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Quito – Pasto (Parcial = 350 Km / Total = 8.204 Km)

Durante a madrugada, ouvia-se muito ao longe uns urros bestiais. Mas, o cansaço era tanto que prevalecia o sono. Um urro mais alto acabou nos acordando às 02:00h da manhã e percebemos que era o Edinho, vomitando. Cada vômito era acompanhado por um grito desesperado. Ele estava tonto e com muitas dores no estômago – “Galera, tô muito mal”. Aquele ceviche (prato a base de frutos do mar crus) que ele comera estava dando trabalho e parecia querer colocar um ponto final na sua viagem. Todos estávamos muito preocupados sobre como proceder, caso ele viesse a piorar.

Chamei um taxi e partimos para o Hospital de Clínicas Pechincha, nas imediações do nosso hostal. Ao chegarmos, tivemos que esperar que atendessem a uma emergência de acidente de trânsito.

Logo que foi atendido, entrou no soro com medicação. No cardápio dos exames, era imprescindível a prática de um fio terra. O Edinho ficou de repente muito feliz e disse, brincando, que como foi a primeira vez, só não ouve beijo na boca. O atendimento dos profissionais foi exemplar e digno dos melhores elogios. A conta que foi apresentada pelos serviços médicos prestados; irrelevantes US$ 109,00. Às 05:00h, quando terminou de receber o soro com a medicação, ele já parecia muito melhor.

Voltamos para o hostal para aproveitar algumas horas de sono, pois a partida para Tulcan estava combinada para as 08:00h.

Mal deitamos, o Robertinho nos acordou; estava na hora. Nos aprontamos e na hora marcada, o Lutz, o Vinny e outros amigos de Quito já estavam com suas motos à nossa porta.

Na hora da partida a Electra do Edinho arriou a bateria e teve de pegar no tranco. O Edinho poderia ter comprado, facilmente, uma Electra 2009 para a viagem, conforme o previsto no projeto (desempenho, logística e segurança), mas resolveu arriscar com uma 1997. Exemplo de coisa que só o amigo faz, pois o inimigo nem tenta.

Durante o trajeto de saída de Quito, a formação de sete motos ia se dispersando. Ao Vinny e a galera do PHD de Quito a nossa gratidão pelo carinho, pela atenção e aquele forte abraço. O Lutz com a sua KTM e seu filho de carona nos acompanhou mais além, nos deu as últimas orientações e seguimos em frente.

Um último check no estômago do Edinho e como ele disse que estava sem dor e apenas poluindo o ar, seguimos em frente.

Seguindo o mantra do Robertinho – perguntar sempre – no posto de abastecimento, em San Gabriel, resolvi perguntar se as aduanas, de Equador e Colombia, funcionariam aos domingos. Surpresa: resposta positiva, contrariando todas as informações que tínhamos. Ponto para o Robertinho. Então, resolvemos ir verificar e pernoitar em Pasto, na Colombia.

Seguimos por estradas boas, sempre perguntando pela direção correta, pois eram raras as placas de direção. Na fronteira do Equador, fizemos a aduana (moto) e a migração (pessoa), rapidamente, mesmo o Edinho tendo perdido o papel da entrada da moto – cara de sorte.

Na fronteira da Colombia, fizemos a migração, rapidamente, com tratamento muito cordial. Concluída a aduana, precisamos seguir até Ipiales para pagar o seguro obrigatório SOAP. Em Ipiales, um motociclista nos informou que o seguro somente poderia ser feito na segunda-feira, porque a corretora estaria fechada; era domingo. Frustração. Esquecemos deste detalhe.

Mas, como o Robertinho não desiste nunca, perguntando, descobriu que a corretora mantem um plantão no supermercado ALKOSTO, das 08:00h às 19:00h, de segunda a segunda). E estávamos prontos para desbravar a Colombia. Ponto para o Robertinho. Suerte!

Ligamos os motores e aceleramos em direção ao norte. Que surpresa agradável: a geografia acidentada, recoberta de verde com uma estrada pendurada nas montanhas, nos limites dos despenhadeiros, criavam uma paisagem fenomenal com curvas magistrais.

Marcha para baixo, me desconectei dos companheiros, e logo estava alçando vôo nas ascendentes como uma águia e me precipitava nas descendentes como um falcão. Para fomentar a bendita alucinação, ao passa rente ao topo de algumas montanhas, entrava nas nuvens. Meu Deus! Foi pura felicidade.

Alguns quilômetros, antes de chegar a Pasto, onde iríamos pernoitar, trânsito congestionado. Treinado no trânsito do Rio, foi moleza superar.

No primeiro posto que surgiu na entrada da cidade, parei para esperar os companheiros. Em pouco tempo, encosta o Edinho. Com a longa descida, perdera a embreagem. No convívio mais próximo, descobri mais uma boa característica do Edinho, qualquer problema que ele cria, ele resolve. Pegou o kit de ferramentas e resolveu a embreagem. Enquanto nos preparava para sair a procura de hotel, o Robertinho comenta sobre essa recente etapa da viagem: “Desde o norte do Peru, é só montanhas. Toda hora estamos entrando em nuvens. Estamos parecendo gavião!”


PHD Artur Albuquerque
Fonte: http://phdalaska.hwbrasil.com/site/ e http://www.phd-br.com.br/

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