A decisão de permanecer mais um dia em Vicksburg foi das mais acertadas. Trata-se de uma cidade com uma importância histórica muito grande, como veremos mais adiante, e que preserva com carinho uma arquitetura, a meu ver de leigo no assunto, com forte influencia européia. Para curti-la e admirá-la você precisa ir ao Historic Downtown, estacionar a moto e andar a pé.

Sai de Vicksburg às 8 horas e, quando olhei o velocímetro duas horas depois, mal tinha alcançado as 60 milhas. Isto é menos da metade do que fiz no mesmo tempo anteontem. A culpa é da estrada, a tal da 61. Diferente das longas e monótonas Highways, ela é uma espécie de reedição da antiga 66, só que no sentido Norte - Sul.

A recuperação da cidade após a devastação do Katrina é impressionante, até mesmo o setor hoteleiro, que já era muito forte, aumentou em muito a oferta de vagas com a construção de novos hotéis e ampliação dos antigos.

Hoje pela manhã fui colocar a tralha na moto para pegar a estrada e encontrei com o Frank, o manobrista que hotel metido a besta chama de "Valet", e ele me avisou que a moto dele está ao lado da minha. O cara veio com a Moto Guzzi 750 para me mostrar. A moto só precisa de uma pintura e uma boa limpeza. Ela está íntegra e funcionando "redondinha".

Mais uma vez, escolhi o caminho que vai contornando o Golfo do México. A semelhança com Cabo Frio é impressionante: a areia, as dunas, a vegetação das dunas, a cor do mar, só faltando mesmo o nordeste fazendo música nos coqueiros no bairro da Passagem, em Cabo Frio.

Minhas andanças pelas estradas da vida ensinaram que as despedidas, apesar do aperto no coração, marcam apenas o início da contagem regressiva para um ansiado reencontro. E foi assim, com a alegria de reencontrar meu amigo Rodrigo Cabral, que comecei a me preparar para despedir-me da Helô, a fiel e perfeita parceira de uma tournê de 20.000 km, onde cruzamos 25 estados desta grande nação.

Se me perguntassem no início acreditar que passaria por todos os lugares pelos quais passei, imediatamente diria que não. Até agora, estou processando e a ficha só começou a cair na Florida, quando o Rodrigo Cabral falou-me que, provavelmente, estive em mais estados americanos do que a maioria dos que aqui residem.

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