De volta aos caminhos do Himalaia

Viagem de moto solo realizada pelo motociclista brasileiro Rômulo Provetti pelas estradas mais altas do mundo na região de Ladakh, no Himalaia indiano, entre o Tibete e o Paquistão, pilotando uma Royal Enfield Classic 350cc.

10º dia - Leh

Assim que acordei, fechei a conta do hotel, coloquei a bagagem na moto e fui para a loja de aluguel de motos para trocar a que eu estava por outra com placa local. Na verdade a moto nem placa tinha, o rapaz escreveu com pincel atômico um número de registro no espaço onde ficaria a placa. Tudo acertado sem burocracia, sem documentos, apenas no "fio do bigode". A única garantia que eles tinham era uma cópia do meu passaporte.

11º dia - Leh - Spangmik

Com a permissão na mão, finalmente poderia continuar minha viagem de moto pelo Himalaia. Sem a permissão não conseguiria alcançar o principal objetivo dessa viagem que era percorrer as estradas e as passagens de montanha mais altas do mundo, que ficam na região de Ladakh.

12º dia - Spangmik - Hunder

Meu plano para esse dia incluía um giro pelas margens do Pangong Tso e uma ida até Marsimik La, uma passagem de montanha a 5.777 metros de altitude (18.953 pés), que fica na divisa com o Tibete. Eu tinha informação de que a estrada que leva ao lugar era controlada pelo exército e o acesso era restrito. Além disso, era isolada, extremamente ruim e complicada de percorrer com uma moto, mas eu estava disposto a enfrentar mais esse desafio.

13º dia - Nubra Valley

Enquanto elaborava o planejamento para a essa viagem de moto e lia sobre o Nubra Valley, um dos lugares que mais aparecia era Turtuk, um vilarejo entre as montanhas do Himalaia, encravado entre a Índia e o Paquistão.

14º dia - Hunder - Leh

Aguardei esse dia com ansiedade por mais de dois anos porque nele eu conquistaria o principal objetivo dessa viagem: alcançaria Khardung La, a passagem de montanha mais alta do mundo. Ela fica entre o Nubra Valley e Leh, em Ladakh, Himalaia.

15º dia - Leh - Karzok

Para chegar ao Tso Moriri eu tinha duas opções: passar pela vila de Kiari e pela passagem de Chumatang ou pela estrada pela qual eu cheguei a Leh, onde transpunha a passagem de Taglang La, a 5.328 metros de altitude, e depois de da vila de Debring pegar a estrada para Sumdo. Algumas pessoas com quem conversei me disseram que a estrada por Chumatang estava muito ruim e me aconselharam não seguir por ela.

16º dia - Karzok - Leh

Era hora de voltar para Leh, o que me dava, pela primeira vez durante a viagem, uma preguiça danada de ir para a estrada. Teria que percorrer o mesmo caminho por onde tinha passado no dia anterior para chegar a Karzok. O russo que conheci no dia anterior me disse que veio pela outra estrada e ela era horrível e sem atrativos.

17º dia - Leh - Sarchu

Apesar de ainda ter muitos dias de viagem pela frente e muito para ver e conhecer, a sensação era de fim de viagem, porque nesse dia eu iniciaria o retorno para o sul e deixaria definitivamente a região de Ladakh. Tinha pela frente um dos trechos mais conhecidos e difíceis do Himalaia. Seriam três dias para percorrer os 480 km que me separavam da cidade de Manali.

18º dia - Sarchu - Keylong

Foi uma noite terrível, não só pelo desconforto do lugar e o frio intenso, mas principalmente pelo incômodo que as dores no ombro causavam. Tive dúvidas inclusive se conseguiria continuar viagem e também se valia a pena. Ainda tinha muitos quilômetros para percorrer, alguns deles por estradas complicadas.

19º dia - Keylong - Manali

Dormi quase que a noite inteira, apesar das dores no ombro e costas persistirem. Quando acordei, não tinha energia elétrica no hotel. O tempo estava bom e a temperatura agradável. Fiz um lanche e às 7h30 estava iniciando a viagem. O destino era Manali, cerca de 70 km de distância, com passagem pelo Rohtang Pass.

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