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Formação

  • Categoria: Caetano De Genaro
Texto sobre motociclismo

Algum site de relacionamento, um fórum técnico especializado, indicação de um amigo ou sei lá como, o interessante é que várias pessoas que nunca se viram e jamais tiveram qualquer contato no mundo físico, acabaram se tornando amigos e até com bastante intimidade.

Como esse havia sido o foco de sua busca na internet, todos tinham em comum a admiração ou o interesse por motocicletas. Seja por mera curiosidade, por sua mecânica, por sua agilidade, pelas viagens cujas histórias sempre pareciam épicos românticos, alguns fascinados por uma marca específica, outros por um estilo, enquanto havia vários que simplesmente amavam rodar em suas motos.

Essa era a temática das conversa e discussões calorosas desenvolvidas naquela comunidade virtual. Motos, motos e motos...

Mas com o tempo, os assuntos derivavam, as opiniões pessoais passavam para o plano moral, político, social e até mesmo familiar. Aos poucos todos iam conhecendo-se e aprendendo a se relacionar. Aquele mundo virtual passava a fazer parte de suas vidas. Parecia loucura, mas depois de muitos anos, apareciam novos amigos que não representavam perigo no mundo real, que não poderiam prejudicar ou molestar uns aos outros, amigos com os quais podia-se estar apenas quando quisesse e sem negligenciar atividades rotineiras, sem despertar ciúmes. Não importava muito quanto dinheiro ou qual cargo tivesse, suas palavras teriam o mesmo destaque que as dos demais.

Evidentemente, pessoas com idéias, condição social, educação e experiências parecidas acabavam se tornando mais próximas, formando grupos menores e mais afins. Passaram a trocar e-mails particulares, comentar assuntos pessoais, dar e ouvir conselhos. Fotos e fatos do passados, projetos e anseios do futuro, problemas e alegrias do presente eram compartilhados. Cada qual podia escolher os aspectos de sua personalidade que preferia ressaltar, desenvolver relacionamentos baseados em valores novos, pois não havia uma bagagem de passado que os vinculasse.

Enfim, o interesse aumentado, tanto contato diário, por que não marcar um encontro no mundo real ? Por que não organizar um pequeno evento que reunisse todas essas figuras que agora já eram tão queridas ?

A idéia parecia ter surgido de todos os lados ao mesmo tempo, tal foi a adesão e a fervilhante troca de opiniões sobre local, data, horário, etc... Teria que ser num dia onde o maior número de pessoas estivesse livre para comparecer e num local onde fosse fácil chegar e as motos fossem bem-vindas. Também teria que oferecer algum conforto e acomodação, talvez até uma boa refeição...

Alguns poucos já se haviam encontrado casualmente de domingo num grande posto de abastecimento de estrada que era muito freqüentado por motociclistas. Reconheceram-se pelas fotos que haviam sido expostas na internet e logo se identificaram. Este posto pareceu a sugestão ideal e o domingo pela manhã o momento mais indicado. Seria legal, pois todos poderiam tomar um bom café juntos e depois cada qual voltaria para o almoço em família. Perfeito !

Tudo marcado e a ansiedade era grande. Algumas esposas já mandaram avisar que se agregariam, pois também estavam curiosas em conhecer esse “bando de malucos” dos quais os maridos tanto falam e cujas conversas elas declaradamente já andaram bisbilhotando. O evento seria realmente festivo. Mas... como se reconheceriam e se agrupariam ? Simples: Amarrariam uma tira de flanela alaranjada no guidão da moto. Parecia ridículo, mas funcionaria. O importante é que o domingo logo chegaria.

E o domingo chegou !

As motos lotavam aquele posto e era difícil encontrar um lugar pra estacionar. Procurar as flanelinhas então ? quase impossível. O negócio era parar onde desse e sair andando, “campeando” na tentativa de localizar os companheiros. Nem demorou tanto, pois logo duas motos foram avistadas e ao se acercarem delas, Pedro e Luiza foram recebidos por João Carlos e o casal Helena e Mário. Pedro foi buscar sua moto para acomodá-la no lugar que estava reservado e quando chegou, já encontrou mais outras duas motos, identificando imediatamente seus condutores. Abraços eram trocados com uma franqueza de amigos velhos, com a emoção de um reencontro e logo o papo caloroso se alastrava pelo grupo que se reconhecia. Mais amigos se ajuntavam. Cada nova moto que se agregava era detalhadamente inspecionada e verificada enquanto exibida orgulhosamente por seu proprietário que fazia absoluta questão de expor cada detalhe da “customização”.

Passada uma hora, concluíram que ninguém mais chegaria e resolveram entrar na lanchonete, onde tomaram vários cafés, sucos e lanches. O tempo passava rápido e imperceptível e somente quando um celular tocou , com uma esposa furiosa do outro lado, é que se deram conta de que já passava da hora do almoço. Tinham que se despedir.

As despedidas foram precedidas por muitas fotos, algumas trocas de lembrancinhas que alguns carinhosamente trouxeram, abraços e promessas de próximos encontros dominicais, possivelmente com mais tempo, propiciando almoços ou seja lá o que for. O que tinha que ficar acertado é que aquele seria apenas o primeiro de muitos eventos que esse novo grupo faria.

O grupo montado saiu esboçando uma formação que logo se configurou nos primeiros metros de estrada. Foi um orgulho geral ver-se participante daquela tropa que seguia ordeira, firme e feliz pela estrada.

E embora todos estivessem ansiosos por colocar na internet suas fotos e impressões daquela memorável experiência, certamente a maior ansiedade vinha da perspectiva real de que novos e mais intensos encontros os aguardavam.

Comentários (2)

  1. andressa font...

POESIA<br /> EU A CHUVA E MAIS NINGUÉM<br /> <br /> CHUVA VAI, CHUVA VEM<br /> PARECE NÃO PARAR A NINGUÉM<br /> TALVEZ Á AQUELE SENTIMENTO<br /> DE LEMBRAR DE ALGUÉM, O QUE <br /> O DESTINO, LEVOU TAMBÉM, SONHO<br /> TRISTE E UM POUCO ENFADONHO,<br /> QUE ENSISTE EM INTRISTECER<br /> QUEM UM DIA JÁ FOI MAIS DO QUE<br /> RISONHO.

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