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Viagem de moto pelo Himalaia

Viagem de moto pelo Himalaia

Tudo começou em 2014, quando um amigo, Rafael Barata, me convidou para fazermos uma viagem de moto pelo Himalaia indiano. Planejamos a viagem por vários meses e quando fomos realizá-la, em setembro de 2015, descobrimos que tínhamos subestimado as condições das estradas que iríamos percorrer na região da Caxemira, fronteira com o Paquistão. Eram algumas das estradas mais perigosas e difíceis do mundo, que nos impuseram grandes desafios e acabamos não conseguindo completar o percurso planejado.

Esta história está contada na seção A caminho do Himalaia (http://viagemdemoto.com/himalaia). Se não a conhece, recomendo lê-la antes de prosseguir.

Além da região da Caxemira, tínhamos incluído no nosso roteiro a região de Ladakh, ocupada pela Índia e próxima às fronteiras com o Paquistão, Nepal e Tibete (China), onde se encontram as passagens de montanha e as estradas mais altas do mundo abertas ao público onde é possível passar com um veículo sobre rodas, algumas com mais de 5 mil metros de altitude, dentre elas Khardung La, a passagem mais alta do mundo, 5.602 metros acima do nível do mar.

Voltamos para o Brasil sem ter realizado parte do que tínhamos planejado. Nos meses seguintes àquela viagem não tirei do pensamento as estradas que não percorremos. Queria voltar e conhecer a região.

Por causa das condições climáticas, a região só pode ser visitada em poucos e específicos meses do ano. Como o companheiro da primeira viagem não podia retornar devido a compromissos, e para aproveitar a janela climática, acabei realizando sozinho uma nova viagem. Fui para Nova Délhi, capital da Índia, onde aluguei outra moto do mesmo modelo da que havia usado anteriormente, uma Royal Enfield Classic de 350cc, mas dessa vez era nova e com pouco uso, fabricada em 2016.

Nessa viagem, realizada entre setembro e outubro, percorri 4.524 km e conheci algumas das paisagens mais bonitas do Himalaia e ainda pouco exploradas pelos motociclistas do ocidente, percorri estradas estreitas e não pavimentadas, em regiões de altitudes extremas e temperaturas idem.

A viagem foi planejada por mais de um ano, período durante o qual estudadei as alternativas de percurso, as motocicletas e os equipamentos que precisaria, principais atrações da região, estradas, locais de pernoite e as maiores dificuldades que poderia encontrar ao longo dos caminhos a serem percorridos. A roupa que utilizei para enfrentar o frio, calor, chuva, vento e neve era da X11 e as bolsas da Give.

O mapa abaixo retrata o roteiro que havia planejado percorrer nessa viagem. Você verá nos próximos dias que tive que mudar parte do roteiro, mas cumpri com todos os propósitos que havia definido para a viagem, que eram o Spiti Valley e seus monastérios budistas, percorrer as estradas mais altas do mundo na região de Ladakh, Visitar Dharanshala, onde vive o Dalai Lama, conhecer o Templo Dourado dos sikhs e a assistir à cerimônia de abertura e fechamento da fronteira da Índia com o Paquistão.

Viagem de moto pelo Himalaia - Roteiro Planejado

Poucos dias antes de iniciar a viagem, meu amigo Ankur me enviou uma mensagem para dizer que tinha conseguido alguns dias de férias no trabalho e que iria me acompanhar na viagem pelo Spiti Valley. Você tem que ter muita afinidade com quem vai viajar de moto. Além de gostar de viajar de moto e ter experiência, é indispensável ter afinidades e muita sintonia na estrada.

Viajar com um indiano, com tantas diferenças culturais e de estilo seria um grande desafio a acrescentar à minha aventura. Mas depois de alguns dias juntos na estrada descobri que nos identificávamos muito mais do que eu imaginava.

