Artur Albuquerque

Voando na tempestade - mais uma lição

A fim de extirpar o agravante emocional provocado pela sequência de situações semelhantes de intensidades progressivas a que fomos submetidos com as nossas 6 Ultras com garupas e bagagem sobre o tourpac, naquele início de novembro de 2016, quando transitávamos pelas grandes retas entre Buenos Aires, Santa Rosa, Neuquén e San Carlos de Bariloche, que exacerbou nossas impressões sobre as velocidades das motos e dos ventos, tenho procurado me amparar em dados e fatos para poder, além de respaldar a técnica de superação utilizada, avaliar a real dimensão do que aconteceu naqueles dias de viagem, até então, com destino a Ushuaia.

Além das Espécies

Em breve, estaremos novamente na estrada. Dentro de mais alguns poucos dias, voltaremos a ser um só. Então, este antigo coração deixará de existir e no seu lugar trovejará um poderoso Twin Cam, pulsando, indefinidamente, como um insaciável devorador de horizontes. Como de costume, meu corpo já bem fragilizado pelo tempo será novamente blindado com as centenas de quilos de seu metal e juntos seremos algo muito maior e bem melhor do que somos, individualmente, até chegarmos a mais um final.

Harley-Davidson Brasil Challenger - CBM Prova Hiperação

Eram 19h30 de sexta-feira, quando estacionei a Electra no posto BR, próximo ao condomínio Mandala, na avenida das Américas, a fim de esperar os amigos Newton Valle e Aloísio Bindemann, enquanto me preparava para iniciar a prova. A previsão era de chuva durante todo o roteiro, que tinha Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Belo Horizonte como referências, fechando o circuito com o retorno ao Rio. Nesse roteiro, um percurso de no mínimo 1.609 km deveria ser feito em 24 horas para possibilitar aos quase 50 Harleyros das cidades citadas a certificação da Confederação Brasileira de Motociclismo no CBM Hiperação 1.500 Km, assim como no Iron But 1.000 Miles americano.

Tributo aos anjos da garupa

Durante um desses fins de semana, partimos do Rio de Janeiro para realizar uma viagem de moto para o interior das terras encantadoras de Minas Gerais, no rumo de Paraguaçu, abandonando a BR-101 para subir a serra, a oeste do Pico das Agulhas Negras.

A sucessão de curvas ascendentes e descendentes da BR-354 assusta muita gente, porque tem grau de dificuldade infinitamente superior a famosa Tail of The Dragon, nas Smoking Moutains dos EUA. Além de maior número de curvas de diferentes níveis de complexidade, a boa pista é em mão dupla e para aumentar a adrenalina dos motociclistas, os construtores espalharam depressões no meio de algumas curvas fechadas, que fazem as motos empinarem como touros brabos, querendo sair pela tangente da estrada. E para apimentar a pilotagem, ainda é preciso muita atenção ao ultrapassar os rastejantes caminhões, pois os veículos que vêm em mão contrária não contam com acostamento para perdoar uma má ultrapassagem.

Asas abertas

Creio que todo motociclista tem uma paixão comum pela liberdade. Uma afinidade que os une, os diferencia e os liberta da monotonia imposta pelo cotidiano, ao proporcionar o prazer de pairar sobre as estradas, integrando a sinfonia do vento, sob a percussão dos motores de suas máquinas.

Cada curva, cada paisagem ou cada novo horizonte que se descortina numa boa estrada, proporciona prazer e emoção, reforçando a certeza de que é muito bom estar sempre indo, sozinho ou em boa companhia, sendo a chegada uma mera consequência.

Boa Esperança

Há três longos dias de ansiedade, a bagagem já estava pronta sobre o sofá da sala, para a viagem de moto, do Rio de Janeiro a Boa Esperança – MG, a fim de participarmos do bate&fica do HOG BH. Na hora da partida, eu e Claudia acordamos cedo e logo estávamos largando a embreagem. A expectativa de 500 km de estrada e de frio na serra da Mantiqueira justificava o pelego (pele de ovelha – solução de conforto, que aprendi com os amigos do Sul), cobrindo o banco da moto.

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