Bolívia e Peru de Ténéré 250

O motociclista paranaense Fernando Araújo resolveu fazer, sem muito planejar, uma viagem com sua Yamaha Ténéré 250, tendo como destino principal a cidade inca de Machu Picchu, e o objetivo de conhecer um pouco dos mistérios da América do Sul. Foram 10.300 km de muitas aventuras, com direito a um acidente e uma costela quebrada. Acompanhe o diário dessa interessante viagem.

Bolívia e Peru de Ténéré 250

O que dizer desse dia? Depois de viajar com minha Yamaha Ténéré 250 por mais de 12 mil quilômetros para Ushuaia na Argentina, fiquei com um leve incômodo por não ter ido ao Peru e em alguns atrativos da Bolívia quando passei por lá em 2014. Praticamente não planejei essa viagem de forma minuciosa e sim, aprontei a mochila uma semana antes e decidi viajar.

2º dia – Miranda (MS) a Santa Cruz de La Sierra (BOL)

Depois de efetuar a troca do óleo e do filtro no hotel em Miranda e checar a moto, parti pela manhã rumo à fronteira com a Bolívia. Cheguei por volta das 8h10 da manhã do dia 01/08/2016 e, para minha surpresa, tinha uma fila enorme à minha espera. Mas o detalhe era que eu precisava carimbar a saída do Brasil no passaporte para poder entrar na Bolívia.

3º dia – Santa Cruz de La Sierra (BOL) a La Paz (BOL)

Fui procurar logo cedo um posto para abastecer enquanto iria pilotando pela ruta 4 sentido La Paz. Mas todos recusavam, pois precisam de uma nota diferente para registrar a venda da gasolina. O medo dos frentistas estava estampado em seus rostos, dava para ver que algo não está certo. Assim sendo, fui tocando até realmente precisar de gasolina.

4º dia - La Paz (BOL) a Puno (PE)

Este seria o primeiro dia de passeios durante o meu roteiro pela Bolivia. Já cedo saí em busca de combustível e consegui encontrar na ruta 3, que dá acesso à Estrada da Morte, também conhecida como "Camino de los Yungas", que inicia em Coroico e tem 35 km de extensão.

5º dia – Puno (PE) a Cuzco (PE)

Acordei cedo, pois sabia que teria que comprar as passagens para Machu Picchu em Cuzco e isso poderia demorar, então projetei chegar às 11h ao meu destino. Como fui lesado em 75 dólares, fiquei analisando minhas finanças no caminho para ver se faria o passeio até La Rinconada, a cidade mais alta do mundo, mas ao chegar a Juliaca, os tuc tuc que estavam disputando espaço comigo me bloquearam a visão e me vi em cima do trilho do trem. Não tinha muito o que fazer para cruzar sem cair, então já era tarde. A roda traseira não tracionou na saída, a moto tombou e fui ao chão.

6º dia – Machu Picchu (PE)

Descobri depois que a melhor forma de conhecer Machu Picchu seria me hospedando em Ollantaytambo e comprar as passagens diretas na estação de trem, evitando intermediário como foi na agencia de turismo. U$ 125,00 ida e volta de trem somado a 25 soles de passagem de ônibus até Ollantaytambo que partia às 3h30.

7º dia – Cuzco (PE) a Ica (PE)

Acordei bem cedo e estava tudo preparado para uma longa jornada para me hospedar em Ica e visitar Nazca. De inicio, ao sair da cidade de Cuzco, o meu GPS ainda tinha dificuldades em me dar a rota, mas por fim o GPS do celular off-line me ajudou.

8º dia – Ica (PE) a Cuzco (PE)

Saí cedo do hotel e fui até o Oasis de Ica, chamado Huacachina, uma nascente de água que fica entre enormes dunas. É o principal ponto turístico da cidade, com direito a baladas noturnas, bugs, esqui bunda, caminhadas, etc.

9º dia – Cuzco (PE) a Brasiléia (BR)

Temia que não houvessem postos de combustível depois de Puerto Maldonado, então eu enchi minha garrafa de 5 litros logo pela manhã e segui em frente. No posto, um peruano me falou: “- um dia você chega”. Fiquei meio intrigado. Lembrei do Atacama e do fim do mundo e disse a mim mesmo que eu posso e sou capaz de fazer esse percurso, mesmo que seja o inferno.

10º dia – Brasiléia (BR) a Porto Velho (BR)

Em terras brasileiras me sinto livre, apesar da diferença cultural. Foram estradas em situações precárias, ainda não totalmente deterioradas, mas trafegáveis de modo geral.

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