Livro sobre viagem de moto pelo Brasil

Fins dos anos de 1950, verdadeira ‘deusa da beleza’ sai de Itabuna (BA) vai para o Rio de Janeiro e namora um motociclista. Mas eis que repente, sem mais nem menos, num belo dia ela desaparece sem deixar vestígios.

Seu namorado (junto com amigo que levou na garupa da moto) sai através estradas de terra a fim de procurá-la em Itabuna.

Por questão de orgulho, piloto não querendo que soubessem ser esse o seu desejo, alegou querer ir do Rio de Janeiro até Recife (PE), de moto, para ver o carnaval naquela cidade e como seria o caminho até lá.

Mas seu real desejo estava na esperança de, passando por Itabuna, encontrar sua linda ‘deusa’ de carne e osso. Entretanto as coisas não transcorreram exatamente como ele havia planejado devido agradável incidente de percurso ocorrido com duas moças em Ibimirim (PE), onde se envolveram num sério compromisso. Em razão disso, a viagem que seria até Recife (PE) acabou se estendendo até Campina Grande (PB).

Na ocasião o piloto era solteiro, na faixa dos 20 anos de idade e até empresa possuía juntamente com um sócio. Sócio que nascera na cidade de Catu (autêntico sertão baiano) e que alguns anos antes viajara de ônibus para o Rio de Janeiro a fim de tentar vida nova numa cidade grande. Por se conhecerem trabalhando juntos na venda externa de livros tornaram-se grandes amigos e criaram a Livrolândia Editora Ltda.

Ao contar para esse sócio o desejo de ir até Recife (PE), de motocicleta, para conhecer o carnaval local, surpreso com a notícia o sócio falou:

“Por acaso você ficou maluco? Por que não pega um avião aqui no aeroporto do Rio e vai para lá, já que tem dinheiro para isso. Está falando que vai viajar pela Rio–Bahia porque não sabe como ela é. Eu a conheço muito bem e sei ser perigosíssima. Olha, para início de conversa, ela é toda de terra, muito deserta, sem qualquer recurso de socorros imediatos, pouquíssimos Postos de gasolina, com cidades e povoados muito distantes uns dos outros. Não é como aqui no Rio com ruas pavimentadas e sinalizadas onde se encontra restaurantes, bares, farmácias, quitandas, armazéns (na época, Supermercados não havia), tudo isso bem próximo um do outro. Na estrada Rio-Bahia não tem nada disso a não ser muita terra, buracos, pedras, que irão danificar a motocicleta. Tem também muito barro, poeira e caatinga nos dois lados da estrada, sem falar do sol escaldante ou então da chuva com enchentes de não deixar andar na estrada devido atoleiros e deslizamentos de barreiras. Então, quando você chegar em Minas Gerais e sentir as forças danosas da estrada e estando a moto ainda andando vai voltar correndo para o Rio, para o asfalto com o qual está acostumado.”

Os Preparativos

Como em toda viagem o fundamental é ter tudo devidamente preparado a fim de evitar desagradáveis paradas para inesperados consertos, piloto tratou de providenciar tudo da seguinte forma:

Primeiramente conseguiu mapa das regiões Sudeste/Nordeste, que na época Postos de Gasolina distribuíam gratuitamente. Por aí dá para saber a maravilha de mapa que, embora não representasse grande coisa, era o que havia e teve sua utilidade.

Por haver necessidade em dar uma ‘geral’ na moto, substituindo o que estivesse gasto e consertando o que fosse necessário e por haver também adaptação a ser feita para colocação de bolsas e maletas, piloto tomou duas iniciativas:

Primeiro foi à oficina mecânica do amigo Andréa. Contando-lhe da viagem, pediu que examinasse a moto a fim de saber o que seria necessário fazer para ela poder enfrentar viagem até Recife (PE), ida e volta.

Enquanto fazia a verificação e os devidos reparos, o mecânico pergunta sobre as ferramentas que o piloto levaria. Depois de o piloto descrevê-las, o mecânico indagou:

“E o saca-pneu (duas ferramentas pequenas, próprias para sacar a câmara de ar do pneu), você não está levando? E se furar pneu na estrada, como irá sacar a câmara para poder consertar ou trocá-la, tendo em vista a dificuldade em achar socorro nessa estrada deserta?”

É mesmo disse o piloto. Foi realmente um terrível esquecimento. Em seguida o mecânico foi até seu ferramental e de lá retirou algo de uma caixa e voltou presenteando o piloto com duas pequenas ferramentas para sacar câmaras furadas. Eram os saca-pneus.

Após os consertos feitos, piloto foi então procurar o amigo Fernando, lanterneiro de carros e também companheiro de patinação acrobática num rinque da Quinta da Boa Vista, para que adaptasse um bagageiro.

Abaixo estão os procedimentos:

  1. Colocar um bagageiro (estrado) sobre o para-lama traseiro sem prejudicar a suspensão elástica.
  2. Fixar pequenas barras de ferro na traseira (uma de cada lado da moto) a fim de suportarem duas pastas com alças. Nelas iriam ferramentas, materiais para consertos e imprevistos que pudessem ocorrer na estrada.

Ao comentar com o companheiro Fernando, sobre a viagem, imediatamente ele se ofereceu para ir como garupa alegando que seria útil pelo fato de ajudar em algum imprevisto de solda difícil que pudesse ocorrer no caminho e até mecânica faria porque seu trabalho também exigia um pouco dos conhecimentos de mecânica. Sem falar da minha agradável companhia... Completou ele, brincando.

Mediante o interesse do amigo e ajuda que certamente prestaria, o piloto concordou.

Uma verdade fica aqui registrada: sem a colaboração desse amigo durante a viagem, essa aventura não teria sido concluída. Mais adiante, no curso da narrativa, isso ficará claro.

Motociclistas Invencíveis

Semanalmente vamos publicar, aqui no Viagem de Moto, capítulos do livro Motociclistas Invencíveis, romance extraído de uma viagem com moto ocorrida em 1960.

Conduzindo na garupa da moto um amigo, piloto sai do Rio de Janeiro por estradas de terra a fim de encontrar sua linda namorada, que saindo de Itabuna (BA) para morar no Rio de Janeiro, de repente, da noite para o dia, desaparece sem deixar rastros. Chegando a Itabuna, piloto descobre que ela fugia de assassinos (contratados para matá-la), pelo fato dela ser testemunha do assassinato de seu pai, ex-cacaueiro na região.

Por acontecerem muitas aventuras e novos amores pelo caminho, foram até a Paraíba.

Enfrentaram sol, poeira, chuva e lama. Ajudaram, foram ajudados, acontecendo inclusive que, por levarem uma garota (estava num leito de morte) entre eles dois até ao hospital, salvaram sua vida. Em si, a história mostra como eram os motociclistas Nos Deliciosos Anos Dourados.

Comentários (1)

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No transcorrer da história (será colocada em partes) estarei ao dispor para esclarecer dúvidas dos leitores e se possível prestar alguma informação à respeito.

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