Saí de Veneza em direção aos Alpes italianos. Cortina d’Ampezzo era um destino natural, além de muito próximo. Tão próximo que nem deu tempo de parar e fazer fotos, principalmente porque começou uma chuva fina que, além de não lavar a estrada, atrapalhava um bocado a visibilidade do para-brisas. Muito cuidado com as margens da estrada com restos de folhas e grama recém-cortada para não “comprar um lote” longe de casa.

Como dizia Nelson Rodrigues, na vida você tem que ter sorte até para chupar um Chica-Bon. O dono do hotel em Cortina é ciclista semi-profissional e me deu dicas preciosas sobre a região. Avisou-me que hoje (dia 5) vai acontecer uma competição onde se espera 10.000 (Dez mil!) ciclistas. Por isso, os melhores passos ficarão fechados para a competição.

Texto longo escrito dia 17 de julho, referente acontecimentos a partir de 5 de julho.

Meus amigos e seguidores, durante algum tempo, exatamente desde o dia 5 de julho, omiti alguns acontecimentos por motivos, na minha opinião, mais do que justificáveis. Neste dia sofri um acidente, uma daquelas coisas que você não encontra explicação e ao mesmo tempo encontra centenas de justificativas tão a gosto dos motociclistas. Prefiro assumir que, como sempre, a responsabilidade é de quem está conduzindo a moto. Estava no lugar errado, na hora errada e com a atenção desviada do foco principal. O fato é que um toque lateral com um automóvel é o suficiente para “comprarmos um lote”, como se diz na gíria de motoqueiros.

Saí de Bad Ragaz por volta das 10 da manhã. A idéia era atravessar a Suíça e entrar na França pela Basileia (Basel para os mais viajados, o que não é o meu caso). O GPS foi me presenteando com estradas espetaculares. Uma pena eu não poder parar a todo momento para fazer as fotos de praxe (o tornozelo incomoda um pouco). De qualquer forma, alguma coisa eu consegui, até mesmo a enfermeira sueca se exercitando.

Eu iria ficar mais uns três ou quatro dias em Mulhouse dando um descanso ao meu tornozelo e curtindo um pouco a cidade. Acontece que se mal consegui dormir na primeira noite por causa do calor, na segunda, além do calor, tinha um desgraçado tocando saxofone numa tal de Jam-Session no prédio em frente ao meu. Não existe melodia, não existe nada, o cara fica fazendo variações de escala que enchem o saco de qualquer pessoa minimamente lúcida. Que saudades de uma 12 “pump”!

Reservei um hotel em Saint-Ouen-l’Aumône, a 40 km do centro de Paris, porém a 1 km da Yamaha Motor France. Afinal tinha de pensar na minha caminhada de volta depois de entregar a moto, hehehe. A viagem até Paris foi excelente. Havia uma ameaça de chuva, mas percebi que elas ocorrem sempre a partir das 13 horas, por isso saímos cedo e fomos desfrutando os últimos quilômetros de nossa parceria.

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