Ontem à tarde, durante a nossa chegada ao hotel, fomos recepcionados pela garotada da cidade, que ficou extasiada com as Harleys. Enquanto conversávamos com os meninos, muito simpáticos e educados, chegou um grande ônibus de excursão de velhinhos argentinos, que foram contagiados pelo ambiente de confraternização e pelo Rock'n Roll que rolava no rádio da Harley-Davidson do Corè.

Foi um dia de descanso para tentar colocar tudo em ordem e recarregar a bateria do corpo, porque a da alma já estava bem alimentada.

Enquanto Fred & Natália, não resistindo à curiosidade, foramm pegar a estrada para conhecer Bariloche e curtir um pouco mais de intimidade, toda a turma foi passear de ônibus de turismo para conhecer os lugares importantes da encantadora San Martin de los Andes.

Com os olhos na paisagem, Claudia Albuquerque e Patricia Beze prestavam atenção nas palavras da senhora rodomoça, que comentava os pontos relevantes da cidade. Mas, para o Romeu Beze, Osvaldo Júnior e Danilo Pricisval, aquela suave voz se expressando em espanhol era uma doce canção de ninar, embalada pelo suave movimento do ônibus para lá e para cá.

Em todos os lugares da cidade havia uma placa da Ruta 40, em homenagem a mítica estrada, que para ser superada era preciso que o motociclista abrisse mão da segurança e do conforto, a fim de entrar no universo exclusivo do desafio & aventura, cujo maior ganho é o autoconhecimento e o privilégio de viver experiências raras e contemplar maravilhas acessíveis a poucos.

No jantar, o restaurante Don Florencio foi uma agradável surpresa, porque foi onde comemos a melhor carne, em toda a Argentina, desde ojos de bife, lomo e chorizo, regados a excelente cerveja Patagônia e vinho regional da melhor qualidade; suplantando exponencialmente o famoso restaurante Malmann, de Mendoza, que foi uma pequena decepção para todos e especialmente para quem o conheceu alguns anos atrás.

Na "Reunião do Pôr-do-Sol", a fim de comentarmos o dia que passou e definirmos como seria o dia seguinte, uma especial surpresa dos amigos emocionou este velho motociclista. Me deram um presente muito simbólico, que denominei o chapeu do aventureiro, que representa o que eu gostaria de ser, se a vida não me privilegiasse como o que sou e o que tenho: um homem simples, com uma família maravilhosa e amigos fraternos, que são pessoas independentes e sem extremadas vaidades, a quem não tenho que me sujeitar para manter a mais franca amizade.

Como agradecimento, confesso que na partida da Expedição Mendoza estava preocupado com os pilotos & navegadoras, porque esse tipo e magnitude de viagem de moto não é para qualquer um, tendo em vista extrapolar a cúpula de proteção - segurança e conforto urbanos - a que estamos acostumados nas cidades; principalmente, quando passamos a depender apenas de nós mesmos e das nossas motos para fazer o que tem que ser feito e voltar para casa.

Mas, naquele momento, já me sentia tranquilizado pelo excelente desempenho que todos vinham apresentando na estrada. Então, souberam que para mim será uma honra e um prazer a companhia deles nas futuras e muitas viagens.

Concluindo, registro um agradecimento especial ao amigo Romeu Beze, que me honrou com a sua amizade, porque o reconheço como um poderoso espírito do bem, sempre promovendo a união, a conciliação, a alegria e a valorização da amizade, sendo um exemplo de atitudes morais e éticas para nós, homens mais fracos.

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