Meu plano para esse dia incluía um giro pelas margens do Pangong Tso e uma ida até Marsimik La, uma passagem de montanha a 5.777 metros de altitude (18.953 pés), que fica na divisa com o Tibete. Eu tinha informação de que a estrada que leva ao lugar era controlada pelo exército e o acesso era restrito. Além disso, era isolada, extremamente ruim e complicada de percorrer com uma moto, mas eu estava disposto a enfrentar mais esse desafio.

Na permissão que eu consegui em Leh estavam listadas as regiões que eu poderia visitar em Ladakh, com os nomes das cidades e passagens de montanha e não constava Marsimik La, por isso, na noite anterior, eu tinha perguntado para o Sonan, dono das tendas onde eu estava hospedado o que deveria fazer. Ele ficou de verificar na base do exército que existe na cidade e me falar. Assim que nos encontramos de manhã ele me disse que eu não poderia ir até o lugar porque era fechado para civis e nem mesmo indianos podiam acessá-lo. Por isso acabei desistindo de ficar mais um dia em Spangmik. O vento frio que entrou na tenda durante a noite me fez sentir muito frio, mesmo dentro do saco de dormir, que segura temperatura de até 0º C e debaixo de quatro cobertores grossos. O frio foi tão intenso que os pequenos cursos d’água próximos à tenda que desaguavam no lago estavam completamente congelados naquela manhã, como pode ser visto em uma das fotos.

Durante o lanche conversei com um monge tibetano do monastério de Thiksey, que estava viajando pela região. Foi difícil entender o seu nome, então ele me disse para chama-lo de James. Assim era mais fácil.

Viagem de moto pelo Himalaia - Ladakh - Nubra Valley

Tirei algumas fotos do belo lago e depois arrumei a bagagem na moto, paguei a hospedagem, despedi dos amigos de Calcutá e somente por volta das 10h consegui ir para a estrada, que no início era a mesma que tinha passado no dia anterior para chegar a Spangmik.

Parei em um lugar às margens do lago onde a estrada sobe a encosta de uma montanha para apreciar a paisagem e tirar fotos. Apesar da falta de verde e de vida, o lugar é realmente fantástico.

Alguns quilômetros depois passei por um lugar alagado e salpicado de capim seco onde havia vários iaques, o boi peludo do himalaia. Também passei por uma grande criação de ovelhas espalhadas pela encosta de uma montanha, aparentemente buscando resquícios de vegetação para se alimentar.

Duas horas e 50 km depois de iniciada a viagem eu cheguei a Durbuk, onde peguei a estrada que me levaria até o Nubra Valley. Apesar do aviso que recebi dos motociclistas no dia anterior, de que a estrada estava muito ruim, resolvi arriscar e seguir por ela, pois significava um dia a menos de viagem em relação ao percurso por Leh.

A partir de Durbuk a estrada estava bem mais deserta, mas as condições eram melhores que eu tinha imaginado. Em Shyok a estrada passou a acompanhar o rio Shyok, com águas azuis muito bonitas que desciam pelas rochas em corredeiras.

Viagem de moto pelo Himalaia - Ladakh - Nubra Valley

Alguns quilômetros depois a estrada desceu das encostas das montanhas e passou a percorrer, literalmente, o leito do rio. E aí as coisas começaram a complicar. Alguns trechos curtos ela até era coberta com uma fina e estreita camada de asfalto, recentemente aplicado, mas completamente irregular, fazendo com que a moto pulasse como um cabrito. Parecia que não tinham preparado o piso, simplesmente passaram o asfalto sobre um trecho do rio que parecia o mais plano. A maior parte do percurso era sobre areia e pedras redondas de fundo de rio, algumas delas enormes e difíceis de transpor.

Quando cheguei ao Nubra Valley, a estrada melhorou bastante. Passei pela cidade de Diskit, onde aparentemente havia bons hostels, mas segui em frente até que pouco antes das 17 horas cheguei a Hunder, uma pequena vila, onde procurei e encontrei um hostel muito bom, cuidado por um nepalês e um garoto engraçado de Bangalore, que falava alto e sem parar na língua dele e eu não conseguia entendê-lo. Tinha lá hospedada uma família de Mumbai muito interessante, com quem conversei bastante durante o jantar. O grande problema era a energia elétrica, que frequentemente faltava na vila.

Foram os 194 km com a estrada mais complicada para percorrer até aquele momento.

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