Motociclistas invencíveis

Motociclista desde os anos 50, João Cruz é autor do livro Motociclistas Invencíveis onde conta uma viagem de moto que fez no ano de 1960, quando piloto e garupa atravessaram seis estados brasileiros percorrendo a BR-116 - Rio-Bahia, que na ocasião era uma estrada de terra e considerada a estrada da morte. Ele escreve crônicas da vida de um motociclista do ponto de vista de um "veterano".

Pra que farol? Farol pra quê?

Andar de motocicleta é tão maravilhoso que muitas definições são feitas, porém nenhuma delas ainda conseguiu definir na sua totalidade essa sensação. Frustação essa com a qual concordo tendo vista sua complexidade. A título de exemplo vou citar uma passagem ocorrida na Bahia a caminho de Nova Conquista. E a coisa aconteceu assim:

O Pequeno... mas Grande Filósofo

Fato interessante aconteceu comigo e possivelmente terá acontecido com outros motociclistas. Mas como dizem que se dois fazem a mesma coisa não é a mesma coisa, então, se a coisa não tiver acontecido da mesma forma, poderá ter acontecido de maneira parecida.

Assim sendo, contarei meu caso e vejamos se a mesma coisa é a mesma coisa. Ou não...

Minha Primeira Motocicleta

Como terei confirmação se essa motocicleta que escolhi é realmente a minha motocicleta?

Antes de comprá-la olhei várias outras, admirei algumas, cheguei até a fazer (test-drive) com uma ou outra, porém só descansei quando me encantei com ela. Até parece que o destino aguardou um tempo para apresentar-nos depois da cansativa procura

Pelo Cemitério... Não!!!

Oriundos do Rio de Janeiro a fim de vermos o carnaval em Recife, o que realmente aconteceu, eu e o garupa estamos agora em Campina Grande-PB, especialmente para cumprir promessa que fizemos a duas moças em Ibimirim-PE, quando por lá pasamos e com elas tivemos delicioso romance.

Estavam elas há vários anos na casa da madrinha de ambas, em Ibimirim, e agora queriam voltar para suas mães. Mas temerosas que estavam por irem direto às casas de suas repectivas mães e não serem por elas aceitas, não teriam mais onde ficar por não poderem mais voltar para a casa da madrinha. E para piorar a situação, antigamente a comunicação era muito difícil, principalmente no interior.

Antigas “Borboletas”

Antes da vistoria anual, atualmente feita em obediência ao estabelecido pelas normas de trânsito quanto ao excesso de ruído nas descargas dos veículos, havia um artifício que alguns poucos motociclistas adotavam (eu adotei) e acho interessante contar:

No cano de descarga da minha motocicleta AJS 500cc, 1 cilindro, adaptei dispositivo feito por hábil lanterneiro (funileiro para paulistas), a fim de aumentar e/ou abafar o ronco da descarga.

Nome: “Borboleta”.

O Touro Ciumento

Passagem curiosa aconteceu quando eu e o garupa viajávamos de moto por estrada de terra através de pequenas cidades do interior. Estrada pouco movimentada, mas bastante acidentada com costelas e buracos. Sem pressa, passávamos por chácaras, sítios e fazendas.

Esse cenário que presenciávamos era maravilhoso por ser diferente do habitual, tendo em vista que na cidade o que impera são construções de cimento, onde pouca natureza fica à vista.

Com as calças na mão

Com muito pouco dinheiro nos bolsos e depois de comer bastante poeira, a noite já tinha chegado. Entramos em uma pequena comunidade próxima da estrada e vimos um pequeno barraco aberto e com a luz acesa. Era uma estrebaria. Parei, estacionei a moto e entramos. Encontramos um senhor que estava tratando de jegues e cavalos. Chegando até ele perguntamos onde seria possível eu e o garupa comermos alguma coisa que não fosse cara, pois tínhamos pouco dinheiro.

Dia de socorrer veículos

Se as estradas por nós percorridas na Bahia eram ruins, esta agora é péssima, tanto que, logo, logo, o pneu traseiro furou novamente e tivemos de consertá-lo.

Mais adiante entramos num povoado de nome Mirim, fizemos uma parada para esticarmos um pouco as pernas, deixamos a moto junto à estrada e caminhamos por algumas ruelas apenas por curiosidade para ver o que havia. Casualmente encontramos um acanhado barzinho onde o cozinheiro havia preparado uma rabada com agrião e polenta e que cheirava maravilhosamente bem.

Um Tombo Inusitado e Hilário

Outro dia fiz comentário sobre a utilidade dos tombos e isso fez-me lembrar de um bem inusitado e hilário que eu e o garupa levamos no estado da Bahia. 

Quando o fato aconteceu estávamos no ano de 1960, embaixo de chuva, trafegando por estrada de terra enlameada e voltávamos de Campina Grande-PB para Rio de Janeiro, e como poderão ver “após termos passeado tranquilamente pelo paraíso durante 41 dias”.

Uma boa ação

As enchentes que arrasaram várias cidades do meu Rio de Janeiro e o tsunami no Japão, trouxeram-me à lembrança passagem de uma das minhas aventuras realizada em 1960 e que está descrita no meu original "Motociclistas Invencíveis". Para que seja possível entender o ocorrido na cidade de Imbuíra-BA, abaixo narrada, faço uma introdução explicando o por quê da aflitiva situação na época quando voltava da Paraíba-PB para o Rio de Janeiro-RJ, numa viagem que durou 41 dias.

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