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Antes da vistoria anual, atualmente feita em obediência ao estabelecido pelas normas de trânsito quanto ao excesso de ruído nas descargas dos veículos, havia um artifício que alguns poucos motociclistas adotavam (eu adotei) e acho interessante contar:

No cano de descarga da minha motocicleta AJS 500cc, 1 cilindro, adaptei dispositivo feito por hábil lanterneiro (funileiro para paulistas), a fim de aumentar e/ou abafar o ronco da descarga.

Nome: “Borboleta”.

Passagem curiosa aconteceu quando eu e o garupa viajávamos de moto por estrada de terra através de pequenas cidades do interior. Estrada pouco movimentada, mas bastante acidentada com costelas e buracos. Sem pressa, passávamos por chácaras, sítios e fazendas.

Esse cenário que presenciávamos era maravilhoso por ser diferente do habitual, tendo em vista que na cidade o que impera são construções de cimento, onde pouca natureza fica à vista.

Com muito pouco dinheiro nos bolsos e depois de comer bastante poeira, a noite já tinha chegado. Entramos em uma pequena comunidade próxima da estrada e vimos um pequeno barraco aberto e com a luz acesa. Era uma estrebaria. Parei, estacionei a moto e entramos. Encontramos um senhor que estava tratando de jegues e cavalos. Chegando até ele perguntamos onde seria possível eu e o garupa comermos alguma coisa que não fosse cara, pois tínhamos pouco dinheiro.

Se as estradas por nós percorridas na Bahia eram ruins, esta agora é péssima, tanto que, logo, logo, o pneu traseiro furou novamente e tivemos de consertá-lo.

Mais adiante entramos num povoado de nome Mirim, fizemos uma parada para esticarmos um pouco as pernas, deixamos a moto junto à estrada e caminhamos por algumas ruelas apenas por curiosidade para ver o que havia. Casualmente encontramos um acanhado barzinho onde o cozinheiro havia preparado uma rabada com agrião e polenta e que cheirava maravilhosamente bem.

Outro dia fiz comentário sobre a utilidade dos tombos e isso fez-me lembrar de um bem inusitado e hilário que eu e o garupa levamos no estado da Bahia. 

Quando o fato aconteceu estávamos no ano de 1960, embaixo de chuva, trafegando por estrada de terra enlameada e voltávamos de Campina Grande-PB para Rio de Janeiro, e como poderão ver “após termos passeado tranquilamente pelo paraíso durante 41 dias”.

As enchentes que arrasaram várias cidades do meu Rio de Janeiro e o tsunami no Japão, trouxeram-me à lembrança passagem de uma das minhas aventuras realizada em 1960 e que está descrita no meu original "Motociclistas Invencíveis". Para que seja possível entender o ocorrido na cidade de Imbuíra-BA, abaixo narrada, faço uma introdução explicando o por quê da aflitiva situação na época quando voltava da Paraíba-PB para o Rio de Janeiro-RJ, numa viagem que durou 41 dias.

Certa vez, Thomas R. Marchall (antigo político americano) disse: “ Não brigue com o problema, resolva-o”.

Sabedores que um tombo poderá representar num problema, ninguém deseja levar um, não é verdade? Mas existem determinadas atividades e até ocasiões, que um tombo ou outro sempre poderá acontecer, por mais cuidado que se tenha. Ficar então prevenido e saber como agir nessas ocasiões é uma atitude importante, pelo fato de minimizar seus efeitos danosos e até, oportunamente, aproveitá-los como se fossem uma forma de “aprendizado na arte de cair”.

Qual será a motocicleta ideal? Ela existe? Se existe e nisto acredita, como você acharia que ela deveria ser?

Teria de ter grande cilindrada, ser bem pesada e muito enfeitada? Mas se fosse leve, ágil e rápida, seria melhor? E para aqueles que preferem as que tenham razoável peso, cilindrada e resistência. Como entender?

O que vem ocorrendo na região serrana do meu Rio de Janeiro, assim como em São Paulo, Minas Gerais e estados do sul, lamento dizer, mas “já vi esse filme”.

Na narrativa do livro “Motociclistas Invencíveis”, descrevo igual tragédia no transcurso da viagem na volta do nordeste para o Rio de Janeiro no ano de 1960. Não na sua total intensidade e repercussão, porque o livro é de aventuras e não de tragédias. Mas foi tão intensa e dramática, que o presidente à época, Dr. Juscelino Kubitschek mandou jogar víveres de paraquedas aos sobreviventes das enchentes que ficaram isolados tanto nas estradas quanto em outros locais. Isso porque, estando sem alimentos e água potável, estes sitiados em busca da sobrevivência invadiam propriedades que não foram esfaceladas pelas forças da intempérie, saqueando então tudo o que encontravam para beber e comer, inclusive animais que abatiam para depois comerem.

A região aqui é muito montanhosa, com aclives bastante acentuados. E em conseqüência das chuvas e o esforço das trações dos veículos para subirem estes aclives ou frearem nos declives íngremes, surgem profundas valas em toda a extensão da estrada. Sem falar dos perigosos sulcos enviesados porque se uma roda da moto, principalmente a dianteira, entrar e derrapar nesses sulcos, é tombo na certa.

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