Pilotas urbanas e suas scooters

Venho aqui parabenizar e defender o estilo de dirigir da mais nova classe de corajosas motociclistas que floreiam as ruas da cidade que eu moro: as felizes usuárias de scooters na capital do Estado de São Paulo. São muitas que encontro diariamente no meu caminho, sempre charmosas. E o charme começa na posição de pilotagem, que dá a impressão de estarem sentadas em frente à mesinha da manicure fazendo as unhas, passando pela maneira cuidadosa de se portar ao guidão e o charme de suas bolsas a tiracolo.

São meninas de fibra, dignas de respeito e admiração, pois tenho amigas do interior que, quando vêm pra São Paulo de carro, passam o volante para outro motorista com receio do trânsito caótico e violento da cidade. Mas não é exatamente respeito que elas recebem de seus colegas, na grande parte, moto fretistas apressados para-não-sei-o-que e correndo não-sei-de-quem. São empurradas, fechadas, e levam buzinadas. Aguentam firmes e com classe a pressão desses rapazes mal educados e, algumas vezes, sobre um salto alto.

Fui durante muito tempo uma delas. As pessoas veem uma figura frágil, no comando de uma moto simpática, vestida em trajes não convencionais para um motociclista, e logo acham “bonitinhas”. Quando não pensam se tratar de alguém iniciante e inexperiente, por estar conduzindo a “motoquinha” de maneira mais prudente do que eles.

Tudo pode ser devidamente explicado pela física: as scooters de baixa cilindrada têm rodas muito menores do que as demais motocicletas (média de 10 polegadas) e isso exige uma maneira totalmente diferenciada de condução. Quanto menor o diâmetro da roda, menos estável é o veículo. E a estrutura de frenagem e resistência aos buracos consequentemente seguem essa fragilidade. Traduzindo em miúdos: as rodas pequenas exigem maior equilíbrio em baixa velocidade e maior concentração de frenagem traseira por conta da concentração do peso estar nesse lado. E os apressadinhos acham que as meninas estão inseguras por seguirem as leis da física...

Mas os singelos rapazes apressados não entendem de física. Entendem de acelerar, somente. Portanto, dê passagem e ele mantenha-se poderosa em seu salto e siga seu caminho com a prudência comum aos seres com instinto materno. Agora, quando virem mulher e sua scooter, elogie, dê passagem e tenha orgulho. Não é nada fácil sobreviver numa cidade grande com uma moto pequena.

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