Saímos da pousada e fomos visitar a Bolívia. Tiramos fotos na fronteira, na ponte que divide os dois países. Deixamos as motos no lado do Brasil e fomos a pé até o outro lado, pois era perto, cerca de 1 km. Comprei uma máquina fotográfica e todos de alguma forma compraram ou viram alguma coisa interessante.

Retornamos ainda cedo e fomos até a cidade de Assis Brasil. Almoçamos num restaurante, onde havia mais motociclistas também fazendo a mesma coisa que a gente. Conhecemos três motociclistas de Belo Horizonte que estavam também no mesmo roteiro nosso. Conversamos e trocamos idéias.

Choveu na hora do almoço uma barbaridade e da mesma maneira que começou, parou de repente.

Saímos e fomos perto da fronteira trocar dólar por soles, dinheiro peruano. Fomos à aduana Peruana, mas o responsável estava almoçando e somente retornaria as 14.30 horas, horário do Peru. Fizemos as documentações de praxe no lado Brasileiro, aduana, Receita Federal, etc., tudo num tempo bem curto, 37 minutos.

Fotografamos diante das placas das fronteiras e das marcas dos quilômetros que faltavam para Porto Maldonado, Cusco, Matarani, Ilo, Marcona, Lima, Quinzemil, pela estrada do Pacífico.

Chegamos à fronteira para fazermos os procedimentos de rotina na Aduana Peruana.

Quando chegamos, os três amigos que conhecemos em Assis Brasil já estavam querendo matar o cara que estava fazendo a ficha deles, pois estavam a exatamente 2 horas esperando o idiota analfabeto escrever o nome, numero do chassi da moto e numero do motor. Paramos e ficamos aguardando nossa vez. As horas iam passando e víamos o dia se acabando na nossa frente. Ninguém conseguia entender o porquê de tanta demora, e ainda tínhamos que percorrer 250 km no fim do dia.

As horas passavam e o analfabeto e cego do agente peruano não se movia para adiantar um minuto sequer do trabalho dele. E resmungava a toda hora “Amanhã é meu aniversário...” Desconfiamos que ele na cada dura estivesse dando o cartão de visita que tanto temíamos... ""quero propina"". Tentamos adiantar ao máximo, mas nada fazia o infeliz se mover com um pouco mais de boa vontade ou eficiência.

Deduzimos pelo andar dos trabalhos que se fossemos contar quantos minutos se leva para cadastrar uma pessoa, e estávamos em 8, a aduana iria fechar às 6 horas e ficaria dois ou três do nosso grupo para fazer a papelada no outro dia. Nisso parou uma caminhonete F-250 vermelha e saiu um magrelo alto, tipo nordestino e nos cumprimentou com muita intimidade. Conversamos um pouco e ele nos perguntou como estava sendo nosso ingresso no país. Respondemos que do jeito que estava sendo feito, não conseguiríamos chegar a Porto Maldonado, por causa da lentidão do idiota que estava nos atendendo. Ele ficou enfurecido e pediu para esperarmos um pouco. Entrou na sala, pediu para um dos nossos sair da sala, e após alguns minutos retornou dizendo que tinha falado para o idiota atender a todos nós sem deixar ninguém para trás. Disse ainda que trabalhava com ouro, e que se tivéssemos algum problema, qualquer problema era para ligar para ele que ele daria um jeito. Ficamos abismados por ver a intimidade do cara e, pelo jeito, tinha influência no país. Depois de algumas horas, Moacyr, Odileno, Paulo e Edgard, foram liberados e decidimos ir adiantando na viagem, ficando Kadin, Rodrigo, Fassarella e Barbieri.

Partimos pela estrada ótima e bem cuidada com alguns obstáculos inacreditáveis pelo caminho. Encontramos já à noite animais soltos na pista, como vacas, cabras e cachorros cruzando o asfalto, além de um caminhão parado numa subida, sem nenhuma sinalização. Quem não conseguisse ver entraria na traseira sem saber o que houve. Uma lástima as leis e costumes. Andamos 230 km e logo apareceu o terror dos motociclistas. O RÍPIO. Terra solta, saibro e pedras juntas. Foram 25 km de tortura noturna, e graças a Deus vencemos esta etapa ilesos. Chegamos a um vilarejo e começamos a ver de onde estávamos uma cidade ao longe. Era Porto Maldonado que ficava na outra margem do Rio que tínhamos pela frente. Começamos a procurar uma forma de resolver o assunto quando avistamos uma balsa, ou melhor... algumas tábuas com barris, que transportavam os carros e motos de uma margem a outra, sem oferecer um mínimo de segurança e confiança no que estavam fazendo, principalmente à noite, sem iluminação alguma. Paramos as motos e 18 minutos mais tarde chegaram os outros 4 que ficaram para trás.

O cara da balsa jogou dois pranchões de madeira no chão, ajeitou na Cabeceira da balsa e como querendo dizer... Subam as motos. Moacyr foi o primeiro a subir com cuidado e a gente protegendo a moto nas laterais para que se acontecesse algo não caísse no rio. E assim ele fez com as outras, colocando de cada vez 4 motos. Assim fomos rio acima num motor de popa que parecia um liquidificador sem acreditar que estávamos numa coisa sem iluminação, sem segurança, sem seguro e nas mãos de uns malucos que fazia isso o dia todo. Conseguimos chegar à outra margem. Moacyr novamente desembarcou as motos que da mesma forma que embarcaram, também de modo perigoso.

O outro grupo chegou da mesma forma e partimos para a eterna procura de um lugar para dormir e tomar um banho.

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