Como não tinha conseguido executar o plano principal da viagem, que era continuar da Colômbia até o Brasil passando pelo Equador, Peru e Bolívia, o plano B previa ir até Manaus e pegar um barco para retornar para casa.

Mas quando vi as datas de saída dos barcos e o dia que chegaria à cidade, percebi que teria que ficar vários dias esperando para pegar o próximo barco e eu não tinha tempo disponível para fazer essa viagem.

Ainda com dúvidas sobre o que iria fazer, peguei estrada em direção à capital do Amazonas.

A estrada está na maior parte em boas condições, mas alguns buracos exigem atenção do viajante. Ela corta algumas lindas fazendas, outras nem tão bonitas, plantações e pastagens, florestas, pequenas matas e uma grande reserva indígena, onde é proibido parar e tirar fotos por mais de 100 km.

Depois de passar pela cidade de Novo Paraíso, encontrei uma moto destruída sobre uma ponte. Parei para ver e logo depois chegou um motociclista perguntando o que tinha acontecido. Respondi que não sabia e também tinha acabado de chegar. Ele debruçou sobre a mureta da ponte e gritou que o motociclista estava lá embaixo. Fui lá, mas não consegui ver onde ele estava. Chegaram outros motociclistas, que desceram a ribanceira para tentar chegar ao acidentado. Um caminhão passou e o motorista disse que pediria ajuda na cidade. O celular não pegava ali.

Segui viagem imaginando o que poderia ter causado o acidente e rezando para que o rapaz não tivesse consequências graves.

Viagem de moto Amazonas

Passei pelo monumento que marca a passagem da Linha do Equador pela estrada e divide os hemisférios norte e sul e parei para tirar uma foto.

A viagem transcorreu tranquila. Apenas o calor intenso me provocou desgaste. Cheguei a Manaus no fim da tarde.

Vários amigos me mandaram mensagens dizendo que tinha que conhecer um motociclista de Manaus que sempre recepciona os motociclistas viajantes que chegam à cidade: o Genghis. Já o conhecia pelas redes sociais, mas não pessoalmente. Mandei uma mensagem e combinamos de nos encontrar. Ao mesmo tempo outro amigo, o Joelmir, me convidou para dormir na sua casa. Prefiro pernoitar em hotéis durante minhas viagens para poder descansar e também para não incomodar os amigos. Mas desta vez resolvi aceitar o convite. Combinei encontrar com o Joelmir em um posto de gasolina e de lá fomos para a sua casa, onde conheci a esposa Rayane.

Mais tarde saímos para uma choperia onde encontramos o Genghis e ficamos bebendo chope e conversando até tarde.

Tinha pedido ao Genghis que verificasse os procedimentos para despachar a moto para Belo Horizonte e voltar de avião para casa. Minhas férias estavam acabando e como comentei acima, as opções de retornar de barco não me possibilitariam chegar a tempo de voltar ao trabalho. Mas o Joelmir me perguntou porque não ia pela BR-319 até Porto Velho e de lá para Belo Horizonte. Seriam apenas dois dias de travessia, bem menos que a viagem de barco. Eu já tinha estudado a estrada, conhecida como Rodovia Fantasma, porque corta a Floresta Amazônica e tem pouca estrutura de apoio para quem a percorre. A distância entre os postos é de quase 500 km e dos 800 km que separam Manaus de Porto Velho, 400 são de terra. Não tinha considerado esta possibilidade pensando que estaria muito desgastado com a passagem pela Guiana. O Genghis é um grande conhecedor da estrada e me disse que ela estava em boas condições e não havia previsão de chuva. Decidi então seguir o caminho sugerido. Seria mais um grande desafio durante a viagem.

No dia seguinte eu fui à concessionária Honda e troquei o pneu dianteiro da moto, que teve um desgaste mais rápido que eu tinha previsto. Encontrei lá o Genghis, que me guiou para conhecer algumas atrações da cidade e depois fomos almoçar um peixe em um restaurante flutuante.

Mais tarde fui a um supermercado para comprar água e alimento para a travessia da BR-319 que decidi que faria no dia seguinte. O Genghis se ofereceu para me acompanhar pelos 100 primeiros quilômetros da viagem. Dormi cedo para acordar descansado.

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