O plano para o dia incluía acordar cedo, pegar estrada cedo e chegar cedo à fronteira com a Guiana, para pegar o ferry antes das 8h da manhã, quando o portão fecha e só abre no dia seguinte. Depois viajar até Georgetown, capital da Guiana, e pernoitar lá. Segui a risca o planejado, pelo menos no início.

Não contava com a distração desse bocó aqui. Às 4h30 já estava pronto, a bagagem na moto e a chave do quarto entregue na recepção do hotel. Montei na moto segui as indicações do GPS - que aqui descobri que funciona certo se você digitar o destino e não seguir o roteiro baixado do aplicativo do computador.

A saída da cidade é fácil, mas demorada, porque ela não acaba nunca. São quilômetros e quilômetros de casas de um lado e do outro da estrada. Já tinha pilotado por cerca de 20 minutos quando lembrei que não tinha ativado o rastreador. #%@$&! - Isto é um palavrão censurado - Tinha colocado o aparelho sobre a moto enquanto ajustava a roupa e esqueci de guardar antes de sair. Parei e voltei para o hotel. Já tinha percorrido cerca de 25 km. O problema era o tempo. Imaginava que tinha uma folga para chegar ao destino a tempo, naquele horário que saí, mas a folga não suportava o tempo perdido para retornar. Precisava voltar, o aparelho é alugado e teria que pagar outro se perdesse.

Assim que entrei no estacionamento do hotel o vigia veio me encontrar. Falei que tinha perdido um equipamento e ele perguntou se era pequeno. Confirmei e ele disse que tinha achado e deixado na recepção. Fui lá e me devolveram. Pensei se valia a pena tentar acelerar e chegar a tempo, mas achei melhor não arriscar. Perguntei para a moça se poderia voltar para o quarto que tinha feito checkout. Ela olhou no sistema, perguntou se era por mais uma noite e eu respondi que não, no máximo até o meio dia liberaria o quarto. Ela concordou. Peguei a bagagem na moto, levei para o quarto, coloquei o pijama e consegui dormir até por volta das 8h um bom sono. Apesar do estresse do dia perdido, estava cansado e precisava recuperar as energias.

Depois que acordei pesquisei onde poderia pernoitar mais próximo à fronteira e encontrei a cidade de Nieuw Nickerie. Vi que tinha alguns hotéis. Seria o destino do dia.

Acabei de ler e enviar algumas mensagens de e-mail e aplicativos, voltei a colocar a roupa de viagem, fechei a bagagem novamente, levei para a moto, devolvi a chave do quarto e fui para a estrada.

Enquanto percorria as ruas de Paramaribo, parei em alguns lugares para fotografar, mas como estava dentro de um quarto com ar condicionado ligado, quando cheguei do lado de fora, por causa do calor e umidade, as lentes ficaram embaçadas.

A viagem é relativamente tranquila. Passa por muitas vilas, o tráfego é intenso no início e reduz depois que distancia de Paramaribo.

Tem um posto de controle cerca de 60 km antes de Nieuw Nickerie, mas quando parei fizeram sinal para prosseguir.

O asfalto e a sinalização são bons na maioria do trajeto, mas tem um trecho na saída de Paramaribo que está em obras e retiraram todo o asfalto, outro trecho quase no final com muitos buracos e eu andei boa parte do tempo onde a estrada não tinha sinalização alguma.

Depois de conclui-lo acho que ficaria muito complicado fazer esse percurso em 3 horas como tinha planejado. Talvez não conseguisse cumprir o que tinha planejado para o dia de qualquer forma.

Viagem de moto Suriname 05

Quando cheguei a Nieuw Nickerie, parei em um posto de combustível, abasteci e perguntei onde encontraria um hotel e o frentista me orientou seguir pela rua e virar à esquerda quando visse um supermercado. Foi o que fiz, mas não encontrei o hotel. Quando pesquisei mais cedo tinha visto 3 na internet, mas sabia que tinha mais. Fui percorrendo as ruas e vi uma placa indicando hotel. Parei e perguntei a um senhor que estava na porta e ele fez sinal que o hotel não estava funcionando. Apontou para uma direção e com gestos mandou seguir até o final da rua. Foi o que fiz. Encontrei um hotel grande, construído parte de madeira e parte de concreto. Parei no pátio e uma senhora com características de ser indiana veio falar comigo. Tinha quarto vago por valor pouco maior que R$ 60. Pedi para ver. Não era grandes coisas, mas tinha ar condicionado e parecia limpo. O cheiro era estranho. Depois descobri que era permitido fumar nos quartos por aqui e o cheiro devia ser de algum produto que passavam para tentar tirar o cheiro do cigarro. Fechei assim mesmo. Lembrei da viagem que fiz pela Índia quando vi o quarto. Até a torneira no banheiro tinha. Quem leu meu livro Viagem de Moto Pelos Caminhos do Himalaia sabe do que estou falando.

Depois de um ótimo banho – a água é fria, mas parecia morna – saí para caminhar pela cidade. Devo ter andado por duas horas. Nieuw Nickerie é pequena, plana e várias ruas tem canais com água que não parece limpa. Alguma sujeira e garrafas de plástico pioram a situação. Casas relativamente bonitas, muros baixos, quando os têm, boa parte do espaço entre a rua e as casas é gramada, algumas bem cortadas e outras precisando de limpeza. Durante todo o tempo que caminhei eu escutei cortadores de grama trabalhando.

Passei em um supermercado e comprei pão, refrigerante, queijo fatiado, biscoitos e água mineral, para comer durante o dia e à noite. Só vi restaurantes chineses por onde andei e não estou a fim de comer comida oriental.

Tentei sacar dinheiro em caixas eletrônicos com meu cartão. Existem vários bancos na cidade e os caixas eletrônicos ficam nas ruas, como na Europa. Não consegui sacar em nenhum deles.

No Suriname você pode trocar moeda estrangeira nos supermercados que na maioria são de propriedade de chineses. Eles não falam inglês, mas é fácil fazer o câmbio e por uma boa cotação. Foi o que fiz. Fui a um supermercado próximo ao hotel e troquei dólar por moeda local, para evitar faltar dinheiro amanhã na travessia.

Comentários (1)

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Estou acompanhando diariamente, sensacional, como sempre. Boa viagem

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