Ankur me ajudou a encontrar e alugar uma moto em Nova Délhi. Não era uma trail como eu havia pedido, mas estava bom para o que eu precisava. Na viagem do ano passado eu gostei de pilotar a Royal Enfield Classic, que se mostrou uma moto relativamente confortável e muito resistente aos difíceis caminhos que percorremos na Caxemira. E esta agora era novinha e muito bonita.

Cheguei a Nova Délhi na sexta-feira, dia 16 e no mesmo dia encontrei com o Ankur e fomos pegar a moto na loja, no Bairro de Karol Bagh.

Comentários (3)

  1. RODRIGO

Graaaaaaaaaaaaaande Provetti,

Somente agora fiquei sabendo dessa viagem.

Como digo: Quando eu crescer quero ser igual a você!

Quando saí o livro dessa aventura?

Forte abraço.

Youssef

  1. Saulo W Santos

Bom dia!

Cheguei neste relato após fazer uma pesquisa no Google sobre a Moto Roial Enfield.
Quero parabeniza-lo pelo belíssimo relato, enxuto, envolvente e inspirador!!
Sei o que é viajar de Moto no frio, ou melhor pensei que sabia até ler este relato, confesso que ao ler em alguns momentos...

Bom dia!

Cheguei neste relato após fazer uma pesquisa no Google sobre a Moto Roial Enfield.
Quero parabeniza-lo pelo belíssimo relato, enxuto, envolvente e inspirador!!
Sei o que é viajar de Moto no frio, ou melhor pensei que sabia até ler este relato, confesso que ao ler em alguns momentos tremi de frio. Porem o que mais me impressiona é que me parece você navegou sem GPS, é isto mesmo? Pior ainda é não falar o idioma local, uma duvida: O inglês é realmente essencial ou mesmo não falando o idioma local nem o Inglês a viagem seria viável?
No final do relato você passou um valor referente aos custos, com hospedagens, alimentação, aluguel da Moto combustível e manutenção e me parece que o valor total não passou dos três mil Dólares, nesse valor também estavam incluso os valores da passagem Brasil / Nova Delhi?

Agora voltando ao assunto da minha pesquisa no Google, no Brasil você compraria uma Royal Enfield? eu particularmente fiquei impressionado com as multiplas finalidades dessa Moto na Índia e principalmente no Off Road, e no Brasil você acha que os Motociclistas dariam a ela as mesmas finalidades?

Mais uma vez Parabéns pelo relato e principalmente pela qualidade e beleza das fotos!

Saulo wds

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  1. Rômulo Provetti    Saulo W Santos

Olá Saulo, boa tarde.
Foi um grande desafio, mas valeu a pena. Quanto aos seus questionamentos:
É isso mesmo, eu viajei sem GPS. Sou bom em orientação e guardei a rota inteira na memória. Sabia as estradas, vilas e cidades que deveria passar e me guiei por elas.
Não precisa ser fluente, mas é...

Olá Saulo, boa tarde.
Foi um grande desafio, mas valeu a pena. Quanto aos seus questionamentos:
É isso mesmo, eu viajei sem GPS. Sou bom em orientação e guardei a rota inteira na memória. Sabia as estradas, vilas e cidades que deveria passar e me guiei por elas.
Não precisa ser fluente, mas é indispensável falar um pouco de inglês. Pelo menos para poder pedir informação sobre lugar para comer, dormir e abastecer a moto.
O valor total que gastei foi aquele mesmo, cerca de 2500 dólares, incluindo passagens aéreas (menos de 800). Por lá é tudo muito barato. O aluguel da moto ficou perto de 13 dólares a diária.
Eu compraria a Royal Enfield se ela vier realmente para o Brasil, para ter como segunda moto, desde que o preço fosse justo (cerca de 15, no máximo 18 mil reais, eu acho).
Acho que no Brasil seria muito usada pelos amantes das motos customs, não para viagens como acontece na Ásia.
Muito obrigado e grande abraço.

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