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Passagem curiosa aconteceu quando eu e o garupa viajávamos de moto por estrada de terra através de pequenas cidades do interior. Estrada pouco movimentada, mas bastante acidentada com costelas e buracos. Sem pressa, passávamos por chácaras, sítios e fazendas.

Esse cenário que presenciávamos era maravilhoso por ser diferente do habitual, tendo em vista que na cidade o que impera são construções de cimento, onde pouca natureza fica à vista.

Com muito pouco dinheiro nos bolsos e depois de comer bastante poeira, a noite já tinha chegado. Entramos em uma pequena comunidade próxima da estrada e vimos um pequeno barraco aberto e com a luz acesa. Era uma estrebaria. Parei, estacionei a moto e entramos. Encontramos um senhor que estava tratando de jegues e cavalos. Chegando até ele perguntamos onde seria possível eu e o garupa comermos alguma coisa que não fosse cara, pois tínhamos pouco dinheiro.

Se as estradas por nós percorridas na Bahia eram ruins, esta agora é péssima, tanto que, logo, logo, o pneu traseiro furou novamente e tivemos de consertá-lo.

Mais adiante entramos num povoado de nome Mirim, fizemos uma parada para esticarmos um pouco as pernas, deixamos a moto junto à estrada e caminhamos por algumas ruelas apenas por curiosidade para ver o que havia. Casualmente encontramos um acanhado barzinho onde o cozinheiro havia preparado uma rabada com agrião e polenta e que cheirava maravilhosamente bem.

Outro dia fiz comentário sobre a utilidade dos tombos e isso fez-me lembrar de um bem inusitado e hilário que eu e o garupa levamos no estado da Bahia. 

Quando o fato aconteceu estávamos no ano de 1960, embaixo de chuva, trafegando por estrada de terra enlameada e voltávamos de Campina Grande-PB para Rio de Janeiro, e como poderão ver “após termos passeado tranquilamente pelo paraíso durante 41 dias”.

As enchentes que arrasaram várias cidades do meu Rio de Janeiro e o tsunami no Japão, trouxeram-me à lembrança passagem de uma das minhas aventuras realizada em 1960 e que está descrita no meu original "Motociclistas Invencíveis". Para que seja possível entender o ocorrido na cidade de Imbuíra-BA, abaixo narrada, faço uma introdução explicando o por quê da aflitiva situação na época quando voltava da Paraíba-PB para o Rio de Janeiro-RJ, numa viagem que durou 41 dias.

Certa vez, Thomas R. Marchall (antigo político americano) disse: “ Não brigue com o problema, resolva-o”.

Sabedores que um tombo poderá representar num problema, ninguém deseja levar um, não é verdade? Mas existem determinadas atividades e até ocasiões, que um tombo ou outro sempre poderá acontecer, por mais cuidado que se tenha. Ficar então prevenido e saber como agir nessas ocasiões é uma atitude importante, pelo fato de minimizar seus efeitos danosos e até, oportunamente, aproveitá-los como se fossem uma forma de “aprendizado na arte de cair”.

Qual será a motocicleta ideal? Ela existe? Se existe e nisto acredita, como você acharia que ela deveria ser?

Teria de ter grande cilindrada, ser bem pesada e muito enfeitada? Mas se fosse leve, ágil e rápida, seria melhor? E para aqueles que preferem as que tenham razoável peso, cilindrada e resistência. Como entender?

O que vem ocorrendo na região serrana do meu Rio de Janeiro, assim como em São Paulo, Minas Gerais e estados do sul, lamento dizer, mas “já vi esse filme”.

Na narrativa do livro “Motociclistas Invencíveis”, descrevo igual tragédia no transcurso da viagem na volta do nordeste para o Rio de Janeiro no ano de 1960. Não na sua total intensidade e repercussão, porque o livro é de aventuras e não de tragédias. Mas foi tão intensa e dramática, que o presidente à época, Dr. Juscelino Kubitschek mandou jogar víveres de paraquedas aos sobreviventes das enchentes que ficaram isolados tanto nas estradas quanto em outros locais. Isso porque, estando sem alimentos e água potável, estes sitiados em busca da sobrevivência invadiam propriedades que não foram esfaceladas pelas forças da intempérie, saqueando então tudo o que encontravam para beber e comer, inclusive animais que abatiam para depois comerem.

A região aqui é muito montanhosa, com aclives bastante acentuados. E em conseqüência das chuvas e o esforço das trações dos veículos para subirem estes aclives ou frearem nos declives íngremes, surgem profundas valas em toda a extensão da estrada. Sem falar dos perigosos sulcos enviesados porque se uma roda da moto, principalmente a dianteira, entrar e derrapar nesses sulcos, é tombo na certa.

  • Para poder sentir inebriante liberdade no corpo, na alma, na mente.
  • Nas estradas, para ele não existe fronteiras nem destino prévio porque, embora possa haver um roteiro e meta estabelecida, tudo é mutável. Seu destino é não ter destino;
  • Na estrada inexiste sol, calor, chuva ou frio, porque está habituado aos fenômenos naturais. Há, sim, incomparável e bela natureza detentora de desafiadoras fronteiras a serem vencidas;
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