Um velhote de moto pela Europa

Ontem à noite Fiscal, um pequeno burgo que vira estação de esqui no inverno e agora no verão acolhe montanhistas, mochileiros e motards, começou a se despedir de mim com um belíssimo pôr de sol. Mais tarde despencou um pé d’água que durou toda a noite, me deixando preocupado para o dia de hoje. Acordei cedo, sem chuva, mas com nuvens baixas e preparei-me para o que viesse e desse.

Quando peguei a Brigitte, ela estava com mais de 8.000 km. Eu rodei 5.500 km em condições severas para os pneus, principalmente o traseiro onde se concentra o peso, além da própria tração. Minha preferência pelas estradas secundárias leva a um desgaste maior dos pneus pelo conjunto de fatores: maior número de curvas, qualidade do asfalto, uso mais intenso dos freios, redução de marchas, arrancadas, etc. Somando-se a isto os roteiros do Douro e dos Pyrenées, que exigem demais dos pneus, foi uma consequência natural a necessidade de trocar o traseiro, que já havia alcançado o TWI.

Sai de Aix-en-Provence por volta das 9 horas, com ameaça de chuva e já saindo na porrada com o GPS: o infeliz não sabia onde era o Les Gorges Du Verdon. A saída foi pedir auxílio ao Atlas Michelin, “setar” a cidade de Rougon no maluco do GPS, botar a proa da pobre da Brigitte para a direção indicada pela tresloucada criatura e que São Cypriano nos proteja.

A previsão para o dia era de chuva à tarde, isso me obrigou a acordar cedo para fazer o circuito que contorna o Grande Canyon Du Verdon. São 115 km indo pelo lado direito do canyon, atravessando a ponte no Lac de Sainte-Croix e voltando pelo lado esquerdo, atravessando o Les Tunnel Du Fayet.

Acordei com um dia maravilhoso. A previsão do tempo estava se cumprindo. Arrumei a tralha toda na Brigitte e sai cedo (ainda não eram 8 horas) para tentar vencer dois desafios. O primeiro a “Route de Gentelly”, um percurso pela D2 que começa em Vence e termina na belíssima Gréolières. O segundo o “Col de Turini” com seus inúmeros “lacet” lembrando a nossa Serra do Rio do Rastro.

Dia complicadíssimo. Começou bem quando fui lá buscar a faixa do Col de Turini. Com direito a adesivo do Gato Cansado na vidraça do restaurante. Mas descobri que avancei demais ontem, por causa da chuva. Estava difícil visualizar as placas.

CADASTRE-SE PARA RECEBER AS VIAGENS PUBLICADAS

Você poderá sair da lista de e-mail a qualquer tempo.