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9º dia – Cuzco (PE) a Brasiléia (BR)

Temia que não houvessem postos de combustível depois de Puerto Maldonado, então eu enchi minha garrafa de 5 litros logo pela manhã e segui em frente. No posto, um peruano me falou: “- um dia você chega”. Fiquei meio intrigado. Lembrei do Atacama e do fim do mundo e disse a mim mesmo que eu posso e sou capaz de fazer esse percurso, mesmo que seja o inferno.

Cheguei às 10h na passagem de montanha mais alta de toda a viagem: Abra Pirhuayani a 4725 msnm. Ao descer e me encontrar com a Amazônia Peruana, com paisagens dignas de filmes de selva, usei meu galão e completei o tanque e já seria o suficiente para ir ao Brasil se o caminho ajudasse.

Viagem de moto Tenere Bolivia Peru

Passei por vilas na selva com matas bem fechadas, mas ainda tudo bem asfaltado. Quando cheguei a Puerto Maldonado vi uma cidade bem suja, lotada de motos e um povo pouco amistoso. Cheguei à fronteira com o Brasil às 16h com um calor digno de selva. Na aduana peruana, a recepção foi a esperada, uns mortos de fome pagando de chefe da favela, arrogantes e soberbos. Troquei meus soles ali mesmo e segui viagem. Não queria dormir em Assis Brasil, então fui até Brasiléia, que possui uma estrutura melhor.

O que posso dizer do trajeto é que tem muitos postos de combustível pelo caminho e não recomendo dormir em Puerto Maldonado por ser meio que uma cidade sem tanta lei.

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Como fiz o Caminho inverso ao de muitos motociclistas, posso dar uma sugestão de dormir em Brasiléia e atravessar a fronteira às 8 horas da manhã para chegar a Cuzco antes de escurecer, em ritmo de passeio. Essa é a melhor dica que posso dar. Não recomendo dormir no caminho.

Foram 806 km no dia.

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