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Tudo começou em 2014, quando um amigo, Rafael Barata, me convidou para fazermos uma viagem de moto pelo Himalaia indiano. Planejamos a viagem por vários meses e quando fomos realizá-la, em setembro de 2015, descobrimos que tínhamos subestimado as condições das estradas que iríamos percorrer na região da Caxemira, fronteira com o Paquistão. Eram algumas das estradas mais perigosas e difíceis do mundo, que nos impuseram grandes desafios e acabamos não conseguindo completar o percurso planejado.

Acordei muito cedo, perto das 4 horas da manhã e fiquei fazendo hora na cama. Quando amanheceu eu saí para uma longa caminhada pelo entorno da vila que é pequena, mas tem uma boa quantidade de hostels, casas e um belo monastério budista com paredes de pedras. Quando retornei para o hotel o Ankur estava me esperando.

Nesse dia eu tinha planejado conhecer o Ki Monastery, o mais cênico monastério budista que existe, além de outras atrações da região do entorno da cidade de Kaza, como o Sakya Tangyoud Monastery, o povoado de Kibber e alguns stupas. Assim desci do quarto, encontrei com o Ankur e ele me disse que iria conhecer o Ki Monastery comigo e depois seguiria para Manali, iniciando sua viagem de volta para casa.

Seria o primeiro dia sozinho pelas montanhas do Himalaia. Estava com um frio na barriga, como na primeira vez que fiz uma viagem de moto para o Atacama, mas seguro de que o meu planejamento era bom o suficiente para que os próximos 20 dias na estrada fossem um sucesso e todos os desafios que encontraria seriam vencidos.

Apesar do cansaço acumulado nos últimos dias, a noite não foi de descanso. O lugar era muito desconfortável e o frio foi intenso durante toda a noite. Assim que acordei, arrumei a bagagem e fui para o dhaba para comer alguma coisa. Mal entrei na cozinha, começou a nevar forte do lado de fora.

Assim que acordei, fechei a conta do hotel, coloquei a bagagem na moto e fui para a loja de aluguel de motos para trocar a que eu estava por outra com placa local. Na verdade a moto nem placa tinha, o rapaz escreveu com pincel atômico um número de registro no espaço onde ficaria a placa. Tudo acertado sem burocracia, sem documentos, apenas no "fio do bigode". A única garantia que eles tinham era uma cópia do meu passaporte.

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