Bolívia e Peru de Ténéré 250

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O que dizer desse dia? Depois de viajar com minha Yamaha Ténéré 250 por mais de 12 mil quilômetros para Ushuaia na Argentina, fiquei com um leve incômodo por não ter ido ao Peru e em alguns atrativos da Bolívia quando passei por lá em 2014. Praticamente não planejei essa viagem de forma minuciosa e sim, aprontei a mochila uma semana antes e decidi viajar.

Depois de efetuar a troca do óleo e do filtro no hotel em Miranda e checar a moto, parti pela manhã rumo à fronteira com a Bolívia. Cheguei por volta das 8h10 da manhã do dia 01/08/2016 e, para minha surpresa, tinha uma fila enorme à minha espera. Mas o detalhe era que eu precisava carimbar a saída do Brasil no passaporte para poder entrar na Bolívia.

Fui procurar logo cedo um posto para abastecer enquanto iria pilotando pela ruta 4 sentido La Paz. Mas todos recusavam, pois precisam de uma nota diferente para registrar a venda da gasolina. O medo dos frentistas estava estampado em seus rostos, dava para ver que algo não está certo. Assim sendo, fui tocando até realmente precisar de gasolina.

Acordei cedo, pois sabia que teria que comprar as passagens para Machu Picchu em Cuzco e isso poderia demorar, então projetei chegar às 11h ao meu destino. Como fui lesado em 75 dólares, fiquei analisando minhas finanças no caminho para ver se faria o passeio até La Rinconada, a cidade mais alta do mundo, mas ao chegar a Juliaca, os tuc tuc que estavam disputando espaço comigo me bloquearam a visão e me vi em cima do trilho do trem. Não tinha muito o que fazer para cruzar sem cair, então já era tarde. A roda traseira não tracionou na saída, a moto tombou e fui ao chão.

Descobri depois que a melhor forma de conhecer Machu Picchu seria me hospedando em Ollantaytambo e comprar as passagens diretas na estação de trem, evitando intermediário como foi na agencia de turismo. U$ 125,00 ida e volta de trem somado a 25 soles de passagem de ônibus até Ollantaytambo que partia às 3h30.

Temia que não houvessem postos de combustível depois de Puerto Maldonado, então eu enchi minha garrafa de 5 litros logo pela manhã e segui em frente. No posto, um peruano me falou: “- um dia você chega”. Fiquei meio intrigado. Lembrei do Atacama e do fim do mundo e disse a mim mesmo que eu posso e sou capaz de fazer esse percurso, mesmo que seja o inferno.

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