Dormi bem com o balanço do navio e o barulho compassado do motor que escutava longe de onde eu estava. Assim que acordei, tomei banho com água na temperatura ambiente, ou seja, quente. Como a empresa não fornece toalhas para os passageiros, enxuguei com uma camisa de algodão.

O café da manhã era bem parco: leite com café, um pão doce e uma fatia de melancia.

Depois fui apreciar o sol nascendo atrás da floresta, o que proporcionou um espetáculo.

O restante da manhã foi dedicado a acompanhar crianças e mulheres circundando o barco para que os passageiros fizessem doações de roupas e alimentos que eram acondicionados em sacolas plásticas e lançados ao rio para então serem recuperadas.

Alguns faziam manobras arriscadas de abordagem ao barco para vender produtos acondicionados em vasilhas no fundo de canoas com motor de popa. Eles vendiam açaí, palmito, camarão e farinha, dentre outros gêneros, que eram comprados pelos passageiros preços baixos.

Eram dezenas deles navegando velozmente com suas frágeis embarcações no entorno do grande navio que continuava passivamente sua marcha pelos rios e canais que constituem os rios amazônicos. Cada canal leva o nome diferente. Alguns são enormes com centenas de metros de largura entre uma margem e outra. Mesmo os mais estreitos permitem a passagem de grandes barcaças que levam dezenas de caminhões entre os portos.

Depois fui para o bar tomar uma cerveja com o Leandro, empresário gaúcho que conheci no barco. Estava viajando com seu filho e contou que está iniciando um negócio de açaí no Amapá. Depois juntaram-se a nós outros passageiros, cada um de um canto do país (cearense, paraense, Baiano). Tinha até um que morava na Guiana Francesa e me deu algumas dicas sobre aquele país.

O almoço servido era pago à parte. Simples, barato e gostoso.

Choveu forte pouco antes de chegarmos ao destino, um porto particular que fica na cidade de Santana, próximo a Macapá.

Quando chegamos, fui para o compartimento onde a moto estava. Tinham colocado diversas mercadorias na frente e ela estava no fundo do barco. Um tripulante disse que eu podia esperar que tirariam os produtos rapidamente. Havia na frente, dentre outras cargas, caixas de ovos, sacos de trigo e cestos de açaí. Estavam tirando os cestos e ensacando as frutas para então retirar do navio. Passaram-se 40 minutos e os trabalhos pouco avançaram. Perguntei a um dos ensacadores e ele me disse que provavelmente terminariam por volta das 10h da noite.

Viagem de moto Brasil Amazonia

Resolvi seguir para Macapá, pegando um taxi.

O Leandro indicou um hotel na cidade que ele tem costume de ficar. Mais caro que a média que estou pagando, mas é um hotel muito bom.

Combinamos de ir ao restaurante do hotel comer um peixe muito bem recomendado, mas estava fechado e um rapaz na recepção indicou outro próximo, chamado Peixaria do Jairo, para o qual fomos à pé.

Pedimos um peixe com camarão e legumes que estava muito bom e eu me esbaldei com ele.

Dividimos a conta e eu não conferi o valor cobrado no meu cartão. Quando cheguei ao hotel e fui lançar a despesa nos meus controles, para minha surpresa, tinham cobrado quase o dobro do valor que cabia a cada um de nós. Voltei lá, reclamei e me devolveram a diferença. Depois que cheguei de volta ao hotel fui refazer de cabeça a conta e acho que além de cobrarem o valor a mais no cartão, ainda majoraram o valor dos produtos. Acabei não retornando para reclamar, mas fica o alerta para quem pretende um dia ir a este estabelecimento.