O dia amanheceu sem chuva, mas com cerração e bastante frio. A jaqueta que comprei numa liquidação em Paris está quebrando o galho numa boa. Até agora, além de bloquear o vento, ela se mantém impermeável como me jurou a vendedora.

O desjejum no hotel ficava em 8 euros. Com essa grana eu lancho 3 dias na Padaria Rosa de Saron, em Cabo Frio, e ainda sou atendido por atendentes risonhas e educadas. Com isso, deixei para tomar café na estrada, programei o Tomtom (isso lá é nome que se dê a alguém?) para evitar pedágios e priorizar estradas secundárias. Ontem passei por um sufoco na hora de pagar o pedágio. O lance é que tem um monte de cabines com um monte de logos e palavras em francês em cada um deles. Me benzi e entrei no primeiro que vi, após colocar o ticket na máquina (recebido quando entrei na estrada), uma louca falou o preço em francês e, graças ao bom Deus, apareceu no visor simultaneamente: 16 euros. O problema começou nesse momento, não existe ninguém na cabine, você tem que pagar com cartão. Todos os meus 6 cartões foram recusados e a louca falando um monte de coisas sem eu entender xongas. Até que uma alma caridosa, uma senhora da concessionária do tal de "Peage", veio me ajudar. Tentamos várias vezes até que o cartão de uma conta que tenho nos USA (declarada no IRPF, claro) funcionou e pediu a senha, após teclar a dita cuja o pagamento foi aceito, peguei o recibo e me mandei. Chegando ao hotel, abri minha caixa de entrada e tinha um e-mail do banco avisando que tinha bloqueado meu cartão por tentativa de fraude, além de cancelar o pagamento. Tentei entrar no site e também está bloqueado. Sei lá o bicho que vai dar. Por via das dúvidas ´passei a andar só em estrada sem "Peage".

E foi assim que entrei numa região de vinícolas. São pequenas aldeias, com suas construções seculares de no máximo dois pavimentos onde sobressai a torre da igreja que, quase sempre, identifica a praça principal. Todas tem seu charme, não parar para um café ao ar livre ou para fazer fotos que eternizarão momentos tão incríveis é um sacrilégio.

Assim, um deslocamento de 3 a 4 horas acaba se transformando numa senhora viagem de 7 a 8 horas. Mas compensou e muito. Nessas cidades descobri um marco do "Caminho de Santiago", tracei um almoço com direito a uma garrafa de vinho da casa por 13 euros. Tomei uma aula sobre a igreja do século XIII que estava fotografando, além das fotos que consegui fazer para vocês.

A chegada a Lourdes, onde tinha feito uma reserva ontem à noite, foi um espanto. A cidade está tomada por milicos de todas as nacionalidades, o trânsito é um caos só. Vielas, onde não pode passar um veículo, passam dois... A sinalização foi toda modificada e o idiota do GPS não me servia para mais nada. Desliguei-o antes de atira-lo no rio. Só muito depois vim saber que eles estavam comemorando, naquele dia, o início do jubileu pelos 500 anos da aparição da Virgem Maria e, em paralelo, estava acontecendo a "Peregrinação dos militares". Minha sorte é que tinha reservado, e pago, antecipadamente o hotel através do site "Hotels.com"... bem, pelo menos era o que eu pensava.

A rua foi descoberta meio ao acaso e a numeração ficava na contra-mão. Dar uma volta nem pensar, parei a moto em frente a uma loja (meio na calçada) e corri até o hotel (muito do xulé), ainda por cima fui atendido por um marroquino grosso que só repetia "no reserve, no reserve" enquanto a mulher dele cozinhava na sala ao lado enchendo o ambiente de um odor tenebroso. Fiquei louco para sair dali o mais rápido possível, depois iria me entender com o site. Pedi para ele escrever no cartão de visita que não tinha vagas e, colocando meu melhor sorriso no rosto, apertei a mão dele e caprichei no sotaque "- Que te vás a mierda maricón !". O fato é que comecei a me preocupar, o frio estava terrível, a cidade lotada e eu na rua. Resolvi pegar a estrada novamente para ver no que ia dar. Andei uns 500 metros saindo do sufoco e vejo um hotel bem razoável. A recepcionista era portuguesa, simpática e me conseguiu um quarto com garagem coberta para a Brigitte por 45 euros... A herança dos garotos vai segurar mais essa.

Amanhã tem mais moçada. Beijos e abraços a todas e todos.

Comentários (4)

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Dinho e André, fiquem tranquilos, o único problema seria o cara entender meu portunhol, de qualquer forma eu já estava na reta da saída.
Grande abraço.

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Em tempo, me corrigindo, não é Bordeis e sim Bordeaux, não é Margot e sim Margaux. Coisa de Frances... Na Espanha quaisquer vinho da região do Rio Ebro - Rioja pode comprar e levar para ir tomando no caminho.

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Grande Viagem, mas não se estresse... aproveite a região francesa das ostras com um chateau margot, tinto, depois dai só em Rioja na Espanha ou então em Montepulciano em Suave na Itália para saborear os melhores vinhos, muitas vezes mais barato que água mineral. Forte Abraço e vamos na companhia.

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Ai Hélio, vamos combinar uma coisa: desde o início eu estou de carona com vc, isso está ok!!!! Mas vc deve se lembrar que minha companhia é virtual, ou seja, em caso de problemas com marroquinos ou qualquer outra nacionalidade que seja, você estará sozinho... O máximo qua vou poder fazer daqui é mandar um e-mail bem mal educado pro cabra!!! Sendo assim, só mande o cara "a mierda" e depois ainda chame-o de "maricón" quando tiver certeza de estar pelo menos a uns 2 kms longe dele, certo!??? rsrsrsrsrsrsrsrs...
"Show de bola" as fotos... estou gostando d+++++ dessa viagem!!!!
Grande abraço... e se cuida cara!!!!
Lembre-se: "- Que te vás a mierda maricón !" só depois de abrir 2 kms de vantagem!!!
Tâmo junto!!!!!

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