A caminho do Himalaia

Os motociclistas mineiros Rafael Barata e Rômulo Provetti realizam uma incrível viagem de moto pela Cordilheira do Himalaia, para percorrer as estradas mais altas do mundo no distrito indiano de Ladakh, conhecido como “A Pequena Tibete”, com uma longa história de conflitos étnicos, religiosos e sociais.

A caminho do Himalaia

Os amigos Rafael Barata e Rômulo Provetti se juntam para percorrer as estradas da mais longínqua e mais alta cadeia de montanhas do planeta, o Himalaia. Eles percorrerão, sem carro de apoio, as estradas mais altas do mundo abertas ao público onde é possível passar com um veículo sobre rodas, grande parte não pavimentadas. Localizadas na região de Ladakh, conhecida como "A Pequena Tibete", ocupada pela Índia e próxima às fronteiras com o Paquistão, Nepal e Tibete (China), com altitudes superiores a 5.000 metros acima do nível do mar.

Chegada a Nova Délhi

Depois de um longo trajeto de avião, finalmente chegamos a Nova Délhi, a capital da Índia. Na saída do aeroporto, descobrimos que os motoristas de taxi da cidade estavam em greve, o que nos fez seguir para a estação do metrô que, ao contrário de todas as nossas expectativas, era excelente. Depois do rápido trajeto até a estação Nova Délhi, pegamos um tuk tuk e experimentamos pela primeira vez o trânsito maluco da capital indiana, com motoristas, motociclistas, ciclistas, pedestres e animais disputando espaço pelas ruas e avenidas.

1º dia - Nova Délhi - Bhota

Antes das 4 horas da madrugada já estávamos de pé, preparando a bagagem para colocar nas motos. Não foi difícil colocar tudo nas armações de ferro que cada moto levava nas laterais, mas a bagagem era muito mais volumosa que eu imaginava. Pouco antes da 5 horas o Ankur chegou. Algumas fotos e seguimos para a estrada. Mesmo sendo muito cedo, já havia movimento nas ruas e avenidas. A saída da cidade não foi fácil, muitos caminhões e outros veículos disputando espaço.

2º dia - Bhota - Manali

A decisão de pernoitar em Bhota na noite anterior se mostrou a mais acertada quando vimos a estrada que ainda tínhamos que percorrer até chegar a Manali. Era o início da subida da Cordilheira do Himalaia e a estrada era muito travada, com curvas fechadas e asfalto em más condições, cascalho, terra, despenhadeiros, pedras soltas, deslizamentos, obras, animais e muitos caminhões. A viagem não rendeu e levamos o dia inteiro para percorrer pouco mais de 170 km.

3º dia - Manali - Keylong

O escritório onde pegaríamos a autorização para atravessar o Rohtang Pass só abriria às 10 horas, então combinamos de acordar por volta das 9 horas, o que nos daria tempo suficiente para preparar a bagagem e seguir para o lugar, que ficava próximo ao hotel onde estávamos hospedados. Chegando lá, uma fila grande de motoristas e muita falta de informação. Perguntamos para algumas pessoas, que responderam que era aquela fila onde deveríamos pegar a autorização, então deixamos os documentos com o funcionário que atendia e ficamos esperando.

4º dia - Keylong - Killar

Acordei cedo e comecei a organizar a bagagem. Antes de sair para o lanche, abri a cortina da janela do quarto e meu queixo quase caiu, embasbacado com a visão das montanhas. Quando chegamos ontem já era noite não vimos as paisagens pelas quais passávamos.

5º dia - Killar - Gulabgarh

Os primeiros quilômetros já mostravam que seria outro dia muito difícil. Estrada de terra, com cascalho formado por pedras grandes e pontiagudas, parecidas com retalhos de ardósia. Havíamos percorrido poucos quilômetros quando chegamos a um trecho interrompido. Um trator trabalhava na lama para liberar a estrada. Uma grande cachoeira descia a montanha na proximidade e uma ponte permitia passar por ela. Em muitos outros trechos, tivemos que atravessar dentro da água.

6º dia - Gulabgarh - Achabal

Assim que acordei subi ao "terraço" para lavar o rosto e escovar os dentes. Aproveitei para tirar umas fotos dos telhados da pequena cidade de Gulabgarh e de um Gompa, como são conhecidos na Índia os monastérios budistas. Achava que a cidade, que está numa região predominantemente muçulmana, também tinha a maioria de seus habitantes seguindo essa religião, mas a presença do imponente gompa e as roupas dos moradores indicavam o contrário.

7º dia - Achabal - Srinagar

Precisávamos continuar nossa viagem. Nossos amigos prepararam um café da manhã com parantha e chá, acabamos de arrumar a bagagem nas motos e formos para a estrada. Asfalto com alguns buracos e quebra molas, que na verdade eram grandes saliências de mais de um metro de altura e cerca de quatro de comprimento, construídas sobre a pista para escoamento da água da chuva, e que reduziam a velocidade dos veículos, seja pela própria existência ou pela precária condição em que estavam, com muitos buracos e fissuras.

8º dia - Srinagar - Jammu

Iniciamos nossa viagem de volta para Délhi. Seriam pouco mais de 850 km a serem percorridos, por estradas melhores que as que utilizamos até esse dia, mas pelas estimativas do nosso amigo indiano Ankur, não conseguiríamos vencer essa distância em menos de três dias. Assim, planejamos para esse primeiro dia chegar à cidade de Jammu, que fica próxima à fronteira com o Paquistão.