Dormi quase que a noite inteira, apesar das dores no ombro e costas persistirem. Quando acordei, não tinha energia elétrica no hotel. O tempo estava bom e a temperatura agradável. Fiz um lanche e às 7h30 estava iniciando a viagem. O destino era Manali, cerca de 70 km de distância, com passagem pelo Rohtang Pass.

Passei pelo posto de gasolina em Tandi e abasteci o tanque da moto. Estava me sentindo bem por causa da boa noite de sono. Mesmo depois de tantos dias na estrada, não me sentia cansado.

Já tinha feito esse percurso um ano antes com o Rafael (veja aqui o relato), mas era tudo muito diferente do que eu lembrava. Parecia que os trechos que um ano antes estavam excelentes, agora estavam péssimos. E outros que eram muito ruins, agora tinham um ótimo e novo asfalto. Tudo por causa da instabilidade do terreno, que não permite que as estradas feitas com baixa qualidade durem muito tempo.

Também não reconhecia as casas e prédios ao longo da estrada. Não me lembrava de tê-los visto antes. Mas segui em frente, confiante de que estava no caminho certo. A paisagem mudeou muito. Até ontem eu passava por lugares com altitudes acima de 4 mil metros, terrenos arenosos e quase nenhum verde. Hoje eram montanhas cobertas com florestas de cedros, tudo muito mais colorido. Estava na borda do Himalaia.

Viagem de moto pelo Himalaia

Muitos trechos bons e outros muito ruins. Crianças e mulheres trabalhando na manutenção da estrada, quebrando pedras, carregando sacos de terra e varrendo a areia espalhada pela pista.

Passei por muitos motociclistas pilotando suas Royal Enfield, vestidos como personagens de Mad Max. Encontrei com um deles quando tinha parado para tirar fotos. Ele parou ao meu lado para pedir referências. Vinha de Manali e ia para o Spiti Valley. Disse a ele que devia ter passado do lugar onde deveria pegar a estrada para Kaza, mas na verdade eu quem tinha passado pelo lugar e não tinha me dado conta. Já começava a subir a montanha para passar pelo Rohtang Pass. Só percebi quando começou o looping, trecho onde a estrada faz várias idas e vindas em curvas sucessivas de 180º. No ano passado estava com um asfalto coberto de areia, nesse dia não havia asfalto, somente um cascalho ruim, muitos buracos, barro e poças d'água.

Viagem de moto pelo Himalaia

Cheguei ao cume (3.979 metros de altitude) pouco depois das 11h. O tempo estava bom e por isso o lugar estava lotado de turistas. Como é a passagem de montanha mais próxima do sul do país, é bastante acessível e frequentada por indianos que vão para o lugar à procura de neve. No ano passado chovia fino quando eu e Rafael passamos por aqui e tinha praticamente só nós no lugar.

Tirei fotos junto ao Stupa e quando fui até o marco, tinha fila para fotografias. Fiz sucesso com os que estavam no lugar, que queriam tirar fotos comigo e com a moto. As perguntas de sempre: de onde eu era, de onde estava vindo, para onde ia e a expressão de surpresa quando eu dizia que estava viajando sozinho.

A descida foi mais complicada por causa do movimento de carros e caminhões, que era intenso, bem como por causa de obras na estrada.

Viagem de moto pelo Himalaia

Quando estava chegando a Manali começou a cair uma chuva fina. Passava pouco das 2h da tarde. A ponte que atravessa o rio Beas e leva à cidade cabe apenas um carro e havia uma fila enorme para atravessá-la. Esperei mais de 5 minutos e acabei ultrapassando os carros que esperavam e entrei junto com outros motociclistas por um estreito espaço entre os carros que vinham no sentido contrário e a grade de proteção da ponte.

Começei a procurar o mesmo hotel que tinha ficado um ano atrás, mas acabei não encontrando e peguei um outro, depois de muita negociação. Tinha planejado visitar alguns templos em volta da cidade, mas por causa das dores, que ainda eram intensas, acabei desistindo e ficando no hotel o restante da tarde e à noite.

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