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O sábado amanheceu com o ceu limpo e uma leve brisa. Eu estava ansioso. Era hora de pegar estrada. A minha velha moto já estava abastecida, com a corrente lubrificada e com os pneus calibrados. Estava um pouco suja, pois não tive tempo para dedicar-lhe uma boa limpeza.

Há muitos anos nós, que lidamos com o mundo do motociclismo, ouvimos falar e lemos em lindos textos compartilhados nas mídias sociais as razões que levam uma pessoa a se tornar motociclista, normalmente com inúmeras vantagens listadas para justificar um modo de vida ou comportamento que as pessoas assumem ao entrar neste mundo.

Sábado à tardinha, dia 27 de janeiro, em casa “à toa” apenas molhando os jardins, recebo uma ligação de um grande amigo, ex-chefe no trabalho, numa ligação ruim com algumas falhas, já que ele estava falando de sua fazenda próximo a Pedro Leopoldo – MG que não tem o sinal de celular legal, nos convidando, eu e minha esposa para irmos até lá passar o restante do sábado e retornarmos no domingo, 28/01/18.

A princípio, não me parece muito "técnica" a utilização da palavra "expedição" para viagens de turismo. Já a usei para designar minhas primeiras viagens de moto e, hoje, após pesquisar e ouvir, apresento a análise constatada. A palavra soa bem e faz uma simples viagem parecer um grande feito, inédito.

‘Eu vou’! Em 2008, quando decidi o destino da viagem de férias, realizada em abril de 2009, não imaginava as emoções, as reflexões e os imprevistos que viveria em 24 dias de aventuras. Tudo bem, não era uma viagenzinha qualquer: a ideia era percorrer 6 mil km até Ushuaia, cidade da Argentina e ponto extremo sul das Américas – e claro, outros 6 mil km voltando. Ah, sim, um pequeno detalhe: tudo sozinho e a bordo de uma moto Tornado XR 250, apesar de possuir também uma Harley Davidson Sportster 883R.

Coloca calça de cordura, botas, jaqueta com proteções, capacete, luvas. O mesmo ritual em todas as viagens de moto. Tira e põe, tira e põe, e um dia eles te protegem. Não machuquei nada.

Oliveiro apontou para Santana dos Montes.

Até onde uma moto pode te levar? Ainda não tenho a resposta exata, mas vou continuar rodando para um dia poder responder essa pergunta.

Todo dia acordo e me deparo com algo novo, uma realidade diferente, um novo desafio... E não é só comigo que acontece isso, acontece diariamente com todos nós.

Pela primeira vez levei um tombo de moto. Desses que dói tudo e causa um grande susto, mas sem quebrar nada. Claro que já tombei e deixei a moto cair em lamaçais como na BR-319, que liga as cidades de Manaus (AM) e Porto Velho (RO), e na Transamazônica, ambas na Região Norte do Brasil. Diversão garantida e a certeza de ir ao chão sem surpresas.

Aos amigos e irmãos de estrada, meus cumprimentos. Minha história começa quando eu tinha 13 anos e troquei minha bicicleta e meu vídeo game por uma Mobilete 50cc. Pior que o cheiro de óleo queimado e sujeira de graxa foi a expressão da minha mãe... Nossa, minha velhinha queria me matar.

Não sei ao certo o que me fez decidir enfrentar esta viagem de moto. Se foi a temporada de chuva em Brasília que estava por continuar, se foi o fato do Filipe ter ido de moto a Ushuaia com os amigos, já ter feito a viagem ao Atacama e ter ficado muito contente, se a cirurgia do quadril que vai me deixar um tempo sem andar de moto, ou se para trazer prazer ao meu coração depois de um ano longo e trabalhoso de tratamento de um câncer de mama. Creio que juntou tudo. Fortes motivações.

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