e indo em direção à ponte internacional sobre o rio Uruguai. No complexo da aduana Brasil - Argentina, tudo de bom. Vazia e rápida, tendo documentos em dia, é tudo num só lugar. Comprei a carta verde por R$ 30 (válida para 15 dias) e troquei reais por pesos argentinos a 1 R$ por PS 2,75 (há duas opções de casas de câmbio, com as mesmas taxas). O agente de aduana argentino, tomando um mate, fez a entrada de imediato e já na moto, mostrei a carta verde a outro agente e fui liberado. A seguir, paguei o pedágio da ponte - R$ 5 - e segui pela Argentina adentro - Província de Corrientes, subindo a Ruta 14 e passando por Governador Virasoro, com destino a Ituzaingó, já na Ruta 12.

Pres. Roque Saenz Peña a Tilcara

3º Dia
De Presidência Roque Saenz Peña - Chaco a Tilcara - Jujuy - 777 Km
Consumo médio do dia 1 litro a cada 17,80 km.

Viagem de moto ao AtacamaNeste dia, a pilotagem começa na vastidão e solidão das grandes retas da Ruta 16 e termina a 2.461 m.s.n.m. em Tilcara, na Quebrada de Humahuaca, patrimônio da humanidade (Unesco), na província de Jujuy. O céu nublado amortizou o forte calor, usual quase o ano todo na região.

Após Avia Terai, já se sente o isolamento do Chaco chegando aos poucos, pois vão sumindo as plantações e para alguma necessidade, somente nas pequenas vilas e poucas cidades, bem espaçadas entre si. Mas há combustível. Após Monte Quemado, até choveu por uns 10 minutos, amenizando um pouco mais. O asfalto não está bom após esta cidade, por uns 30 km. Requer cuidados, pois há grandes buracos na pista, assim como com animais soltos pelo caminho. Destaco a fauna do Chaco, grandes gaviões de penacho e milhares de pombas.

Tilcara - San Pedro de Atacama

4º Dia
Desde Tilcara - Jujuy até San Pedro de Atacama - Chile - 445 Km
Média de consumo do dia 1 lt a cada 16,86 km

Viagem de moto ao AtacamaHoje, o gran finale da ida, com grandes atrações. A saída da multicolorida Quebrada, a subida ao altiplano, a Cuesta de Lipán e suas belas curvas a 4.170 m.s.n.m., o salar de Salinas Grandes, as grandes retas na solidão e aridez das grandes alturas, a serrinha antes do povoado de Susques, a subida ao Paso de Jama a 4.320 m.s.n.m. e depois já no Chile, picos nevados, o Vulcão Licancabur, salares e lagunas verdes, num cenário de encanto e magia, que inundavam a visão desde o capacete com muita beleza.

Há dois pontos para abastecimento no trajeto. Em Susques, gasolina no pequeno YPF e havia também em Pastos Chicos, posto e parador com restaurante e hotel a 3 km da cidade. Ali fiz pausa para um café e encontrei o pessoal do Rota X de Porto Alegre, em caminho de ida a SPA, em 3 motos e um carro de apoio.

A volta

Viagem de moto ao Atacama 22Após três noites e dois dias em San Pedro do Atacama, era hora de voltar, pelo mesmo caminha da ida. Na aduana chilena, foi super rápido e ainda encontrei um ônibus de turismo de SC, voltando de Machu-Pichu com um casal conhecido de minha cidade, que se ofereceu para levar alguma bagagem, aliviando o volume e me deixando espaço para trazer algumas coisas que comprei na Argentina depois. A volta fiz toda em solitário, não encontrando nenhum motoviajante no mesmo sentido.

Guemes a Pres. Roque Saenz Peña

2o dia de volta.
De Guemes a Pres. R. Saenz Peña - 627 km
Média de consumo de 1 lt. a cada 20,27 km

Viagem de moto ao Atacama 25Toquei direto até J. Gonzalez, onde parei para abastecer e tomar água com bolachas. O vento continuava, ora forte, ora diminuía um pouco e estando nublado na maior parte, amenizou o calor de cruzar a Ruta 16 Transchaco. Desta vez, o vento espantou a maioria dos animais que costumam estar pela pista e arredores!

Após uma parada em Monte Quemado para abastecer, cheguei algo cansado ao destino do dia por volta das 18 horas. Decidi trocar de hotel para ver como seria e peguei o Hotel Orel, ao lado da rua principal por R$ 52 a diária, com garagem coberta, mas feia, de chão batido. Café ainda pior do que a média, sem internet e pouca estrutura. Não recomendo. Melhor mesmo o Aconcágua da ida.

Pres. Roque Saenz Peña a Santo Tomé

3o Dia Volta
De Pres. Roque Saenz Peña - Chaco a Santo Tomé - Corrientes - 598 Km
Média de consumo do dia 1 lt. a cada 16,51 Km.

Santo Tomé, Corrientes, ArgentinaA moto acusava a desregulagem da mistura. Cruzei a marginal de Corrientes bem no pico do meio-dia. Um trânsito infernal, sinaleiras, ônibus, motonetas e a Bandit morrendo a cada parada. Já na Ruta 12, abasteci e toquei para Ituzaingó, onde parei, abasteci e visitei a avenida costanera, margeando o rio Paraná. Desci até as margens do rio, toquei suas águas e fiz o sinal da cruz, em grande simbolismo, pedindo para realizar o final da viagem em segurança (iria precisar no dia seguinte...).

No caminho, grandes campos e pastagem, com emas, garças e muito gado. Em Santo Tomé, no final do dia e já na fronteira com o Brasil, decidi ficar ali mesmo, para gastar mais pesos e fazer umas compras de supermercado (temperos e bolachas especiais, azeite e chocolate).

Santo Tomé a Rio do Sul - SC

4o Dia - A chegada em casa.
De Santo Tomé a Rio do Sul - SC - 863 Km
Consumo médio do dia 1 lt. a cada 18,50 km

Viagem de moto ao Atacama 7O caminho era o mesmo da ida. Eram 07h45 e estava já na aduana. Ali troquei os pesos sobrantes por reais e conferido os papéis do lado argentino, de nosso lado eram 08h45 da manhã e de novo ninguém, nem ao menos para dar uma olhada em quem entra ou sai do Brasil...

No trevo de Ijuí, a PRF estava com radar fiscalizando. Após Panambi, grossas nuvens trouxeram a chuva e o frio. Por 3 horas rodei assim, com uma parada em Passo Fundo (gasolina, café e um pastel). Por sorte, a chuva veio no trecho pedagiado, com bom asfalto. Havia deixado os forros da calça e jaqueta com o casal do ônibus, num segundo encontro em Joaquim Gonzalez...

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